X
    Categories: InformaçõesObesidadeSaúde Pública

Obesidade e Controlo de Peso

A obesidade é caracterizada por um armazenamento excessivo de gordura sendo prejudicial para a saúde e bem-estar.

Através de que métodos poderemos calcular se um indivíduo é obeso ou não?

Três das formas mais recorrentes de avaliação da gordura corporal na prática clínica são:
• O índice de massa corporal (IMC)
• O perímetro da cintura (PC)
• A relação entre o PC e o perímetro da anca (PA).

O IMC calcula-se através de uma simples divisão, P / A ao quadrado (P = peso em Kg; A = altura em m).

Umas das fragilidades do calculo do IMC é que indivíduos que possuam grande massa muscular podem ser classificados como obesos, quando na realidade não o são. O número dessas pessoas será, no entanto, pequeno. Assim tem-se também em consideração o PC como um método útil de avaliação da gordura abdominal. Esta localização associa-se a um risco acrescido em relação à gordura periférica e funciona como um factor de risco independentemente quando o IMC é inferior a 35.

A relação entre PC e PA é um indicador da distribuição da gordura corporal. Por exemplo, quando a medida da cintura iguala ou excede a medida da anca o risco de doença cardiovascular aumenta significativamente.

A obesidade é referida como uma das principais componentes da “nova síndrome mundial”, sendo hoje reconhecida pela organização mundial de saúde (OMS) como uma doença crónica que requer um plano estratégico adequado de prevenção e tratamento.

Em Portugal a obesidade e o excesso de peso atingem mais de metade da população. Esperando-se ainda, um agravar desta situação, visto que a percentagem de obesidade infantil tem aumentado significativamente nos últimos anos.

De acordo com a OMS o conceito de prevenção da obesidade e controlo de peso deve incluir uma série de estratégias visando prevenir:

» O desenvolvimento de excesso de peso nos indivíduos com peso normal;

» A progressão de excesso de peso para obesidade;

» O ganho de peso nos indivíduos com excesso de peso ou obesidade no passado.

Em linhas gerais, podemos dizer que prevenir a obesidade implica duas grandes mudanças: melhorar os hábitos alimentares e aumentar a actividade física. A prevenção da obesidade deve começar cedo, provavelmente no período perinatal. Durante a infância e mais tarde na adolescência são adquiridos determinados hábitos e comportamentos, que juntamente com as alterações fisiológicas inerentes à idade, podem facilitar o desenvolvimento do excesso de gordura corporal.

É importante prevenir precocemente esta situação, dado que a obesidade na criança e jovem é um factor que favorece a obesidade na idade adulta, sobretudo se existir antecedentes familiares com obesidade.

Existem outros factores que podem provocar o aumento de peso, tais como: toma de determinados fármacos (anti depressivos, triciclicos, neurolepticos, corticoides, alguns contraceptivos orais, etc), a interrupção da prática de exercício físico, factores genéticos, factores culturais, etc.

No entanto, nenhum dos factores acima referidos pode ser utilizado como desculpa para o estado de obesidade. Existe a necessidade de fazer a prevenção do estado de obesidade neste tipo de situações, mas nunca o utilizar como uma desculpa para si própria.

A atitude de mudança tem que vir de dentro de si. A força de vontade é a melhor aliada para a alteração dos hábitos alimentares e a pratica de actividade física. Sentir-se bem consigo própria é uma prioridade.

Muitas são as patologias que se associam ao estado de obesidade, no entanto, não quer dizer que uma pessoa não obesa não possa ter as mesmas patologias, mas à medida que o peso aumenta, aumenta a incidência de doenças como:

» Doenças cardiovasculares

» Diabetes mellitus

» Hipertensão arterial

» Problemas respiratórios

» Artrite

» Gota

» Alguns cancros

» Hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia (não estão directamente relacionados)

» Etc.

De seguida são sugeridas algumas regras onde a modificação comportamental passa pela alteração dos hábitos alimentares e pela prática do exercício físico.

Regras básicas:

» Optar por uma alimentação saudável e equilibrada restringindo o consumo de gorduras e de açúcares de absorção rápida e promover o consumo de frutas e vegetais e controlar a ingestão de proteínas;

» Praticar exercício físico;

» Evitar bebidas alcoólicas.

Em suma, a redução calórica não deve exceder os 500 a 1000 Kcal/dia e as quilocalorias totais diárias não devem ser menores que 800.

As pessoas que sofrem de obesidade têm que estar um longo período sob restrição calórica, logo o plano alimentar tem que ser aceitável pelo paciente. Deve ajustar-se aos seus gostos e hábitos e ser o suficientemente flexível para possibilitar a alimentação dentro e fora de casa.

Vejamos um caso prático:

Caso prático

Glossário

Kcal: quantidade de energia fornecida pelos alimentos sob forma de HC, gordura e proteína principalmente.

HC: açúcar, pão, massa, leguminosas, fruta

Gordura: produtos de origem animal, azeite, canola e óleo de milho

Proteína: carne, peixe, ovos, lacticínios e em alguns vegetais e cereais.

Dá que pensar

• 6 em cada 10 portugueses são obesos;

• A Direcção Geral da Saúde estima que, se nada se fizer para prevenir a obesidade, cerca de 50% dos portugueses poderão ser obesos em 2025;

• Na Europa, as doenças relacionadas com a obesidade provocam a morte de 320 mil pessoas por ano.

Escrito por: Dra. Magda Roma – nutricionista no Instituto do Corpo

Instituto do Corpo

www.institutodocorpo.pt

admin: