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Doença de Meniere: Ouvido sob pressão

Sob pressão fica o ouvido de quem sofre de doença de Meniere. As vertigens são o sintoma mais comum desta patologia ainda mal conhecida e que pode implicar perda de audição.

Da doença de Meniere conhecem-se melhor os sintomas do que as causas. Mas sabe-se que a sua origem está relacionada com o fluido existente no ouvido interno, uma das três partes do nosso órgão auditivo.

O ouvido interno é constituído por uma rede de passagens e cavidades chamada labirinto, sendo a sua parte mais exterior formada por osso e a interior por membrana, a qual contém um fluido e é revestida por sensores semelhantes a cabelos que reagem aos movimentos desse fluido. São estes sensores que desencadeiam os impulsos nervosos que são transmitidos ao cérebro.

Cada parte do ouvido interno é responsável por um tipo diferente de percepção sensorial: o vestíbulo (secção central do labirinto) permite-nos detectar a aceleração do movimento, os canais semicirculares (três voltas que saem de um dos lados do vestíbulo) permitem-nos identificar os movimentos rotativos, o que é fundamental para mantermos o equilíbrio, enquanto a cóclea (estrutura semelhante a um caracol existente no outro lado do vestíbulo) capta os sons – as vibrações dos pequenos ossos do ouvido médio criam ondas no fluido do ouvido interno, cujos sensores as convertem em impulsos e enviam ao cérebro, para interpretação.

Para que todos estes processos decorram normalmente é preciso que haja um determinado volume de fluido e que a sua composição química e a pressão que exerce no ouvido se mantenham.

Quando este equilíbrio é perturbado, podem surgir os sintomas que caracterizam a doença de Meniere. O que não se sabe, ainda, é que factores estão na origem desse desequilíbrio.

 

Entre o equilíbrio e a audição

É quase sempre entre os 40 e os 50 anos que a doença se manifesta, localizada apenas num dos ouvidos.

Muito raramente afecta os dois. Os sintomas declaram-se por surtos, em que predominam as vertigens: o doente sente que o espaço onde se encontra gira à sua volta, sem parar, acabando por perder o equilíbrio.

Assim acontece sem aviso e, geralmente, por 20 minutos ou mais, sendo que os casos mais severos são acompanhados de náuseas e vómitos.

Uma sensação de ruído e de entupimento no ouvido afectado é igualmente comum: é como se o ouvido estivesse sujeito a uma enorme pressão. Paralelamente, pode ocorrer perda auditiva, sobretudo relacionada com os sons mais baixos, mas na maioria das vezes a audição só é afectada durante os surtos, sendo depois restaurada. Só nalguns casos há danos permanentes.

A duração, frequência e gravidade destes problemas sensoriais dependem de pessoa para pessoa e até de episódio para episódio numa mesma pessoa. Pode acontecer que haja surtos com vertigens severas mas praticamente desprovidos dos restantes sintomas e outros em que predomine a pressão no ouvido, por exemplo.

Os sintomas são o ponto de partida para um diagnóstico que envolve a realização de testes específicos, nomeadamente para avaliar a capacidade auditiva e a função de equilíbrio.

Esta avaliação destina-se também a afastar a possibilidade de se estar perante outras patologias, entre elas tumores no cérebro ou esclerose múltipla.

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Sem cura, mas tratamento

A doença de Meniere não tem cura, mas é possível controlar os sintomas. Com medicamentos, mas também com outro tipo de medidas, nomeadamente ao nível da alimentação.

Uma das recomendações habituais vai no sentido de os doentes fazerem refeições regulares e de limitarem o consumo de sal: é que, assim, contribuem para regular os fluidos corporais, evitando a retenção de líquidos e, em consequência, diminuindo a pressão sobre o ouvido interno.

Evitar a cafeína, deixar de fumar e tentar gerir o stress e a ansiedade são igualmente úteis. A cafeína possui propriedades estimulantes que podem agravar os sintomas, pelo que deve ser moderado o consumo de café, chá, alguns refrigerantes e chocolate.

Também a nicotina parece acentuar os sintomas, pelo que deixar de fumar é aconselhado. Já o stress, para que a própria doença contribui, pode ser reduzido com a ajuda de técnicas de relaxamento, de terapia e/ou de medicamentos.

O tratamento da doença de Meniere pode passar pelos medicamentos, nomeadamente para lidar com asvertigens: assim, podem ser prescritos fármacos para o enjoo ou as náuseas, a tomar quando os primeiros sintomas se manifestam, de modo a minorar o seu impacto.

Podem igualmente ser prescritos diuréticos, para diminuir a retenção de líquidos. Neste caso, pode ser recomendado o reforço da ingestão de alimentos ricos em potássio, como banana, laranja, espinafre ou batata-doce.

O maior problema associado a esta doença são as vertigens: os seus episódios, imprevisíveis, podem ser verdadeiramente debilitantes para o doente. Forçam-no a várias horas de interrupção das suas actividades, profissionais ou de lazer, além de que aumentam o risco de quedas e de acidentes, por exemplo de viação. Daí que nas situações mais graves – em que os medicamentos e as alterações na dieta não são suficientes – possa ser necessário recorrer a cirurgia no ouvido interno.

A doença de Meniere pode afectar a interacção com os outros, a actividade profissional e a qualidade de vida. Pode mesmo ser necessário udar o modo de vida para lidar com os surtos, o que pode gerar ansiedade e até abrir caminho a depressão.

Este é um problema crónico e, por isso mesmo, impõe que se cumpram as indicações médicas, ao nível do tratamento.

 

À beira de uma vertigem

As vertigens são o sintoma mais visível da doença de Meniere.

Pelo seu impacto, importa saber como agir quando elas se avizinham:

• Tente deitar-se numa superfície que não se mova – o chão é o ideal;

• Mantenha os olhos fixos num objecto que não se mova;

• Não coma nem beba, para diminuir o risco de náuseas e vómitos;

• Quando os sintomas desaparecerem, levante-se devagar;

• Repouse: é provável que se sinta sonolento após um surto.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

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