Sepsis – Um assassino subestimado
Horas que fazem a diferença entre a vida e a morte
Quando se verificam os sintomas associados à Sepsis, o tratamento convencional passa pela aplicação de antibióticos de largo espectro (mesmo sem se conhecer qual o agente, ou agentes patogénicos, que estão a provocar a infecção).
De acordo com as estatísticas, cerca de 25% destes tratamentos provam ser inadequados, para o caso específico de cada infecção, ou pela resistência do organismo ao antibiótico. Este facto tem um impacte dramático na mortalidade: vários estudos mostram uma relação directa entre a taxa de mortalidade e uma desadequada terapia inicial, em pacientes das unidades de cuidados intensivos, que apresentam casos críticos de sepsis. A mortalidade neste caso é significativamente mais elevada que aqueles que receberam tratamento adequado desde o início, podendo chegar a atingir uma taxa de 90%*7.
“ O Tempo de diagnóstico e o rápido início da terapia são factores cruciais para a sobrevivência do doente com sepsis”, comenta o Dr. Frank M. Brunkhorts, médico da unidade de cuidados intensivos e especialista em Sepsis, do Hospital Universitário de Jena, na Alemanha.
Assim, a administração do antibiótico correcto, nas primeiras horas, pode ser crucial para a sobrevivência do doente com sepsis grave, ou em situação de choque séptico. Uma das razões pelas quais o melhor tratamento com um agente patogénico específico não pode ser administrada a tempo, prende-se com o tempo necessário para os procedimentos de diagnóstico, que consiste em hemocultura. Este método tem sido mantido, virtualmente inalterado, há décadas.
Os testes que revelam qual a bactéria responsável pela sepsis demoram de dois a cinco dias. No caso de infecções com origem em fungos, determinar correctamente o agente patogénico pode levar até oito dias, o que pode ser demasiado tarde para muitos doentes.
A terapêutica correcta utilizando o antibiótico específico adequado só pode ter início após a identificação do agente patogénico. “ Especialmente quando se trata de casos de sepsis grave, a situação do doente pode deteriorar-se em questão de horas” diz o Prof. Frank Stueber, anestesista e especialista de cuidados intensivos e de sepsis, do Hospital Universitário de Bona, na Alemanha.
A adicionar ao tempo que se demora a concluir o diagnóstico, registam-se ainda dois outros factores complicados: em primeiro lugar, a sensibilidade das hemoculturas, que são frequentemente condicionadas pela administração de antibióticos de largo espectro para tratamento inicial da sepsis, antes da amostra de sangue ter sido recolhida.
Depois, a sensibilidade da cultura de sangue pode atingir apenas os 30%, mesmo nos cenários mais positivos, o que significa que a probabilidade de um diagnostico enganador pode ser muito elevada.
Nova abordagem ao diagnóstico da sepsis
Em Junho de 2000, um grupo interdisciplinar da Roche Diagnostics fez equipa com especialistas externos em sepsis para avaliar novos métodos de diagnóstico que poderão acelerar o processo da identificação dos agentes patogénicos causadores da sepsis. Em Janeiro de 2006, a Roche Diagnostics apresentou o primeiro teste baseado na tecnologia PCR, denominado LightCycler Septifast Test, que detecta 25 dos mais comuns agentes patogénicos causadores de sepsis, incluindo fungos, de acordo com as conclusões de 20 grupos terapêuticos relevantes. Em menos de seis horas, este teste disponibiliza resultados sobre o agente ou agentes patogénicos causadores da sepsis. Está aberta uma nova dimensão para o diagnóstico da sepsis.
Fontes:
1- German Ministery of Education and Reseach/sepnet,2004
2- Society of Critical Medicine, 2005, www.sccm.org/press_room/sepsis_facts.asp
3- Society of Critical Medicine, 2005, www.sccm.org
4- Brunkhorst F.M, Engel C, Reinhart K, Bone H-G Brunkhorst R, Burchardi H, Eckhardt K-U, Forst H, Gerlach H, Grond S, Grundling M, Huhle G, Oppert M, Olthoff D, Quintel M, Ragaller M, Rossaint R, Seeger W, Stuber F, Weiler N, Welte T and Loeffler M for the German Competence Network Sepsis (SepNet). Epidemiology of severe sepsis and sepsis shock in Germany – results from German “Prevalence” Study. Critical Care 2005;9(Suppl 1): S83
5- See 2
6- Schmid A, Burchardi H, Clouth J, Schneider H. Burden of illness imposed by severe sepsis in Germany. Eur Health Econom 2002;3:77-82; adapted by data from(4).
7- Luna CM et al., Chest 1997;111:676-685

