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Milhares de europeus morrem devido ao tabaco

30 Janeiro, 2006 0

Durante os últimos 25 anos, foram publicados mais de 50 estudos sobre a relação entre fumo passivo e o risco de contrair cancro no pulmão em não fumadores. Estes estudos mostram que existe uma correlação positiva entre o risco de pessoas não fumadoras, cônjuges de fumadores, virem a contrair cancro do pulmão e a exposição ao fumo passivo. As mulheres sujeitas ao fumo passivo provocado pelos seus maridos têm um risco acrescido em 20% de virem a contrair cancro do pulmão, enquanto que esse risco aumenta para 30% para os homens nas mesmas condições.

Os indivíduos não fumadores expostos ao fumo no local de trabalho têm um risco acrescido em 16 a 19% de virem a contrair cancro no pulmão.

Além disso, de acordo com os dados epistemológicos da AIPC, existe uma relação causa/efeito entre a exposição ao fumo passivo e a doença coronária. Foi estimado que o fumo passivo aumenta entre 25 a 35% o risco de um não fumador ter um enfarte do miocárdio.

Os filhos de pais fumadores têm grande probabilidade de vir a sofrer vários problemas de saúde. As crianças expostas ao fumo passivo sofrem, frequentemente, de tosse, catarro, respiração ruidosa e infecções respiratórias (bronquite, pneumonia e asma infantil). Diversos estudos comprovam que a frequência e gravidade dos sintomas de asma infantil aumentam quando as crianças doentes estão sujeitas ao fumo passivo, e diminuem quando deixam de estar submetidas a estes ambientes.

Dados científicos comprovam que existe uma relação causa/efeito entre a exposição ao fumo passivo e o enfisema pulmonar, quer em crianças, quer na população adulta.

Diagnóstico: cancro na garganta

Natália tem o rosto vincado pela doçura das avós. O seu olhar de 75 anos é banhado por uma ternura sem limites. Sorri à minha chegada. Vinha da visita que faz regularmente ao marido, que se encontra internado no Instituto Português de Oncologia. Natália não tem voz. As palavras castigam o ar que lhe sai, a muito custo, da garganta. A rouquidão encostou-se à sua vida para a não deixar mais. Respira com dificuldade.

Nunca fumou na vida. O marido nunca fumou. A filha nunca fumou. Há uns anos, no entanto, foi-lhe diagnosticado cancro na garganta. Hoje, laringectomizada, recorda a revolta que sentiu quando a informaram da doença. Viveu profissionalmente rodeada de pessoas que fumavam. Não sabe o quê, mas tem a certeza de que algo tem de ser feito para a sua história não se repetir.

Despedimo-nos. Apesar da crueldade do destino, o sorriso da alma é bem visível enquanto se afasta, a caminho da sua vida.

Sintomas de fumo passivo

– Irritação dos olhos, nariz e vias respiratórias;

– Redução da função pulmonar;

– Dores de cabeça;

– Tonturas e náuseas;

– Fadiga;

– Perda de concentração;

– Diminuição do olfacto e do paladar;

– Grávidas expostas a fumo passivo correm o risco de terem bebés de baixo peso;

– Pode causar doença do ouvido médio (otite serosa), que é a causa mais comum de surdez nas crianças;

– Frequência da síndrome de morte súbita aumenta nos bebés/crianças expostos ao fumo do tabaco.

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