Muitas Depressões são, na verdade, casos de Bipolaridade
O Simposium conta ainda com uma Exposição Individual de Fotografia do fotógrafo André Fonte dedicado ao Tema “Anatomia da Morte”.
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O VII Simposium sobre Perturbações Afectivas – “Depressão – Perspectivas Futuras” tem como o objectivo focar-se sobre o flagelo da Depressão sobre diversas perspectivas, promovendo a discussão com o contributo de diversos especialistas, sob a direcção do Dr. Bessa Peixoto. De acordo com o Ministério da Saúde, a Depressão é uma condição médica definida que afecta 20 por cento da população portuguesa e a principal causa de incapacidade, com custos pessoais e sociais muito elevados. A enfermidade afecta 5% da população mundial, podendo afectar 10% a 25% desta em algum momento de sua vida.
Uma das principais temáticas do simpósio será a pouco conhecida relação entre a Depressão e a Bipolaridade. Dados de um estudo do psiquiatra norte-americano Hagop Akiskal, director do International Mood Center, do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Califórnia, em San Diego (EUA), indicam que muitos tipos de depressão são, na verdade, transtornos bipolares que chegam a afectar de 6% a 8% da população mundial.
Uma das metas do VII Simposium é alertar a comunidade médica para a necessidade de estar atenta ao diagnóstico primário e perceber a evolução do tratamento, dado que a doentes que são prescritos medicamentos anti-depressivos deveriam na realidade estar a ser tratados com anti-psicóticos. Esta é, no entanto, uma problemática para a qual alguns psiquiatras já estão alerta, embora ainda não existam estudos concretos que fundamentem esta preocupação.
Segundo o psiquiatra norte-americano Hagop Akiskal, “a psiquiatria, como qualquer especialidade médica, deve partir de um diagnóstico correcto para ter sucesso no tratamento. Nestes casos, os anti-depressivos não só não são eficazes como acabam por prejudicar o tratamento do doente, acelerando o ciclo de episódios de depressão e impossibilitando, muitas vezes, que se salvem vidas”. Estudos do mesmo psiquiatra verificam que o perigo do suicídio é realmente alto entre as pessoas deprimidas por transtornos bipolares.
Suicídio: estudar e prevenir um tema controverso
Outro dos temas que irá estar em destaque no VII Simpósio é o Suicido. De acordo com dados da Organização Social de Saúde (OMS), calcula-se que em 2008 se tenham suicidado cerca de 3.000 pessoas todos os dias, uma a cada trinta segundos, constituindo um problema social que atinge actualmente “índices extremamente elevados”. Os dados da OMS indicam que a percentagem de suicídios no mundo nos últimos 50 anos aumentou em 60% – sobretudo nos países em desenvolvimento – e que o suicídio constitui actualmente “a terceira causa de mortalidade na faixa etária dos 15 aos 34 anos”.
Em Portugal a taxa é de 8,6 suicídios por cada cem mil habitantes, um pouco acima da média dos países mediterrâneos. Mas, ao contrário do resto da Europa, os números vão aumentando do Norte para o Sul do país. Os motivos para este cenário são alvo de controvérsia dentro da comunidade médica. Entre outros factores, pode-se incluir a (supostamente) maior religiosidade no Norte, causador de menor tendência para o suicídio, e a desertificação do Sul – com especial destaque para o Alentejo – como causas prováveis. É neste cenário que o tema irá ser discutido, alertando a comunidade médica para a importância de percepção de sintomas que podem levar o paciente a cometer suicídio.

