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Nutracêuticos e desporto: Ingerir glicosamina para prevenir lesões desportivas

Apesar de não existir investigação que sugira que a glicosamina previne as lesões desportivas, são inegáveis os efeitos benéficos que possui na manutenção da integridade da cartilagem, particularmente nos mais idosos, cuja estrutura tem menor quantidade de água, ficando assim mais susceptível ao stress e à degeneração.

A maioria das evidências científicas preliminares atribui à glicosamina um papel favorável na prevenção e no tratamento de patologias osteoarticulares como a osteoartrose.

Embora não exista um enquadramento legal para estes produtos, os nutracêuticos podem ser definidos como substâncias nutricionais com efeitos benéficos, quer de índole fisiológica, quer na prevenção e tratamento de doenças. A glicosamina é dos nutracêuticos que mais têm sido sujeitos a investigação, com mais de 20 ensaios clínicos aleatorizados envolvendo mais de 2500 pacientes.

A glicosamina é formada pela combinação de glicose, um monossacarídeo, e de glutamina, um aminoácido. É uma substância naturalmente encontrada no organismo, quer como constituinte do ácido hialurónico, quer em cartilagens, onde tem um papel importante na sua resiliência.

Muitos investigadores acreditam que as cartilagens estão constantemente a reconstruir-se/remodelar-se; assim que uma cartilagem velha ou danificada degenera é substituída por uma nova e saudável. A glicosamina é, essencialmente, necessária à produção de glicosaminoglicanos (GAG), que são proteínas que captam água na cartilagem e formam a matriz tecidular que liga o colagénio.

Juntos, o colagénio e os GAG reconstroem continuamente a cartilagem. A taxa de produção de glicosamina a partir da glicose e da glutamina é um passo limitativo na produção de GAG e daí a potencial pertinência da sua suplementação.

 

Degeneração progressiva da cartilagem

Alguns factores como a idade, a sobrecarga ponderal e lesões repetidas contribuem para a degeneração progressiva da cartilagem. Aliás, estima-se que mais de 1/3 das pessoas com idade superior a 45 anos possuam sintomatologia relacionada com a osteoartrose, como dores, rigidez e diminuição da capacidade funcional da articulação afectada. Esta situação pode ser explicada pelo facto de existir uma diminuição da actividade mitótica e da síntese de condrócitos (único tipo celular presente na cartilagem madura com responsabilidade pela reparação do tecido lesado) com o decorrer dos anos.

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Quer os processos inflamatórios registados em quadros clínicos de osteoatrose, quer o stress oxidativo que deles podem resultar, levam a um desequilíbrio na homeostase das articulações sinuviais e posterior aumento da vulnerabilidade e apoptose de condrócitos.

Foi demonstrado em culturas de condrócitos humanos que o sulfato de glicosamina possui propriedades condroprotectoras, ao inibir a acção da Fosfolípase A2 e diminuindo, subsequentemente, a produção de prostaglandinas e leucotrienos envolvidos em processos inflamatórios.

A glicosamina foi também responsável por uma diminuição da síntese de Óxido Nítrico e Prostaglandina E2 (dois mediadores inflamatórios) em culturas de condrócitos animais.

 

Benefícios da glicosamina

Para além da supressão da resposta inflamatória, existem evidências de que o sulfato de glicosamina é capaz de diminuir a oxidação do ADN, ao sequestrar espécies reactivas de oxigénio (radicais hidroxilo e superóxido) e aumentar os níveis de glutationa, um antioxidante naturalmente encontrado no organismo.

Este efeito possui, ainda, maior relevância, uma vez que se provou que o tratamento de condrócitos com espécies reactivas de oxigénio diminuía o comprimento dos seus telómeros, a sua capacidade replicativa e a produção de GAG. Embora quase todos estes efeitos se tenham verificado in vitro, eles são coerentes com estudos em modelos de experimentação animal, onde se demonstrou que a suplementação oral de glicosamina aumenta a síntese da matriz cartilaginosa articular, agindo como percursora da unidade dissacarídica dos GAG, ajudando a manter o equilíbrio entre os processos catabólicos e anabólicos na cartilagem.

 

Efeitos laterais e posologia

Alguns estudos em animais demonstraram uma alteração do controle glicémico, após administração de glicosamina. No entanto, em humanos não existe evidência que este nutracêutico aumente os níveis de glicemia ou de hemoglobina glicosilada em pacientes diabéticos. Do mesmo modo, pensava-se que, pelo facto da glicosamina ser derivada do exoesqueleto de mariscos, esta poderia causar reacções adversas a pessoas alérgicas a estes alimentos.

Todavia, a maioria destas alergias é causada pelos antigénios da carne dos mariscos e nãoda sua casca ou concha, não existindo relatos de reacções alérgicas neste sub-grupo de indivíduos.

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A glicosamina, particularmente na forma de sulfato de glicosamina, tem propriedades anti-inflamatórias, que de algum modo, exercem um efeito protector no que à saúde da cartilagem diz respeito.

Não são descritas interacções significativas com nutrientes. Alguns efeitos laterais da sua utilização podem resultar em indisposições gástricas, dores de cabeça, sonolência e cãibras. Embora não exista uma posologia recomendada, a generalidade dos estudos utiliza 1500mg de glicosamina/dia. A Dietary Supplement Information Bureau sugere que esta toma deverá ser repartida por 500mg, 3 vezes ao dia e às refeições.

 

Pedro Carvalho |Nutricionista estagiário da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da UP

Vítor Hugo Teixeira |Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da UP

 

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