A Ejaculação Prematura (EP) é uma disfunção sexual comum que pode estar presente a partir do primeiro acto sexual ou pode desenvolver-se numa fase mais tardia. Dependendo das várias metodologias e critérios utilizados em estudos para avaliação da prevalência da EP, a percentagem relatada de homens afectados por esta condição num dado momento das suas vidas encontra-se entre 4 e 30% [1, 2].
Actualmente, os especialistas em EP concordam que esta condição abrange três componentes principais: um tempo até ejaculação reduzido, diminuição do controlo ejaculatório e impacto pessoal negativo ou sofrimento relacionados com a ejaculação. A EP apresenta uma prevalência semelhante em todos os grupos etários [2].
A EP é definida pela International Society of Sexual Medicine (ISSM) como sendo “uma disfunção sexual masculina caracterizada por uma ejaculação que ocorre sempre, ou quase sempre antes, ou dentro de cerca de um minuto, após penetração vaginal; uma incapacidade em retardar a ejaculação em todas, ou quase todas, as penetrações vaginais; e uma situação com consequências pessoais negativas, tais como ansiedade, preocupação, frustração e/ou evitação da intimidade sexual” [3].
O que causa a EP?
Pensa-se que o mecanismo da ejaculação seja influenciado por uma combinação de factores fisiológicos e psicológicos [4, 5]. A investigação sugere que a serotonina desempenha um papel central na determinação do momento em que a ejaculação ocorre [4-6], sendo um neurotransmissor que também ajuda a regular o sono, o apetite, o humor, inibindo igualmente a dor.
A resposta sexual masculina divide-se em cinco fases:
1. Desejo sexual
2. Excitação (em que ocorre a erecção)
3. Fase de estabilização (planalto)
4. Clímax/orgasmo
5. Resolução (relaxamento após o clímax/orgasmo durante o qual não ocorre qualquer excitação sexual).
Pensa-se que os homens com EP apresentam um processo de ejaculação semelhante ao dos outros homens. No entanto, esta ocorre de forma mais rápida e com uma sensação de falta de controlo sobre a ejaculação [2] (ver figura 2). Alguns homens podem confundir a EP com a disfunção eréctil (DE), já que não é possível manter uma erecção na fase de resolução da resposta sexual.
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Qual o impacto da EP?
A EP tem um impacto significativo sobre o homem, a sua parceira, e na relação entre ambos, podendo afectar potencialmente a satisfação sexual, as relações sexuais, a auto-imagem e a qualidade de vida global [2].
As conclusões de um inquérito realizado a mais de 12000 indivíduos indicaram que os homens com EP apresentavam um funcionamento sexual significativamente inferior quando comparados com os homens que não foram classificados como sofrendo de EP [2]. Os homens com EP apresentavam também uma auto-estima mais reduzida, uma maior preocupação em relação aos seus relacionamentos em geral – chegando por vezes ao extremo de evitar qualquer tipo de relação – e níveis superiores de ansiedade e vergonha. Além disso, os homens com EP também apresentavam uma maior deterioração da qualidade de vida e um maior agravamento da saúde geral comparativamente aos homens sem esta condição [2].
Além do impacto causado no homem, a EP tem também frequentemente um efeito negativo sobre a parceira, bem como sobre a globalidade do relacionamento sexual do casal [7]. As parceiras são afectadas pela qualidade do desempenho sexual do seu parceiro, sentindo-se igualmente perturbadas dado que esta situação leva frequentemente a uma interrupção rápida e indesejada da intimidade [8].
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Como é diagnosticada a EP?
Para assegurar um tratamento adequado é importante reconhecer que a EP é uma condição diferente da DE [9]. A DE é caracterizada pela incapacidade em atingir ou manter uma erecção e afecta tendencialmente os homens mais velhos [10]. Existe a possibilidade de um homem ser afectado simultaneamente pela EP e pela DE.
A EP continua a ser uma condição sub-diagnosticada e sub-tratada, [11] e muitos homens não procuram tratamento médico. Os estudos demonstram que são várias as razões que levam os homens a não procurar tratamento, incluindo a vergonha e o estigma, a falta de consciencialização da predominância da EP ou porque se sentem relutantes em discutir questões de teor sexual com os médicos [9, 11]. Esta situação é exacerbada pela dificuldade que muitos médicos sentem em iniciar uma discussão sobre a saúde sexual com os seus doentes [9, 11].
A EP pode ser diagnosticada como resultado de uma queixa directa por parte do homem ou da sua parceira, ou pode ser identificada quando o homem e a sua parceira relatam as dificuldades na sua relação. Os homens com sintomas de EP devem efectuar um exame clínico completo para avaliar os factores de risco associados à disfunção sexual, particularmente disfunção endócrina, doença cardiovascular ou sintomas associados a patologia próstática [6].
Tratamentos actuais para a Ejaculação Prematura
Um dos principais objectivos das terapêuticas da EP deve ser a melhoria do controlo sobre a ejaculação. A melhoria do controlo pode, por sua vez, melhorar a satisfação sexual do homem e da parceira e/ou reduzir o sentimento de sofrimento pessoal ou as dificuldades interpessoais causadas pelo tempo até à ejaculação.
Os tratamentos disponíveis actualmente para a EP incluem terapêutica comportamental, tratamentos tópicos, preservativos e alguns medicamentos. O tratamento para a EP mais comum é provavelmente a utilização de técnicas comportamentais, que consistem em exercícios práticos concebidos para ensinar o doente a controlar a ejaculação, com base na noção de que as respostas à excitação sexual, bem como o reflexo ejaculatório podem ser modificados [6, 12]. No entanto, existem evidências limitadas sobre a eficácia a longo prazo destas abordagens comportamentais [12]. Adicionalmente, são também utilizados cremes ou sprays tópicos que apresentam um efeito anestésico e que são eficazes em alguns homens. No entanto, estes fármacos reduzem a sensibilidade e podem diminuir a satisfação da experiência sexual.
Estão a ser investigadas actualmente algumas opções terapêuticas novas, tanto orais como tópicas, que podem vir a oferecer alternativas para os homens com EP [6, 13]. A Janssen-Cilag desenvolveu o primeiro medicamento para administração por via oral, sujeito a receita médica, aprovado para o tratamento da EP [14].
Referências
1. Grenier, G. and Byers, E.S. The relationships among ejaculatory control, ejaculatory latency, and attempts to prolong heterosexual intercourse. Arch Sex Behav, 1997. 26(1): p. 27-47.
2. Porst, H., et al., The Premature Ejaculation Prevalence and Attitudes (PEPA) survey: prevalence, comorbidities, and professional help-seeking. Eur Urol, 2007. 51(3): p. 816-23; discussion 824.
3. McMahon, C.G., et al., An evidence-based definition of lifelong premature ejaculation: report of the International Society for Sexual Medicine Ad Hoc Committee for the Definition of Premature Ejaculation. BJU Int, 2008
4. Donatucci, C.F., Etiology of ejaculation and pathophysiology of premature ejaculation. J Sex Med, 2006. 3 Suppl 4: p. 303-8.
5. Wolters, J.P. and Hellstrom, W.J. Current concepts in ejaculatory dysfunction. Rev Urol, 2006. 8 Suppl 4: p. S18-25.
6. Palmer, N.R. and Stuckey, B.G. Premature ejaculation: a clinical update. Med J Aust, 2008. 188(11): p. 662-6.
7. Riley, A. and Riley, E. Premature ejaculation: presentation and associations. An audit of patients attending a sexual problems clinic. Int J Clin Pract, 2005. 59(12): p. 1482-7.
8. Porst, H., et al., Abstract of the 23rd Annual EAU congress, Milan 26–29 March 2008. Impact of Premature Ejaculation on Female Partners: Results From a 5-Country European Observational Study. 2008: p. Available at http://www.uroweb.org/publications/eau-abstracts-online/ Last accessed September 2008.
9. Rosenberg, M.T. and Sadovsky, R. Identification and diagnosis of premature ejaculation. Int J Clin Pract, 2007. 61(6): p. 903-8.
10. Laumann, E.O., Paik, A. and Rosen, R.C. Sexual dysfunction in the United States: prevalence and predictors. Jama, 1999. 281(6): p. 537-44.
11. Sotomayor, M., The burden of premature ejaculation: the patient’s perspective. J Sex Med, 2005. 2 Suppl 2: p. 110-4.
12. Riley, A. and Segraves, R.T. Treatment of premature ejaculation. Int J Clin Pract, 2006. 60(6): p. 694-7.
13. Morales, A., Barada, J. and Wyllie, M.G. A review of the current status of topical treatments for premature ejaculation. BJU Int, 2007. 100(3): p. 493-501.
14. Resumo das Características do Medicamento (RCM) – PRILIGY
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