O boletim de vacinas fica esquecido numa gaveta mal acaba a vacinação própria da infância. Mas não devia, porque há uma vacina que é para levar de dez em dez anos, por toda a vida – é a que protege contra o tétano e a difteria.
É logo após o nascimento que se recebe a primeira vacina – a BCG, que confere imunização contra a tuberculose, e a que se juntou recentemente a primeira dose da VHB, contra a hepatite B. A partir daí e até aos 10-13 anos, a vacinação faz parte da rotina, de acordo com um calendário previsto no Programa Nacional de Vacinação (PN V). Só uma deve continuar a ser administrada ao longo da vida – a cada dez anos há que renovar a protecção contra o tétano e a difteria.
A estas vacinas, “obrigatórias”, juntam-se outras, não incluídas no PN V, como as que conferem protecção contra a gripe e as chamadas doenças tropicais. Algumas delas podem já ser administradas nas farmácias, com toda a conveniência e comodidade (ver caixa) e com a qualidade de sempre da intervenção farmacêutica.
Mas porquê vacinar? A vacinação é a principal arma contra doenças que, em tempos idos, dizimavam populações inteiras. Salva mais vidas do que medicamentos e outros tratamentos médicos, na medida em que actua preventivamente, evitando a infecção ou diminuindo a sua gravidade.
As vacinas são medicamentos muito particulares, pois são produzidos a partir dos agentes infecciosos, previamente enfraquecidos ou inactivados, os mesmos que causam as doenças que elas se propõem prevenir. O sistema de defesas do organismo reage, produzindo anticorpos destinados a eliminar o agente infeccioso em causa – é a imunidade. Esta protecção pode durar meses, anos ou toda a vida e, se a pessoa voltar a estar em contacto com a bactéria ou o vírus, os anticorpos proliferam rapidamente, impedindo a doença de se desenvolver ou reduzindo a sua gravidade. É uma espécie de memória, cuja eficácia difere de pessoa para pessoa.
E a protecção oferecida pelas vacinas não é apenas individual, tendo benefícios para toda a comunidade.
Com a generalização da vacinação, interrompe-se a cadeia de transmissão da doença de uma forma bastante eficiente.
É esse o objectivo do Programa Nacional de Vacinação. Cada país tem o seu, com o português a proporcionar a vacinação universal e gratuita contra um vasto conjunto de doenças infecciosas. A última inclusão data de 2008 e diz respeito à vacina contra infecções por Papilomavírus Humano (HPV), responsáveis, nomeadamente, pelo cancro do colo do útero.
Nunca é tarde para vacinar
As vacinas são seguras, mas, como qualquer outro medicamento, podem causar reacções adversas, normalmente de curta duração.
As mais frequentes ocorrem no local de injecção e incluem inchaço, dor e vermelhidão. Também pode ocorrer febre e mal-estar geral. Qualquer reacção inesperada, mais intensa ou mais prolongada deve suscitar a procura de um profissional de saúde.
É a segurança da vacinação que explica que as primeiras imunizações aconteçam logo após o nascimento, num momento de grande fragilidade.
E a verdade é que, se o calendário for cumprido, aos seis meses já as crianças estão protegidas contra sete doenças da infância e aos 15 meses contra dez.
O ideal é que seja seguido o calendário, mas nunca é tarde para iniciar a vacinação. Existem esquemas alternativos.
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Na generalidade qualquer pessoa pode vacinar-se mas há situações que exigem precauções e, em certos casos, podem até existir contra-indicações em relação a certas vacinas. Antes de fazer qualquer vacina deve consultar o seu médico assistente, sobretudo em caso de doença grave, gravidez, tratamento com corticosteróides e/ou tratamento com radiações.
E há vacinas que não constam do PN V mas que podem ser muito importantes: é o caso da vacina contra a gripe, frequentemente recomendada a pessoas que integram grupos da população mais vulneráveis, como os idosos ou indivíduos com doenças crónicas. Há ainda outras indispensáveis para prevenir riscos quando se viaja para os chamados destinos tropicais, onde as deficientes condições de saneamento básico contribuem para que determinadas doenças, como a malária e a febre amarela, sejam endémicas.
Um longo caminho se percorreu desde que em 1796 foi administrada a primeira vacina. Uma criança de oito anos foi inoculada com material retirado da vesícula de uma doente com varíola. Algumas semanas depois, a criança foi colocada em contacto com o vírus da varíola e não contraiu a doença – estava descoberta a vacina e o seu autor foi Edward Jenner. O mesmo método passou, mais tarde, a utilizar o vírus vaccinia (do mesmo grupo do vírus da varíola), dando origem ao nome que ainda hoje é utilizado – vacina.
Protecção universal
A 9 de Junho, assinala-se o Dia Mundial da Vacinação. Uma oportunidade para lembrar qual o actual esquema de vacinação do PN V:
• N ascimento – BCG (tuberculose) e 1ª dose da VHB (hepatite B);
• 2 meses – 1ª dose da VIP (poliomielite), da DTPa (difteria, tétano e tosse convulsa) e da Hib (doenças causadas pelo haemophilus influenzae tipo b) e 2ª dose da VHB;
• 3 meses – 1ª dose da MenC (meningites e septicemias causadas pela bactéria meningococo);
• 4 meses – 2ª dose da VIP, da DTPa e da Hib;
• 5 meses – 2ª dose da MenC;
• 6 meses – 3ª dose da VIP, da HTPa, da Hib e da VHB;
• 15 meses – 1ª dose da VASPR (sarampo, paratidite e rubéola) e 3ª dose da MenC;
• 18 meses – 4ª dose da DTPa e da Hib;
• 5-6 anos – 4ª dose da VIP, 5ª dose da DTPa e 2ª dose da VASPR;
• 10-13 – Td (tétano e difteria); 1ª, 2ª e 3ª doses da VHB para os nascidos antes de 1999 e não vacinados;
1ª, 2ª e 3ª doses da HPV (até 2011 está ainda prevista a vacinação das raparigas de 17 anos, iniciando-se em 2009 com as raparigas nascidas em 1992. As jovens que não se vacinem no ano recomendado para si podem, ainda, iniciar o esquema até ao final dos 18 anos de idade, inclusive);
• de 10 em 10 anos, por toda a vida – Td.
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Vacine-se na sua farmácia
As farmácias já têm disponível um serviço de vacinação que poderá utilizar sempre que necessitar. Inclui a administração de vacinas fora do Plano Nacional de Vacinação, mediante apresentação obrigatória de receita médica.
Alguns exemplos de vacinas que já pode levar na sua farmácia:
• Vacina contra a Gripe;
• Vacinas Pneumocócicas;
• Vacina contra infecções por Papilomavírus Humano – HPV (cancro do colo do útero).
Este serviço é prestado por profissionais devidamente habilitados e apresenta várias vantagens. Comprar a vacina e, de seguida, poder contar com a sua administração na farmácia representa mais conforto e conveniência para si.
Também é uma garantia de que a temperatura ideal de conservação da vacina se mantém estável, desde o momento da sua compra até à administração.
FARMÁCIA SAÚDE – ANF
www.anf.pt