Doenças da próstata afectam os homens a partir dos 50 anos
Por razões que a ciência desconhece, “até ao momento, ainda não é possível explicar cabalmente este aumento do tamanho”, diz o Dr. Francisco Rolo, presidente da Associação Portuguesa de Urologia (APU). Sabe-se, apenas, que este órgão, cuja forma é semelhante ao de uma castanha, “sofre alteração de tamanho em 60 a 70% dos homens, com idades compreendidas entre os 65 e os 70 anos”.
Importa, no entanto, esclarecer que este crescimento nada tem a ver com o cancro da próstata: a situação mais grave. Segundo o presidente da APU, este problema, “circunscrito à próstata, implica uma perda de qualidade de vida, devido aos seus sintomas”, nomeadamente do tracto urinário.
“A próstata envolve a uretra e, quando cresce, tem tendência para apertar a uretra, dificultando o fluxo de urina.” Como resultado do compressão da uretra, “o jacto de urina começa a ficar mais curto, obrigando a uma micção mais frequente”. Para tratar estas complicações da HBP, são administrados fármacos que diminuem o tónus muscular da próstata e que inibem a enzima que favorece o crescimento da glândula prostática.
Diagnóstico precoce facilita cura
Segundo Francisco Rolo, “há que contrariar a ideia de que só se deve procurar um médico quando se está doente”, porque, depois de “os sintomas aparecerem, por vezes, já é tarde para actuar”.
“Se for efectuado um diagnóstico precoce, antes da manifestação de sintomas de doença, o tratamento é mais eficaz, o que eleva as hipóteses de cura, concretamente no que se refere ao cancro da próstata.” É por esta razão que está preconizada uma consulta anual, a partir dos 50 anos de idade.
Nos últimos anos, tem-se registado uma evolução positiva no tratamento das doenças da próstata, em resultado da capacidade de diagnóstico. O especialista defende que, hoje em dia, os meios de diagnóstico são muito mais avançados, não implicando exames complexos, nem dolorosos.
“Com uma ecografia ou análise de sangue já é possível detectar eventuais complicações”, indica. Nas situações de HBP, a ecografia e o exame do toque rectal (apalpação da próstata) são métodos simples de detecção desta patologia. Já no caso do carcinoma, a realização da análise do antigénio específico da próstata, também conhecido como PSA, permite despistar grande parte das situações.
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A doença prostática mais temida
De acordo com as estimativas, calcula-se que, anualmente, surjam cerca de quatro mil novos casos de cancro da próstata. Do total deste número, aponta-se para uma mortalidade de 1800 casos. “O carcinoma da próstata é um tumor bastante complexo e que nem sempre mata. Estes tumores evoluem de uma forma lenta, insidiosa e, durante muito tempo, não apresentam quaisquer sintomas”, explica Francisco Rolo.
Embora se desconheçam as causas concretas implicadas com este carcinoma, sabe-se que a alimentação e o estilo de vida influem no aparecimento de cancro da próstata. “Suspeita-se que as doenças da próstata, na generalidade, estejam ligadas à obesidade, à diminuição da actividade física, e a uma alimentação pobre em vegetais e rica em gorduras animais.”
Em estudos populacionais, verificou-se que, nos países com hábitos alimentares à base de hortícolas, a prevalência deste carcinoma é inferior. “Esta é uma prova aceite pela comunidade científica. Verificamos que em certas populações a prevalência deste carcinoma aumentou a partir do momento em que migrarem para países onde a dieta era profundamente baseada em gorduras animais e pobre em legumes”, fundamenta o urologista.

