Tabaco: O perigo global
Se os malefícios do fumo passivo exercem-se sobre todas as pessoas que o inalam, ele tem uma particular intensidade nas crianças, fruto de uma maior fragilidade do aparelho respiratório.
Assim, em crianças vivendo com pais fumadores encontramos taxas mais elevadas de determinadas doenças, tais como: síndroma de morte súbita do recém-nascido, doenças do ouvido médio (otites), bronquite, bronquiolite, asma e pneumonia. Em conclusão: fruto de uma constituição química perigosa a inalação do fumo do tabaco é causa generalizada de doença. E se o problema é grave nos fumadores activos ele não é despiciendo nos que fumam de forma passiva. Para seu bem e dos que o rodeiam, por favor não fume.
Evite este perigo global.
As doenças vasculares
Relativamente às doenças vasculares, o fumo do tabaco contribui decisivamente para a esclerose dos vasos sanguíneos, sendo um importante responsável por muitos acidentes vasculares (nos vasos periféricos, no coração e no cérebro), doenças que estão entre as principais causas de morte da Humanidade.
A repercussão sobre o pulmão
A relação do tabaco com o pulmão é, igualmente, uma relação nefasta, manifestando-se, sobretudo, por duas temíveis doenças: a DPOC e o cancro do pulmão.
A DPOC (acrónimo de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica) é uma doença em que, para além de uma inflamação crónica dos brônquios, existe destruição do pulmão – enfisema. É uma das mais importantes doenças da actualidade, não só pelo número de pessoas que afecta – cerca de 350 milhões em todo o mundo e um milhão em Portugal – como pela mortalidade que determina – a DPOC será dentro de uma década a 3.ª causa pessoas por dia. Sendo uma doença progressiva, irreversível e altamente incapacitante, a única forma de interromper a sua inexorável evolução para a insuficiência respiratória crónica é a interrupção do hábito de fumar; os medicamentos que actualmente dispomos apenas conseguem atrasar essa evolução.
A outra temível repercussão do tabaco sobre o aparelho respiratório é o cancro do pulmão. Esta neoplasia, que em 85-90% dos casos aparece em fumadores, ocupa no nosso país o 4.º lugar em termos de incidência (mais de 3.000 casos anuais) e o 2.º lugar em termos de mortalidade. É, pois, das mais mortíferas formas de cancro.
Porém, não se julgue que a relação do tabaco com o cancro se esgota no cancro do pulmão. Essa relação estende-se a muitas outras formas de cancro, com um particular relevo para as seguintes: boca, faringe, laringe, traqueia, esófago, estômago, pâncreas, rim e bexiga.
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Outros efeitos do tabaco
Se estes três impactos são os mais significativos, eles não esgotam os efeitos nocivos do tabaco no organismo.
Doenças como, úlcera gástrica, laringite crónica ou osteoporose têm uma nítida relação com o hábito de fumar, tal como a impotência sexual nos homens, e a infertilidade, abortos espontâneos e menopausa precoce na mulher. Nesta, quando grávida, há ainda a referir taxas mais elevadas de fetos mal desenvolvidos, fetos de baixo peso, prematuros e de morte fetal.

