A incontinência urinária é a perda involuntária ou incontrolável de urina. É sempre preocupante, dadas as suas consequências psicológicas, sociais e higiénicas. Afecta transversalmente a sociedade, diz respeito a ambos os sexos, embora seja predominante na mulher.
Trata-se de uma patologia que atinge pelo menos meio milhão de portugueses. Os seniores são o grupo etário mais atingido, admitindo-se uma prevalência de 90 por cento de incontinentes nos lares de terceira idade e casas de repouso.
A vida das pessoas com incontinência fica limitada, tal a inibição pelo medo da perda involuntária de urina.
O incontinente sente-se diminuído, por preconceito procura esconder o problema ao médico, chegando até a optar pelo uso de fraldas e a transportar mudas de roupa, comprometendo, com este medo injustificado, a sua qualidade de vida pessoal e social.
Há até muitos doentes que pensam que a incontinência urinária é uma consequência inevitável do processo natural de envelhecimento dos órgãos e também por isso não procuram ajuda para tratar a patologia.
Mulheres são as mais atingidas
A continência urinária depende da integridade anatómica e fisiológica. A bexiga normal pode acumular volumes de urina relativamente grandes. O estado de continência urinária depende de um funcionamento harmonioso e eficaz entre a bexiga e um esfíncter (músculo que assegura a oclusão ou abertura).
O esfíncter tem dois componentes: o músculo do colo da bexiga e o músculo do esfíncter externo, situado na saída para a uretra (que transporta a urina para o exterior). Mas a continência também depende dos rins, do sistema nervoso e da capacidade física e psicológica do indivíduo em reconhecer e responder à vontade de urinar. Regra geral, esta capacidade atinge-se cerca dos 2 anos de idade, graças à aprendizagem e treino social.
Há vários factores de risco associados à incontinência. É o caso da imobilidade associada a doenças crónicas, o uso de certos medicamentos, estilos de vida pouco saudáveis (consumo de tabaco e excesso de álcool, baixa ingestão de líquidos, obesidade…), a diabetes, alterações anatómicas como a descida da bexiga, uretra ou recto, infecções urinárias, por exemplo.
A maior frequência da incontinência urinária das mulheres deve-se à especificidade anatómica: nas mulheres a principal causa de incontinência é a falta de suporte muscular no local onde a bexiga se une à uretra, causada por relaxamento muscular resultante da idade e agravado pela menopausa. O parto pode também contribuir para esta incontinência, razão pela qual se aposta hoje muito na prevenção através da realização de treinos musculares.
Em suma, o processo de conter e expelir urina é complexo: os rins produzem constantemente urina que irá fluir para a bexiga através dos ureteres; o colo da bexiga está rodeado pelo esfíncter urinário que fecha o canal que transporta a urina para fora do corpo; as mensagens que saem da bexiga chegam ao cérebro através da espinal medula e aí o indivíduo toma consciência da vontade de urinar.
A incontinência pode, ainda, surgir repentinamente, a causa mais frequente é uma infecção da bexiga, a cistite.
Há múltiplas causas para a incontinência, e daí os diferentes tipos usados na sua classificação.
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Os tipos da incontinência urinária
São fundamentalmente três: de esforço (tossir, espirrar, rir, levantar pesos, fazer exercício físico, por exemplo), que resulta no aumento da pressão abdominal, deixando o esfíncter de ter força suficiente para suster a saída da urina; de urgência, que se traduz pela perda involuntária de urina precedida por uma sensação forte de necessidade de urinar, é este o tipo mais frequente de incontinência nos idosos e está realmente associada ao processo de envelhecimento dos órgãos; mista, uma combinação de incontinência de esforço e de urgência.
Qual a importância do diagnóstico?
Há quem proceda por fatalismo ou resignação, achando que deve conviver com a incontinência urinária sem procurar ajuda dos profissionais de saúde.
São pessoas que desconhecem ou silenciam a sua patologia, que têm vergonha de falar do seu problema com o médico, isto quando muitos casos de incontinência podem ser curados ou controlados.
Nos casos de diagnóstico precoce, tudo será mais fácil. Quando se descobre a causa desenvolve-se um plano de tratamento após inquérito do médico e depois de se terem efectuado os exames necessários. O tratamento apropriado é proporcional à análise minuciosa da patologia e à natureza dos tratamentos que se prescrevem.
Como se trata a incontinência?
Em muitos casos, o tratamento requer somente que se tomem medidas simples que levem à mudança de comportamentos. Existem produtos para incontinentes que permitem diminuir as suas repercussões enquanto aguardam tratamento definitivo. A incontinência por urgência pode ser prevenida urinando frequentemente com intervalos regulares. As terapias comportamentais podem ainda envolver produtos absorventes, cateteres, dispositivos como adesivos descartáveis.
Na mulher, para a resolução de casos de incontinência provocada pelo esforço associada à menopausa, pode contribuir o uso de cremes que contenham estrogénios, associado a exercícios de reabilitação dos músculos pélvicos, os chamados exercícios de Kegel, destinados a fortalecer os músculos que suportam a bexiga e fecham os esfíncteres.
Nos tratamentos com medicamentos, o médico pode prescrever fármacos que controlam os espasmos, terapia hormonal de substituição, antibióticos, etc., de acordo com o tipo de incontinência e a sua origem.
Quando estes tratamentos falham, pode ponderar-se a cirurgia. Esta está indicada em situações como: incontinência urinária de esforço moderada a grave; anomalias anatómicas; casos de aperto uretral que poderão ser resolvidos por uretrotomia (corte induzido na parede da uretra para aumentar o seu diâmetro).
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Fale com o seu farmacêutico
Sendo a incontinência urinária uma patologia altamente incapacitante com graves repercussões de índole higiénica, pessoal e social, à volta da qual há tantos preconceitos e até sentimentos de vergonha, é legítimo que use e abuse do aconselhamento farmacêutico, benificiando da sua proximidade e disponibilidade, para saber mais sobre esta patologia, como a deve prevenir recorrendo a estilos de vida mais saudáveis e a cuidados específicos, quais as soluções de conforto disponíveis e mais adequadas a cada caso, comodeve proceder para tirar melhor partido dos diferentes tratamentos prescritos pelo médico.
O seu farmacêutico recomendar-lhe-á a consulta médica, aconselhamento que deve seguir para que seja diagnosticado o tipo de incontinência urinária que possui e seja sujeito ao tratamento mais adequado à sua situação.
O farmacêutico pode dar um considerável suporte ao nível dos estilos de vida mais saudáveis. É o caso dos cuidados dietéticos e das mudanças comportamentais (deixar de fumar, adoptar um regime alimentar sem comida muito condimentada, tratar a obstipação…). O farmacêutico é um especialista do medicamento cujo aconselhamento pode contribuir para a obtenção do máximo benifício do que foi prescrito pelo médico para tratamento da patologia ou, por outro lado, alertá-lo(a) para certos efeitos de medicamentos que podem agravar o problema o que pode acontecer também com certos preparados que os doentes tomam sem prescrição médica.
É o profissional de saúde diponível para responder a todas as perguntas que lhe ponha sobre as perdas urinárias e aconselhá-lo(a) sobre o que fazer para aumentar o seu conforto e qualidadede vida.
O Dia Mundial da Incontinência Urinária comemora-se em 14 de Março.
Trata-se de uma patologia que atinge pelo menos meio milhão de portugueses. Os seniores são o grupo etário mais atingido, admitindo-se uma prevalência de 90 por cento de incontinentes nos lares de terceira idade e casas de repouso.
A vida das pessoas com incontinência fica limitada, tal a inibição pelo medo da perda involuntária de urina.
O incontinente sente-se diminuído, por preconceito procura esconder o problema ao médico, chegando até a optar pelo uso de fraldas e a transportar mudas de roupa, comprometendo, com este medo injustificado, a sua qualidade de vida pessoal e social.
Há até muitos doentes que pensam que a incontinência urinária é uma consequência inevitável do processo natural de envelhecimento dos órgãos e também por isso não procuram ajuda para tratar a patologia.
Mulheres são as mais atingidas
A continência urinária depende da integridade anatómica e fisiológica. A bexiga normal pode acumular volumes de urina relativamente grandes. O estado de continência urinária depende de um funcionamento harmonioso e eficaz entre a bexiga e um esfíncter (músculo que assegura a oclusão ou abertura).
O esfíncter tem dois componentes: o músculo do colo da bexiga e o músculo do esfíncter externo, situado na saída para a uretra (que transporta a urina para o exterior). Mas a continência também depende dos rins, do sistema nervoso e da capacidade física e psicológica do indivíduo em reconhecer e responder à vontade de urinar. Regra geral, esta capacidade atinge-se cerca dos 2 anos de idade, graças à aprendizagem e treino social.
Há vários factores de risco associados à incontinência. É o caso da imobilidade associada a doenças crónicas, o uso de certos medicamentos, estilos de vida pouco saudáveis (consumo de tabaco e excesso de álcool, baixa ingestão de líquidos, obesidade…), a diabetes, alterações anatómicas como a descida da bexiga, uretra ou recto, infecções urinárias, por exemplo.
A maior frequência da incontinência urinária das mulheres deve-se à especificidade anatómica: nas mulheres a principal causa de incontinência é a falta de suporte muscular no local onde a bexiga se une à uretra, causada por relaxamento muscular resultante da idade e agravado pela menopausa. O parto pode também contribuir para esta incontinência, razão pela qual se aposta hoje muito na prevenção através da realização de treinos musculares.
Em suma, o processo de conter e expelir urina é complexo: os rins produzem constantemente urina que irá fluir para a bexiga através dos ureteres; o colo da bexiga está rodeado pelo esfíncter urinário que fecha o canal que transporta a urina para fora do corpo; as mensagens que saem da bexiga chegam ao cérebro através da espinal medula e aí o indivíduo toma consciência da vontade de urinar.
A incontinência pode, ainda, surgir repentinamente, a causa mais frequente é uma infecção da bexiga, a cistite.
Há múltiplas causas para a incontinência, e daí os diferentes tipos usados na sua classificação.
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Os tipos da incontinência urinária
São fundamentalmente três: de esforço (tossir, espirrar, rir, levantar pesos, fazer exercício físico, por exemplo), que resulta no aumento da pressão abdominal, deixando o esfíncter de ter força suficiente para suster a saída da urina; de urgência, que se traduz pela perda involuntária de urina precedida por uma sensação forte de necessidade de urinar, é este o tipo mais frequente de incontinência nos idosos e está realmente associada ao processo de envelhecimento dos órgãos; mista, uma combinação de incontinência de esforço e de urgência.
Qual a importância do diagnóstico?
Há quem proceda por fatalismo ou resignação, achando que deve conviver com a incontinência urinária sem procurar ajuda dos profissionais de saúde.
São pessoas que desconhecem ou silenciam a sua patologia, que têm vergonha de falar do seu problema com o médico, isto quando muitos casos de incontinência podem ser curados ou controlados.
Nos casos de diagnóstico precoce, tudo será mais fácil. Quando se descobre a causa desenvolve-se um plano de tratamento após inquérito do médico e depois de se terem efectuado os exames necessários. O tratamento apropriado é proporcional à análise minuciosa da patologia e à natureza dos tratamentos que se prescrevem.
Como se trata a incontinência?
Em muitos casos, o tratamento requer somente que se tomem medidas simples que levem à mudança de comportamentos. Existem produtos para incontinentes que permitem diminuir as suas repercussões enquanto aguardam tratamento definitivo. A incontinência por urgência pode ser prevenida urinando frequentemente com intervalos regulares. As terapias comportamentais podem ainda envolver produtos absorventes, cateteres, dispositivos como adesivos descartáveis.
Na mulher, para a resolução de casos de incontinência provocada pelo esforço associada à menopausa, pode contribuir o uso de cremes que contenham estrogénios, associado a exercícios de reabilitação dos músculos pélvicos, os chamados exercícios de Kegel, destinados a fortalecer os músculos que suportam a bexiga e fecham os esfíncteres.
Nos tratamentos com medicamentos, o médico pode prescrever fármacos que controlam os espasmos, terapia hormonal de substituição, antibióticos, etc., de acordo com o tipo de incontinência e a sua origem.
Quando estes tratamentos falham, pode ponderar-se a cirurgia. Esta está indicada em situações como: incontinência urinária de esforço moderada a grave; anomalias anatómicas; casos de aperto uretral que poderão ser resolvidos por uretrotomia (corte induzido na parede da uretra para aumentar o seu diâmetro).
[Continua na página seguinte]
Fale com o seu farmacêutico
Sendo a incontinência urinária uma patologia altamente incapacitante com graves repercussões de índole higiénica, pessoal e social, à volta da qual há tantos preconceitos e até sentimentos de vergonha, é legítimo que use e abuse do aconselhamento farmacêutico, benificiando da sua proximidade e disponibilidade, para saber mais sobre esta patologia, como a deve prevenir recorrendo a estilos de vida mais saudáveis e a cuidados específicos, quais as soluções de conforto disponíveis e mais adequadas a cada caso, comodeve proceder para tirar melhor partido dos diferentes tratamentos prescritos pelo médico.
O seu farmacêutico recomendar-lhe-á a consulta médica, aconselhamento que deve seguir para que seja diagnosticado o tipo de incontinência urinária que possui e seja sujeito ao tratamento mais adequado à sua situação.
O farmacêutico pode dar um considerável suporte ao nível dos estilos de vida mais saudáveis. É o caso dos cuidados dietéticos e das mudanças comportamentais (deixar de fumar, adoptar um regime alimentar sem comida muito condimentada, tratar a obstipação…). O farmacêutico é um especialista do medicamento cujo aconselhamento pode contribuir para a obtenção do máximo benifício do que foi prescrito pelo médico para tratamento da patologia ou, por outro lado, alertá-lo(a) para certos efeitos de medicamentos que podem agravar o problema o que pode acontecer também com certos preparados que os doentes tomam sem prescrição médica.
É o profissional de saúde diponível para responder a todas as perguntas que lhe ponha sobre as perdas urinárias e aconselhá-lo(a) sobre o que fazer para aumentar o seu conforto e qualidadede vida.
O Dia Mundial da Incontinência Urinária comemora-se em 14 de Março.