Dr. Luís Pisco » “O bom desempenho tem de ser recompensado”
A consulta ao domicílio é para voltar?
É uma questão de consciência cívica e de educação perceber-se a importância dessa resposta. Os idosos são uma população muito carenciada desses cuidados, embora seja o primeiro a reconhecer a importância dos hospitais e dos serviços de urgência.
Quando se tem um enfarte do miocárdio, uma trombose ou se parte uma perna, obviamente que qualquer um vai esperar que o INEM funcione extraordinariamente e que o hospital tenha capacidade de resposta e com urgências bem organizadas. Mas isso só acontecerá se fizerem aquilo para que estão direccionados.
A generalidade das pessoas, face a cada um deste casos, terá centenas de outras ocasiões em que as suas necessidades passam pelos cuidados primários. Os portugueses valorizam esse apoio, dado de forma contínua, sistemática e perto de si, em que o médico conhece a pessoa e pode responder por um conjunto de problemas médicos, sociais, psicológicos.
Qual é a meta, no tempo, deste projecto?
Os próximos dois anos. O segredo da reestruturação dos actuais centros de saúde passa por uma visão de qualidade e por conciliar os interesses de todas as partes em jogo. Esta reforma não vai ser contra ninguém. Pelo contrário, há grande preocupação em conciliar os diversos pontos de vista que não são contraditórios ou antagonistas.
O pior que pode acontecer é pensar-se que o que é bom para médicos e enfermeiros é mau para os doentes. Isso é absurdo. Vamos mudar porque há pessoas acomodadas, embora insatisfeitas.
É preciso mexer com comportamentos e estruturas e resolver problemas técnicos. Mas é claro que os profissionais de saúde têm de estar motivados para desempenharem uma tarefa que todos percebem ser exigente. Passar os dias, durante anos seguidos, a cuidar de doentes em sofrimento é desgastante.
Essa motivação passa pela exclusividade?
Não. A questão da exclusividade é um factor perturbador, porque encontramos pessoas dedicadas e a trabalharem bem, quer num quer noutro regime.
Tem é de haver um compromisso muito claro que os resultados que querem obter serão recompensados. Quem trabalha mais e melhor tem de ser reconhecido. E não interessa fazer mais consultas ou pensos porque a quantidade é importante mas com qualidade. Aos que não querem colaborar nem fazer, temos de os fazer sentir mal. Temos de ser muito claros.
Como o tempo escasseia, o sistema remuneratório será provavelmente o primeiro a mudar. Não quer dizer que se vá mexer já em todos os centros de saúde.
Existem actualmente mais de 360 e quase duas mil extensões, o que é uma malha finíssima e onde o desempenho é muito diferente. Encontramos sítios onde tudo funciona extraordinariamente bem. E isto nunca é notícia.
Jornal de Leiria
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