Picadas de insecto
Nas consultas de viajantes, após o regresso à Europa, as doenças de pele representam, em alguns estudos, a quinta causa mais frequente de ida ao médico. As picadas de insecto e as queimaduras solares são as queixas mais frequentes destes doentes. Os viajantes devem efectuar uma consulta de aconselhamento e eventualmente, vacinas ou profilaxia, antes de se deslocarem a países onde as doenças transmitidas por insectos sejam causa de morbilidade ou mortalidade.
As picadas de artrópodes, conceito que inclui não só os mosquitos mas também as aranhas, ácaros e pulgas, podem causar reacções alérgicas imediatas ou tardias. O exemplo mais óbvio de uma reacção alérgica imediata é a urticária que ocorre após picada de himenópteros (abelhas ou vespas) em doentes com alergia a estes. Esta reacção, se não for controlada pode mesmo ser fatal.
Algumas picadas podem causar reacções mais tardias e prolongadas, das quais a brotoeja é provavelmente a causa mais frequente no nosso país. Esta doença é causada não pela picada do artrópode, mas pelos dejectos destes na pele e ocorre após infestação por ácaros existentes em colchões velhos, cadeiras de vime ou limpeza em sótãos.
Como prevenir
Em Portugal, há ainda a salientar: a febre da carraça, que é causada por uma bactéria transmitidas pelas carraça, com uma picada indolor e maior frequência no Alentejo; a leishmaniose, que é causada por um parasita, transmitida pela picada de uma pequena mosca e cujo reservatório no nosso país é o cão; a borreliose de Lyme, que é também transmitida por carraças é frequente na América do Norte e Europa Central mas menos frequente no nosso país.
A medida mais eficaz de prevenir estas picadas no nosso país é o uso de medidas passivas como o vestuário mais comprido ou evitar a presença junto de cursos de água nos momentos do dia em que ocorre maior actividade dos mosquitos, o pôr do sol ou o nascer deste.
O uso de repelentes poderá estar indicado para actividades ao ar livre em indivíduos com maior reactividade as picadas de insecto, mas é necessário respeitar as regras de aplicação de cada produto, para manter a sua eficácia e evitar a sua potencial toxicidade, especialmente em crianças.
A maioria das picadas de insecto tem resolução espontânea, não necessitando de tratamento. O coçar das lesões deve ser evitado para prevenir infecções e medidas locais, como aplicação de compressas com soro frio melhoram as queixas.
Em indivíduos com reacções mais exuberantes, a aplicação de um creme com corticóides ou toma oral de anti-histamínicos ajuda a controlar estas reacções. No entanto, deve ser evitada a aplicação de cremes com anti-histamínicos, medicamentos de venda livre nas farmácias e usados frequentemente no nosso país, porque podem causar reacções alérgicas.
Para mais informações:
www.cdc.gov
www.ihmt.unl.pt
www.insa.pt
“A medida mais eficaz de prevenir picadas é usar vestuário mais comprido, ou evitar a presença junto de cursos de água nos momentos do dia em que ocorre maior actividade dos mosquitos”

