Estudo sobre Imagem da Medicina Interna: Utentes fazem avaliação positiva do trabalho dos Internistas
O trabalho desenvolvido pelos especialistas em Medicina Interna é percebido pelos utentes de serviços hospitalares como sendo muito importante para o bom funcionamento do sistema e para uma prestação de cuidados de Saúde com qualidade.
Esta é uma das principais conclusões de um estudo sobre “A Imagem da Medicina Interna junto de Utentes dos Hospitais”, realizado pela APEME – Área de Planeamento e Estudos de Mercado, para a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI).
Um dos aspectos mais valorizados pela quase totalidade dos inquiridos, principalmente pelas mulheres e pelos mais velhos, é o facto de existirem médicos (os Internistas) que conseguem avaliar o doente de uma forma mais generalista, como um todo, e não apenas por órgão ou patologia.
Este é um princípio defendido principalmente para os mais idosos, tendo 87% concordado que, por terem mais doenças associadas, é preciso serem assistidos por um médico capaz de os observar de forma mais abrangente. Um igual número de inquiridos (87%) concordou que os especialistas só devem ser chamados depois de o Internista ter feito o diagnóstico.
Este estudo revela também a necessidade de existir uma maior integração entre os Hospitais e os Cuidados Primários, por um lado, e os Cuidados Continuados, por outro.
Para a esmagadora maioria dos inquiridos (95%), devia haver uma ligação directa entre o Médico de Clínica Geral dos Centros de Saúde e o Médico Internista do hospital, e 82% entende que depois de terem alta, os doentes que necessitem de cuidados continuados devem continuar a ser seguidos por um especialista em Medicina Interna.
No que diz respeito à capacidade de os Internistas terem uma visão integrada do doente e dos recursos a utilizar no seu tratamento, 80% concorda que se trata de uma vantagem, que traz ganhos económicos para o sistema de Saúde.
Para 74%, cerca de três quartos da amostra, é importante que seja desenvolvida a ideia de os Internistas, mesmo quando trabalhem nos Hospitais, se deslocarem aos Centros de Saúde, para ajudar os Clínicos Gerais no diagnóstico dos casos mais difíceis.
Quanto aos novos Hospitais e Clínicas que estão a surgir, um pouco por todo o País, 59% dos inquiridos considera que devem dar um lugar de destaque aos Internistas.
O papel dos especialistas de Medicina Interna tende a ser mais valorizado pelo grupo dos maiores de 55 anos, que são quem mais recorre à especialidade. As pessoas que já estiveram internadas num hospital, são as que referem, de forma mais expressiva, já terem sido tratadas por Internistas, sendo também as que mais referem saber o que é esta especialidade (56%).
Comparativamente a outras especialidades consideradas neste estudo (Gastrenterologia, Cardiologia, Pneumologia, Reumatologia, e Nefrologia), a Medicina Interna é conhecida por 51% dos inquiridos, que sabem o que é, e já foram tratados por Internistas, o que representa o valor mais alto das seis especialidades.
No que diz respeito às percepções acerca da Medicina Interna, 31% entende que é uma espécie de Clínica Geral, mas praticada no Hospital, e 22% considera que é uma especialidade que trata de todos os diagnósticos. Juntas, estas duas vertentes ultrapassam os 50%.
No entanto, conclui-se que o segmento dos utentes que já estiveram internados é o que tem uma visão mais nítida do trabalho da Medicina Interna. No item dos que consideram que o Internista é o primeiro médico a ver os doentes, a fazer a triagem e a reencaminhá-los, é significativa a diferença de percepção relativamente aos utentes que nunca foram hospitalizados (de 8% para 3%).
Ficha Técnica
A recolha de respostas para este estudo foi realizada entre os dias 2 e 5 de Maio de 2006, recorrendo a 250 entrevistas telefónicas feitas a indivíduos de ambos os sexos (44% masculino e 56% feminino), com idades compreendidas entre os 37 e os 68 anos, residentes em lares com telefone fixo, na Região de Lisboa, com experiência de contacto com hospitais (através de internamento ou consulta externa).
Sobre a SPMI
A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna é uma das maiores sociedades médicas portuguesas, com cerca de 1500 membros. Foi fundada em 1951 e desde então tem vindo a promover o desenvolvimento da Medicina Interna, nomeadamente através do estudo e da investigação de problemas científicos.
Cada vez mais a importância da Medicina Interna e dos Internistas tem vindo a ser reconhecida, em grande medida pela acção da SPMI, que se tem preocupado em explicar que esta especialidade tem um papel quase insubstituível, por encarar a abordagem ao doente como um todo, e pelo facto de os Internistas estarem particularmente habilitados a gerir a polimorbilidade que caracteriza a maior parte dos pacientes.
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