Dr. Hugo Madeira, Presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia: “As empresas que construam ginásios devem beneficiar de incentivos fiscais”
A iniciativa é igualmente promovida pelo Alto Comissariado da Saúde. A Professora Dra. Maria do Céu Machado, Alta Comissária da Saúde não quis deixar de marcar presença na apresentação oficial da Carta Europeia do Coração.
“É importante que mensagem presente nos pacotes de açúcar seja retida pela população. É também necessário haver cidades saudáveis. Considero que esta Carta Europeia do Coração é muito importante como ponto de partida para se fazer qualquer coisa em concreto e para termos ganhos em saúde daqui a relativamente pouco tempo”.
A doença cardiovascular em números
“A doença cardiovascular é a primeira causa de morte entre os europeus, responsável por cerca de metade dos óbitos na Europa, isto é, mais de quatro milhões de mortes nos 52 Estados que compõem a região europeia da OMS.
Custa à economia europeia cerca de 169 mil milhões de euros por ano e mata mais pessoas do que todas as formas de cancro combinadas”, diz-nos o Dr. Hugo Almeida, Presidente da SPC, acrescentando que “a população tem horror ao cancro, mas deveria pensar nesta realidade”.
Na apresentação da Carta Europeia do Coração, o responsável pela SPC defendeu que “as mudanças de estilos de vida vão-se conseguindo, sobretudo, nas novas gerações”. Andar a pé, fazer caminhadas, não fumar, manter a tensão arterial em níveis adequados, controlar o colesterol, ter uma alimentação saudável e evitar o stress excessivo fazem parte dessa mudança de estilos de vida.
“Um estudo recente concluiu que 63% das pessoas andam a pé menos de 60 minutos por semana, quando é recomendado que se ande, pelo menos, 30 minutos cinco dias por semana. Os indivíduos devem andar na rua, fazer caminhadas, ir a pé para o trabalho”, diz o Dr. Hugo Madeira.
O dirigente da SPC defende ainda o incentivo “através de benefícios fiscais às empresas que construam ginásios que permitam a prática de exercício físico aos seus colaboradores”. Considera também importante que todas as escolas primárias tenham ginásio ou recreio com capacidade para a realização de exercício físico.
Para o Coordenador Nacional das Doenças Cardiovasculares, actualmente a “mensagem para praticar exercício físico chega muito mais aos reformados do que à população activa. Hoje, vêem-se mais pessoas com 65 anos a praticar actividade física do que indivíduos em idade produtiva”.
É necessário modificar esta tendência e “dar informação à população”. É também “necessário assegurar uma mobilização comunitária, envolvendo as organizações de saúde, as próprias pessoas, autoridades oficiais e outras instituições”, conclui o Dr. Hugo Madeira.
Dimensões de Saúde na Estratégia UE-África discutidas em Lisboa
O Pavilhão Atlântico, em Lisboa, recebeu o encontro sobre as Dimensões de Saúde na Estratégia UE-África. Oportunidade para promover o diálogo, acção conjunta e cooperação entre os dois continentes, para que África atinja os propósitos de Desenvolvimento do Milénio (OMD) em 2015.
Em Dezembro de 2005, os Chefes de Estado e de Governo da UE adoptaram uma estratégia para África, com o título: “A UE e África: Em direcção a uma parceria estratégica”, que representa o compromisso da UE em apoiar o continente africano nos seus esforços para atingir a OMD.
A União Africana adoptou a Estratégia de Saúde em África: 2007-2015, documento que reúne as estratégias de saúde dos Estados membros, oferecendo uma direcção estratégica aos esforços africanos na obtenção de melhor saúde para a população.
Os Estados-membros assumiram já o compromisso em alcançar os objectivos da saúde determinados pela OMD, nomeadamente, a redução da mortalidade infantil, a melhoria da saúde materna e o combate ao VIH/sida, malária e outras doenças.

