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Pulgas e Carraças: Tratar o mal pela raiz!

As carraças são pequenos artrópodes, parentes próximos das aranhas, dos escorpiões e dos ácaros. As pulgas pertencem à grande classe dos insectos. No entanto, estes dois pequenos seres têm, pelo menos, uma coisa em comum: ambos são parasitas que se alimentam do sangue dos mamíferos, podendo causar muito desconforto e sérios problemas de saúde.

Uma picada de pulga pode ser assintomática em alguns animais, noutros causar ligeiras irritações e, nos animais com grande sensibilidade à saliva da pulga, causar uma reacção exuberante de dermatite alérgica. Infestações severas de pulgas podem transmitir variadas doenças, assim como parasitas gastrointestinais. As carraças são parasitas da pele, que se alimentam exclusivamente do sangue do seu hospedeiro. Estes acarídeos têm um forte potencial de transmissão de doenças, agindo como vectores de várias zoonoses (ex: doença de lyme), doenças que podem ser transmitidas ao Homem. O ciclo de vida das pulgas e carraças As pulgas são insectos deveras devotos ao seu trabalho. Num só dia, uma pulga pode picar mais de 400 vezes, podendo chegar a consumir um volume de sangue superior ao seu peso corporal. Uma pulga adulta dirige-se ao hospedeiro para se alimentar. Findo este acto, acasala e produz ovos (uma pulga fêmea pode pôr, por dia, até 50 ovos). Estes ovos, de dimensões microscópicas, caem para o chão, iniciando-se o período mais longo e crítico de uma infestação por pulgas. Após um período de dois a cinco dias, o ovo irá eclodir, surgindo uma larva de pulga que se manterá escondida nos lugares mais escuros e sombrios da casa (carpetes, rodapés), alimentando-se de pequenos detritos orgânicos (desperdícios das pulgas adultas, pedaços de descamação da pele, etc.) até que surjam as condições ambientais ideais para a sua passagem à fase adulta. Esses importantes sinais do ambiente incluem pequenas vibrações e vestígios de dióxido de carbono, garantia da presença de um hospedeiro. Do casulo, eclode uma pulga adulta que se dirige ao animal para a sua primeira refeição! Assim se completa o ciclo, recomeçando tudo de novo…! Por sua vez a carraça apresenta um ciclo de vida que se divide em quatro fases de desenvolvimento, podendo, todas, parasitar um hospedeiro: o ovo, a larva, a ninfa e o adulto. Uma carraça adulta pode chegar a pôr 20.000 ovos, que cairão para o chão e se desenvolverão, preferencialmente se em locais com vegetação de baixa a média altura e algum grau de humidade. Assim, os jardins e matas do nosso campo (e também das nossas cidades.) constituem uma óptima armadilha para os hospedeiros, como os cães ou os gatos, em plena actividade “inspectora” do ambiente que os rodeia. Tratar o mal pela raiz O melhor método para controlar o problema das pulgas é prevenir o seu aparecimento! A primeira atitude a ter passa por compreender e interiorizar que a prevenção da pulga e a sua eliminação, implica, sempre, a prevenção e eliminação do seu desenvolvimento em qualquer fase do seu ciclo de vida, e não exclusivamente quando no estado adulto (única fase que é visível no hospedeiro).

Como vimos, a sua capacidade de reprodução é quase inigualável. O nosso objectivo será garantir que esses milhares não se transformarão em outros milhares mais! O ideal é iniciar a prevenção no início da época das pulgas. A severidade e duração da mesma são, no entanto, extremamente variáveis de região para região, de ano para ano (muito dependente das condições atmosféricas). Pode apenas durar uns meses nalguns locais, existindo, no entanto, outros em que as pulgas podem sobreviver durante todo o ano. Numa casa bem aquecida, por exemplo, as pulgas podem mesmo manter-se de uma estação para a outra. Este é então outro factor a ter em conta quando se pensa e se resolve agir, no campo do combate às pulgas. Prevenir o ataque das carraças À semelhança do que ocorre no combate à pulga, o controlo das carraças passa também pela prevenção, evitando os locais mais propícios ao seu desenvolvimento (jardins com ervas altas, locais de forte densidade de mata, fetos, etc.) Se um animal já se encontra parasitado por uma carraça e não está protegido, esta deve ser removida o mais breve possível, limitando assim no tempo uma possível transmissão de agentes causadores de doença. Existem vários métodos descritos para a remoção de carraças como a deposição de algumas gotas de álcool provocando a retracção das suas pinças bucais; a utilização de tesouras, entre outros, sendo, no entanto, sempre importante uma lavagem prévia do local com água e sabão e aplicação de desinfectante após a remoção da mesma (uma vez que existe a possibilidade de um fragmento da carraça ficar fixo ao animal, podendo causar inflamação e desconforto). Não se deverá manusear a carraça sem recorrer a luvas, evitando assim a transmissão de algum agente patogénico existente. É também sempre aconselhável a lavagem (e desinfecção) das mãos após a remoção de uma carraça. Medidas como a colocação de um fósforo acesso, ou a aplicação de gel à base de petróleo (vaselina), não deverão ser tomadas, uma vez que não são eficazes na remoção de carraças e permitem um maior período de ligação da carraça ao hospedeiro, aumentando assim a probabilidade de transmissão de doença. Algumas dicas importantes – Escolha o produto correcto para cada situação; – Leia atentamente o rótulo antes de iniciar a utilização do produto. Caso fique com alguma dúvida, peça esclarecimento ao profissional que lhe forneceu o produto ou ao representante do mesmo; – Siga correctamente as indicações. Se o produto é indicado para cães, não use em gatos ou outros animais. Se a indicação for aplicação mensal, não aplique diariamente (salvo indicação contrária do veterinário ou fornecedor). Se a indicação é para aplicação no ambiente, não utilize no animal; – Se o seu animal mostrar sintomas de doença logo após o tratamento, contacte o seu veterinário. Sintomas de envenenamento/intoxicação podem incluir forte irritação local da pele, perda de apetite, depressão, vómito, diarreia ou salivação excessiva; – Mantenha os produtos longe do alcance das crianças.

Jornal do Centro de Saúde

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