A Associação de Laserterapia e Tecnologias Afins (ALTEC) foi recentemente criada com o objectivo de dar a conhecer os avanços científicos e tecnológicos na área da laserterapia.
A “Saúde em Revista” entrevistou o Presidente, António Lúcio Baptista, especialista de cirurgia cardiovascular, sobre a importância da regulação deste sector e sobre o panorama da saúde em Portugal.
Nos últimos anos, a utilização do laser no tratamento de diversas doenças tem ganho muitos adeptos em Portugal. Com o objectivo de informar os profissionais de saúde e os utentes sobre as inovações tecnológicas nesta área da medicina, foi criada em 2008 a Associação de Laserterapia e Tecnologias Afins (ALTEC), que pretende auxiliar na aplicação das normas de segurança no uso do laser e na avaliação da regulamentação internacional.
“A ALTEC surgiu da necessidade de uma maior regulação do sector da Laserterapia, uma vez que sendo o laser uma tecnologia de ponta e em evolução permanente, há uma necessidade continuada de aperfeiçoar e de ter informação actualizada”, explica António Lúcio Baptista, Presidente da ALTEC.
A associação, de cariz ibérico e sem fins lucrativos, é composta por um Conselho Directivo, constituído por profissionais médicos e não médicos de Portugal e Espanha. “São médicos, engenheiros, juristas e farmacêuticos com formação e experiência na área do laser médico”, explica o especialista.
E acrescenta: “Paralelamente, contamos com um Conselho Científico, constituído por profissionais médicos e engenheiros doutorados, que vão formar o Business Advisory Board, uma área de consultoria científica e de negócios. No futuro, um dos objectivos da ALTEC passa por estabelecer parcerias com algumas universidades, de forma a desenvolver projectos com interesse económico na Península Ibérica”.
Para o médico, o laser é um equipamento com resultados muito favoráveis na medicina, mas é preciso ser aplicado com máxima segurança quer para os técnicos, quer para os utentes. Segundo o programa TopVarizes, um projecto desenvolvido por António Lúcio Baptista e que sistematiza as técnicas disponíveis para o tratamento de varizes, “em 6 mil tratamentos de laserterapia, os utentes apresentaram um grau de satisfação de 91% e uma taxa de pequenas complicações de 2/1000”.
É por isso fundamental a regulação do sector. “Para o biénio 2008 e 2009, a ALTEC pretende desenvolver um «código de boas práticas» para que o sector possa proporcionar os melhores cuidados a todos os players do mercado: prestadores, empresas, utilizadores e principalmente, os utentes”, conclui.
No âmbito destas iniciativas, foram apresentadas 10 medidas para a reforma da saúde em Portugal e só agora, passados mais de 15 anos, algumas começam a ser implementadas. Outras propostas continuam por implementar, mas devido à sua actualidade, continuam a ser válidas no panorama da saúde português.
“Considero que continua a ser absolutamente fundamental a organização do parque de urgências nacional com uma grelha de urgências organizada por prioridades (A, B e C) que cubra todo o território nacional. Deste modo, todos os utentes poderão ter uma distância mínima do serviço de urgência eficaz”, refere António Lúcio Baptista. Isto é possível através de um serviço de urgência pré-hospitalar de âmbito nacional que seja capaz de cobrir as necessidades sem falhas.
Outra medida apresentada e que, continua a ter todo o sentido, passa pela criação de dois centros de excelência em Portugal. “Neste momento, temos alguns hospitais com bons serviços e com boas unidades, mas defendo que um deveria ficar no Norte e o outro mais a Sul do país”.
Segundo o médico, é igualmente importante que haja uma maior liberalização do sector, um equilíbrio entre a iniciativa pública e a privada na área da prestação de cuidados de saúde, assente em critérios de qualidade e não favorecendo a discriminação social. A este respeito, António Lúcio Baptista faz questão de sublinhar que “o sector público continua a ser monopolista em termos de prestação.
O Estado deveria deixar a iniciativa privada criar unidades articuladas e o doente deveria poder escolher onde quer ser tratado, continuando o Estado a assumir-se como o financiador e regulador do sistema”.
Relativamente ao novo “papel” do Estado, o Presidente da ALTEC afirma que:”não é bom que o Estado pretenda coordenar todas as vertentes desta área, asfixiando a iniciativa privada, devendo abandonar definitivamente o modelo inglês que tem problemas de gestão graves e onerosos”.
A saúde vivida em Portugal
Na perspectiva de António Lúcio Baptista, os anos 90 marcaram profundamente o rumo da saúde em Portugal.
“Nesta década, foram desenvolvidas várias iniciativas na área da saúde. Entre elas destaco as acções realizadas em parceria com a Exponor, em Matosinhos, e que resultaram na concretização da NORMÉDIC- Feira da Saúde e do Fórum Europeu de Saúde”, explica.
Dr. António Lúcio Baptista,
Presidente Associação de Laserterapia e Tecnologias Afins (ALTEC),
Director da Clínica de Veias
Saúde em Revista