Especialistas na área da Dor reúnem na Ilha do Faial – Açores
É a convergência de metodologias diferentes, perspectivas e conceitos diferenciados, formações diversas, orientadas e fortemente motivadas para um único objectivo – a melhoria do doente –, que permite à equipa multidisciplinar uma visão biopsicosocial, obviando tempo e recursos no tratamento e recuperação destes doentes, permitindo e objectivando a sua plena integração no seu meio social, familiar e laboral.
Nas regiões insulares, particularmente na Região Autónoma dos Açores, é notória a falta de médicos de Medicina Geral e Familiar em algumas ilhas, o que conduz a um menor acompanhamento dos utentes. Assim, o tema Os Cuidados de saúde primários e a dor irá dar uma perspectiva sobre a necessidade de aumentar os recursos humanos e melhorar a articulação entre os cuidados primários de saúde e os profissionais que prestam cuidados nas unidades de dor. Deste modo, o aumento das consultas aos utentes é visto como um aspecto de extrema importância para diminuir a afluência sistemática aos serviços de urgência dos hospitais. Além do aumento dos recursos humanos, em alguns pontos do país, será necessário sensibilizar os médicos de Medicina Geral e Familiar para a Dor, nomeadamente para “o mito dos opiáceos” que ainda existe por parte dos médicos da Medicina Geral e Familiar.
Neste âmbito, é introduzido outro tema na sétima edição do Fórum de Dor das Ilhas Atlânticas: Tratamento da dor não oncológica. Sobre este aspecto, a Dr.ª Conceição Nascimento comenta “é necessário, por um lado, fazer mais acções de formação explicando que os opióides não se usam, só na dor oncológica, mas também na dor crónica não oncológica, e por outro desmistificar no sentido que esses fármacos não são “droga” e que não causam adição”.
Tendo em consideração que a dor crónica atinge um em cada cinco adultos na Europa e destes, cerca de 2/3 referem dor de intensidade moderada ou severa, o Dr. Duarte Correia considera que existe a necessidade de “adequar a terapêutica analgésica à intensidade da dor, prescrevendo de uma forma racional e adequada, optimizando todos os recursos disponíveis, conduz inevitavelmente a um conjunto de terapêuticas em que os opióides estão implícita e necessariamente incluídos”.
Contudo, o recurso a estes fármacos ainda constitui um desafio actual, quer pelos os mitos e os fantasmas da prescrição terapêutica com opioídes “major”, quer pelo elevado custo de algumas fórmulas terapêuticas, ou da eventual necessidade de material oneroso, adequado, para determinadas vias de administração. Assim, “estes são aspectos que dificultam, e por vezes impossibilitam o recurso a determinadas soluções que optimizariam a prestação de cuidados que todos desejamos”, conclui o mesmo especialista.
Mais uma vez, o Fórum de Dor das Ilhas Atlânticas conta com a participação de prestigiados oradores e clínicos no tratamento da dor. Pela mais valia científica que representam, destaca-se a participação do Professor Doutor Castro Lopes, presidente da APED; do Prof. Jorge Tavares; do Prof. Thomas Toelle; do Dr. José Caseiro; do Dr. Rui Sobral Campos; da Drª. Teresa Flor de Lima; do Dr. Duarte Correia; do Dr. Francisco Robaina; do Dr. Miguel Caramês; do Prof. Albino Teixeira; da Drª. Maria Filomena Lopes e do Dr. Torres Morera.
Com a realização do VII Fórum de Dor das Ilhas Atlânticas pretende-se, mais uma vez, sensibilizar profissionais de saúde e sociedade civil para uma questão tão complexa como a dor. Sobre este aspecto, o Dr. Duarte Correia afirma que “aferir a sensibilização de uma Sociedade numa questão tão complexa como a dor, de uma forma objectiva e desapaixonada pelos seus profissionais, será manifestamente difícil ou impossível, pela parcialidade com que analisarão, pelo entusiasmo que o efectuarão, pelas necessidades e vivências sentidas e perspectivadas por quem de perto conhece a realidade, vive e sente as dificuldades de uma forma diária quase permanente” e acrescenta “é necessário uma sensibilização constante e permanente de todos, para que seja possível uma maior consciencialização que a dor, crónica ou aguda pode e deve ser tratada e que o tratamento da dor é um dever dos profissionais e um direito inalienável dos doentes”.
Sobre o Fórum de Dor das Ilhas do Atlântico
Desde a sua constituição, em 2000, o Fórum tem promovido e realizado os esforços necessários para assumir um papel interveniente na unificação de programas educacionais na área do diagnóstico e tratamento da dor, na racionalização e normalização de métodos, e na divulgação de novas técnicas e formas de tratamento, de acordo com a evolução científica e tecnológica.
De acordo com as normas da Internacional Association for the Study of Pain (IASP), o Fórum tem vindo a promover o ensino e a divulgação no tratamento da dor, contribuindo para a valorização profissional e científica, com especial incidência na formação pós graduada nos Arquipélagos da Macaronésia – Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde.
Anualmente, realiza um congresso (ex. 2005 em Cabo Verde), de forma rotativa nas diferentes Regiões, com a colaboração e participação das pessoas que se dedicam ao tratamento da dor, e promove diversas reuniões científicas periódicas (conferências, colóquios, simpósios, mesas redondas e cursos especializados).
Além de divulgar, elaborar e compilar documentos de cariz científico entre os seus membros, o Fórum tem estimulado a investigação e fomentado a cooperação entre as Unidades de Dor, mediante a participação, colaboração, formação e treino dos seus elementos nos diferentes Serviços e Unidades de Dor nas Regiões onde está integrado, num intercâmbio que se tem revelado extremamente frutuoso.
No âmbito da partilha de experiências e conhecimentos técnico-científicos, tem dinamizado as relações com as organizações congéneres, nacionais e estrangeiras (APED, CAR, SED, EFIC, IASP).

