X
    Categories: InformaçõesSaúde PúblicaSaúde Pública

Doença Renal Crónica (DRC)

É uma doença progressiva caracterizada por uma deterioração lenta e irreversível dos rins e das suas funções. Uma dessas principais funções consiste na eliminação de substâncias tóxicas resultantes do funcionamento (metabolismo) dos órgãos. Em consequência, aquelas substâncias ao ficarem retidas no sangue, resultam numa acumulação de produtos metabólicos tóxicos cujo quadro clínico se designa por azotemia ou uremia.

Pode atingir indivíduos de ambos os sexos e parece progredir mais rapidamente no sexo masculino. A sua incidência é maior nos adultos e idosos, fazendo com que seja considerada uma doença que atinge sobretudo as idades mais avançadas. Todavia, é importante reter que a doença renal crónica pode evoluir silenciosamente durante muito tempo. Por este motivo são particularmente importantes a prevenção e o diagnóstico, tão cedo quanto possível. Com esta dupla intervenção é possível evitar a progressão para uma fase mais avançada, em que o tratamento, para além da diálise ou o transplante, são impossíveis.

 

Causas e sintomatologia:

• A diabetes mellitus, sobretudo a tipo 2, é a causa mais comum. Em Portugal, cerca de 30 % das causas de insuficiências renal crónica em diálise devem-se à nefropatia diabética.

• A hipertensão (tensão arterial elevada) contribui com mais de 20%. A hipertensão surge com frequência associada à obesidade e à diabetes mellitus tipo 2.

• Muitas doenças renais (nefrites) evoluem ao longo do tempo associando alguns sinais e sintomas pouco evidentes, mas que incluem, frequentemente, a hipertensão arterial

• Existem doenças hereditárias dos rins (com vários casos familiares) que podem progredir para a insuficiência renal com necessidade de diálise e/ou transplante

• Em fases já avançadas da evolução da doença pode surgir a anemia que se traduz por sensação de fraqueza e cansaço intenso

• A ausência de sintomas, nos primeiros estádios da doença, faz com que grande parte da população desvalorize os cuidados a ter com a saúde dos seus rins.

[Continua na página seguinte]

Principais sinais gerais de alerta:

• tensão arterial elevada

• olhos, mãos e/ou pernas e pés inchados persistentemente, de manhã ou ao fim do dia

• urina espumosa

• urina com sangue

• urinar frequente e em grande quantidade, sobretudo durante a noite

• Perda do apetite e sensação de fraqueza geral ou de cansaço intenso

A DRC pode ser suspeitada através de alguns sinais clínicos, mas o diagnóstico de certeza só é possível através de exames laboratoriais no sangue e na urina. Neste âmbito, o primeiro médico assistente (Medicina Geral e Familiar) desempenha um papel fundamental, pelo contacto de proximidade que mantém com os seus doentes, possibilitando a prevenção da doença, e pela facilidade com que pode chegar a um diagnóstico precoce, com implementação rápida das medidas que permitirão estabilizar ou fazer regredir a doença renal.

 

Tratamento:

• tratamento médico específico de acordo com a causa subjacente (por exemplo, os corticosteróides, vulgo cortisona, nas nefrites);

• prevenção de factores que agravam as lesões já instaladas (evitando a toma de medicamentos sem prescrição médica, como os anti-reumatismais e os antibióticos);

• estratégias para a diminuição da perda progressiva de função renal (como a adaptação da dieta, a toma regular de medicamentos para a tensão arterial, ou o controlo rigoroso da glicemia no diabético);

• manutenção de um bom estado nutricional e de prevenção das complicações inerentes à doença, como a anemia, e as alterações do metabolismo mineral e ósseo que podem conduzir, sem tratamento à grande fragilidade óssea, com risco de fractura.

• A perda de função renal é inexorável e, na sua fase avançada (estádio 5), é necessário recorrer às terapêuticas de substituição da função renal que incluem a hemodiálise, diálise peritoneal e a transplantação renal.

Estima-se que um em cada 10 indivíduos (com idade superior a 18 anos) seja atingido pela doença, ou seja, cerca de 800 mil pessoas em Portugal poderão sofrer de doença renal crónica, numa qualquer fase da sua evolução.

Todos os anos surgem mais de 2.000 novos casos de doentes em falência renal, a necessitar de diálise. Em Portugal existem actualmente cerca de dezasseis mil pessoas em tratamento substitutivo da função renal (cerca de 2/3 em diálise e 1/3 já transplantados), e cerca de duas mil pessoas encontram-se em lista de espera para um transplante renal.

LPM Comunicação

www.lpmcom.pt

admin: