X
    Categories: InformaçõesSaúde PúblicaSexualidade

Puberdade: Períodos difíceis para as adolescentes

São os que vivem as adolescentes a braços com uma das mudanças mais óbvias da puberdade – a menstruação. Para muitas tudo corre bem, mas para outras são dias incómodos, para o corpo e para as emoções.

Dizer que a adolescência é uma etapa da vida particularmente difícil é quase banal. Sentem-no rapazes e raparigas, tumultuados por uma onda de transformações físicas e psicológicas. E sentem-no os adultos, sobretudo os pais, confrontados com a nem sempre fácil tarefa de aceitar e lidar com o crescimento dos filhos.

É nestes anos de transição que biologicamente acontecem as mudanças que colocam rapazes e raparigas no caminho da idade adulta – a puberdade muda os corpos e confunde as emoções.

E para elas pode ser perturbador, na medida em que é nessa altura que surge a primeira menstruação, um marco decisivo nesse caminho.

A menarca – assim se chama esse primeiro período menstrual – pode ser fonte de confusão e insegurança. E a partir dela vários incómodos podem repetir-se mês a mês, uns mais naturais do que outros.

As cãibras abdominais são um desses incómodos frequentes. Mais ou menos intensas, ficam a dever-se à prostaglandina, um químico que o corpo segrega e que estimula as contracções do músculo uterino. São contracções involuntárias, mas podem causar dor, por vezes obrigando à toma de um analgésico.

No entanto, tendem a desaparecer com o tempo, não costumando prolongar-se por muitos anos. Comuns são também as irregularidades menstruais. É que podem ser precisos até dois anos para que o organismo feminino desenvolva um ciclo regular: até lá, vai ajustando o fluxo de hormonas libertado pela puberdade.

Estes ajustes fazem com que, num mês, o período possa durar poucos dias e, no seguinte, prolongar-se por uma semana.

Ainda assim convém saber que o que é “normal” depende de mulher para mulher: o ciclo médio é de 28 dias, mas pode ficar-se pelos 21, 22 ou estender-se até aos 45.

A instabilidade hormonal pode ditar ainda que haja dois períodos um a seguir ao outro, que a intensidade da hemorragia oscile de mês para mês e que haja meses sem menstruação. Porém, se a adolescente já for sexualmente activa e se houver uma falta importa ponderar a hipótese de uma gravidez.

Importa também ponderar a possibilidade de um problema se ao fim de três anos o ciclo menstrual não estabilizar.

Cada corpo tem o seu ritmo. O que explica que a primeira menstruação não surja sempre na mesma altura. Para algumas raparigas ocorre pelos nove, dez anos, mas para outras só aos 12, 13.

Não significa isto que haja qualquer problema, tanto mais que a puberdade é influenciada pela genética, com as filhas a tenderem a seguir o mesmo padrão das mães ou avós.

[Continua na página seguinte]

O que é demais…

No entanto, há atrasos e atrasos… Se até aos 16 anos ou ao fim de três anos após os primeiros sinais da puberdade não tiver surgido a primeira menstruação pode haver necessidade de intervenção médica.

A essa situação dá-se o nome de amenorreia – ausência de período – e pode ser primária, quando é causada por um desequilíbrio hormonal ou um problema de desenvolvimento, ou secundária, quando há uma pausa súbita e superior a seis meses em raparigas que tiveram normalmente o seu ciclo menstrual.

Também aqui a gravidez é a primeira hipótese a considerar, mas há outros factores que contribuem para a amenorreia: baixos níveis da hormona que controla a ovulação e o ciclo menstrual, perda significativa de peso, stress, anorexia, problemas da tiróide, quistos no ovário, entre outros.

Uma das causas frequentes é o exercício excessivo combinado com uma alimentação pobre: o resultado é a perda de peso ou a incapacidade de ganhar peso numa fase da vida que é de crescimento.

Não se trata aqui de actividade física normal, como a que se pratica na escola ou no ginásio, mas sim de um esforço contínuo e intensivo, em que se treina várias horas por dia, quase toda a semana, sem que se ingiram calorias, vitaminas e minerais suficientes.

Em matéria de período menstrual o excesso é sempre negativo. Se as irregularidades no fluxo são normais, o mesmo não acontece se há fortes e prolongadas hemorragias todos os meses. É o que se verifica na menorragia, situação que causa grande desconforto e pode até interferir no quotidiano.

Na sua origem está, geralmente, um desequilíbrio hormonal, desta vez entre os níveis de estrogénios e os de progesterona. Em consequência, o endométrio (tecido que reveste internamente o útero e que é expelido quando não há fecundação) continua a crescer, resultando numa hemorragia excessiva.

Mas há outras causas possíveis: pólipos benignos no útero, problemas de tiróide, desordens de coagulação do sangue, inflamação ou infecção do colo do útero ou da vagina.

Muito incómodos e a requerer atenção médica são os períodos dolorosos. Não as cãibras próprias dos primeiros tempos, mas a dor severa que interfere com o sono e a capacidade para as tarefas diárias.

A dismenorreia – assim se designa esta condição – pode ser primária, se a responsabilidade for do químico prostaglandina, ou secundária, se tiver subjacente um problema físico, como quistos uterinos, endometriose, doença inflamatória pélvica.

[Continua na página seguinte]

Gestos de conforto

A maioria dos problemas menstruais que surgem na puberdade é benigna e passageira. Podem até não requerer tratamento, mas para chegar a essa conclusão o médico procede a uma série de exames de modo a identificar a causa.

Se não houver uma causa médica, as cãibras e dores mais severas ultrapassam-se com recurso a analgésicos ou anti-inflamatórios. Se forem detectados quistos podem ser removidos.

A endometriose – situação em que o revestimento uterino cresce fora do útero – pode ser resolvida com medicamentos ou cirurgia. E os desequilíbrios hormonais superam-se com a toma da pílula contraceptiva ou de fármacos com progesterona e/ou estrogénios.

Mas, como o melhor é sempre prevenir, há um conjunto de cuidados que contribuem para o conforto nos chamados dias difíceis: uma alimentação equilibrada com frutas e legumes frescos, redução do consumo de sal e cafeína, um banho morno para relaxar… E relaxar pode ser mesmo fundamental se a adolescente apresentar alguns sinais típicos da síndrome pré-menstrual, sobretudo os de raiz psicológica como a irritabilidade.

A culpa é, claro está, das hormonas, ou não fossem elas as grandes responsáveis por todas as transformações que viram o mundo das raparigas das avessas nesta idade…

 

Se a adolescente…

• Não tiver sido menstruada até aos 16 anos ou se o período não ficar regular ao fim de três anos após a menarca,

• Deixar de ter período depois de ter sido regular durante seis meses ou mais,

• Tiver períodos muito longos e com hemorragias muito fortes,

• Tiver períodos muito dolorosos… … é conveniente procurar ajuda médica, pois estas irregularidades podem ter subjacente uma condição clínica, que importa identificar e tratar.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.anf.pt

admin: