Ao contrário do que se passava há pouco menos de uma década, em que os tratamentos para a disfunção eréctil eram agressivos e dolorosos, actualmente, existem fármacos capazes de devolver a satisfação sexual. Mas é necessário vencer o medo e a vergonha e procurar auxílio médico.
DISFUNÇÃO ERÉCTIL (DE) AFECTA MAIS DE 400 MIL
Apenas 20 a 30 mil recebem tratamento
Logo que surja a disfunção eréctil, o homem deverá consultar um especialista para que o problema não persista e o afecte não somente na vida sexual, mas também pessoal e socialmente.
Para o Dr. José Santos Dias, urologista na Androclinic e no Hospital de Pulido Valente, a disfunção eréctil é um problema e não uma doença.
«Chamo-lhe problema porque é habitualmente encarada como uma situação isolada, mas, na realidade, é a ponta visível do icebergue», explica o especialista, completando:
«É um indicador de outras doenças. É o que nós constatamos e o que o doente se queixa, mas pode ser uma manifestação de muitas outras situações, como hipertensão arterial, tabagismo, alcoolismo, diabetes ou hipercolesterolemia.»
É, pois, importante que os médicos que observam doentes com DE avaliem todas estas situações. Até porque esta disfunção sexual não é rara. No nosso País estima-se que existam entre 400 a 500 mil homens afectados.
Todavia, José Santos Dias indica que «o número de doentes portugueses ainda não é totalmente seguro. Mas a Sociedade Portuguesa de Andrologia está a levar a cabo um estudo epidemiológico coordenado pelo Prof. Pedro Vendeira, que terá bases científicas para se obter dados reais, uma vez que 400 mil é um número transposto da realidade internacional».
Em estudos clássicos realizados nos Estados Unidos da América, que envolveram populações de indivíduos entre os 40 e os 70 anos, cerca de 50% teriam sofrido em alguma altura da vida de disfunção eréctil.
Relativamente a esta percentagem, o mesmo urologista afirma ser um número aparentemente excessivo para a nossa população. Nas suas palavras, «a DE ligeira, que ocorre pontualmente, foi provavelmente sobrevalorizada».
Os homens com mais de 50-60 anos têm mais probabilidade de vir a sofrer de disfunção eréctil, pois esta aumenta com a idade. Aliás, cerca de 30% dos indivíduos com aquela idade ou superior poderão ter sofrido com este problema, daí a ordem de grandeza das centenas de milhares afectados.
Contudo, de acordo com José Santos Dias, «os últimos dados apontam para 20 a 30 mil doentes tratados, o que significa que um grande grupo ainda não venceu a resistência inicial de consultar um médico».
É importante procurar auxílio médico
De facto, é fundamental procurar ajuda médica. Além de eventualmente esconder doenças graves como a hipertensão ou a diabetes, a disfunção eréctil poderá prejudicar a vida afectiva, social ou profissional de quem sofre em silêncio.
«Muitas vezes, os problemas relacionados com a erecção são um motivo para se contarem dizer piadas. Porém, têm de ser valorizados, porque acabam por afectar imenso as pessoas, nomeadamente ao nível individual, pois a auto-estima diminui e a imagem como homem fica distorcida», refere o mesmo urologista, acrescentando:
«Surgem, assim, implicações ao nível do relacionamento interpessoal, com a parceira, com familiares, com amigos e com colegas de trabalho.»
E continua: «Existem estudos recentes que mostram que os homens a partir dos 40-50 anos, quando questionados sobre a disfunção eréctil, à partida estão abertos a procurar ajuda nomeadamente para satisfação da parceira. Mas, também é sabido que muitos sofredores não procuram ajuda. Apesar da DE ter sido desvalorizada durante muito tempo, hoje em dia é fácil encontrar soluções para o problema».
O especialista salienta, ainda, que «na área da urologia comparo a disfunção eréctil à incontinência urinária, ou seja, não mata mas afecta bastante a qualidade de vida».
O tratamento está ao alcance de todos
Procurar a ajuda de um especialista atempadamente vai também possibilitar um tratamento mais eficaz. Tal como acontece com outras doenças, quanto mais se atrasa o início de uma terapêutica, mais difícil se torna a reversão do processo. Logo que haja sintomatologia, o indivíduo deveria ser avaliado e tratado.
«Há sete ou oito anos existiam vários tratamentos para a disfunção eréctil mas eram agressivos, tais como as injecções intracavernosas (dadas no pénis) ou os aparelhos de vácuo», menciona o urologista, prosseguindo:
«Com o aparecimento de medicamentos de toma oral, o tratamento tornou-se mais fácil e rápido. Hoje, existem várias opções. Por exemplo, o último fármaco, que tem a molécula vardenafil e que apareceu em 2003, tem um início de acção mais rápido, um factor essencial para motivar o homem e que permite não programar tão antecipadamente uma relação sexual.»
Se o homem sofrer de uma doença de origem vascular, neurológica, endocrinológica ou psicológica, que provoca a disfunção eréctil, o medicamento específico para a DE pode ser usado paralelamente ao tratamento daquelas doenças.
A correcção de factores de risco, como o tabagismo ou o alcoolismo, é igualmente essencial para prevenir o aparecimento de patologias que, directa ou indirectamente, possam prejudicar o desempenho sexual.
Será que tenho disfunção eréctil?
Este questionário foi concebido com o objectivo de avaliar a sua saúde sexual e ajudar o seu médico a determinar se você sofre de problemas de disfunção eréctil. Assinale a resposta e no final some os valores.
Nos últimos seis meses:
1. Como é que classifica o seu grau de confiança em manter uma erecção?
1. Muito baixo
2. Baixo
3. Moderado
4. Elevado
5. Muito elevado
2. Quando teve erecções por estimulação sexual, com que frequência é que essa erecção foi suficiente firme para penetrar a sua companheira?
1. Quase nunca ou nunca
2. Poucas vezes (muito menos que metade das vezes)
3. algumas vezes (cerca de metade das vezes)
4. Muitas vezes (muito mais que metade das vezes)
5. Quase sempre ou sempre
3. Durante as relações sexuais, com que frequência conseguiu manter a erecção após penetrar a sua companheira?
1. Quase nunca ou nunca
2. Poucas vezes (muito menos que metade das vezes)
3. Algumas vezes (cerca de metade das vezes)
4. Muitas vezes (muito mais que metade das vezes)
5. Quase sempre ou sempre
4. Durante as relações sexuais, foi-lhe difícil manter a erecção até ao final da actividade sexual?
1. Extremamente difícil
2. Muito difícil
3. Difícil
4. Ligeiramente difícil
5. Não difícil
5. Quando tentou ter relações sexuais, quantas vezes é que estas foram satisfatórias?
1. Quase nunca ou nunca
2. Poucas vezes (muito menos que metade das vezes)
3. Algumas vezes (cerca de metade das vezes)
4. Muitas vezes (muito mais que metade das vezes)
5. Quase sempre ou sempre
Pontuação:
22 a 25 – Ausência de DE
17 a 21 – DE ligeira
12 a 16 – DE ligeira a moderada
8 a 11 – DE moderada
5 a 7 – DE grave
Fale com o seu médico ou para mais informações www.amorvital.com
NOTAS:
– Com a autorização de: Rosen RC, Cappelleri JC, Smith MD, Lipsky J, Peña BM. Desenvolvimento e avaliação de uma versão resumida de 5 itens do Índice Internacional da Função Eréctil (IIEF-5) como ferramenta de diagnóstico para a função eréctil. Int J Import Res. 1999;11;319-326.
Adaptação do questionário Sexual Health Inventory for Men (SHIM).
O que é?
A disfunção eréctil é a dificuldade em conseguir e/ou manter uma erecção suficiente para completar uma relação sexual.
Muitos homens têm ocasionalmente problemas de erecção, mas isso não quer dizer que tenham disfunção eréctil.
Para falar de disfunção eréctil, é preciso que os problemas de erecção aconteçam com regularidade. Pode não acontecer sempre que um homem quer ter uma relação, mas acontece repetidamente ao longo do tempo. A disfunção eréctil pode ser uma consequência de outras doenças, como a diabetes ou a hipertensão, das quais é muitas vezes o primeiro sintoma.
Quais as causas da disfunção eréctil?
Qualquer alteração física que interfira com os acontecimentos que levam à erecção pode causar disfunção eréctil. Hipertensão arterial (tensão alta), doenças do coração, diabetes e depressão (esgotamento), são causas frequentes de disfunção eréctil.
Alguns medicamentos para tratar a tensão arterial alta, as doenças do coração e a depressão também podem causar disfunção eréctil.
A disfunção eréctil é mais frequente nos grandes fumadores e nos indivíduos que tomam bebidas alcoólicas em demasia.
À medida que envelhecem, os homens notam que demoram mais tempo a conseguir a erecção e que esta é menos rígida, ou que demoram mais tempo a conseguir a satisfação (orgasmo). Estas alterações, normais e próprias da idade, não devem ser confundidas com disfunção eréctil.
O facto de se envelhecer não significa o fim da vida sexual. A disfunção eréctil tem tratamento.
A disfunção eréctil tem cura?
Pode ser evitada?
Nalguns casos, a disfunção eréctil pode ser evitada diminuindo o consumo de tabaco ou deixando mesmo de fumar e diminuindo o consumo de bebidas alcoólicas. Se sofre de hipertensão, doenças de coração, diabetes ou depressão, é importante que tenha estas doenças sob controlo médico.
Na maioria dos homens a disfunção eréctil tem tratamento. Existe hoje uma série de novos medicamentos para a disfunção eréctil, eficazes, seguros e simples de tomar.
ESTUDO COMPARA DOIS MEDICAMENTOS DIFERENTES
Homens relataram melhorias
significativas na função eréctil
De acordo com o Proven (Patient RespOnse with VardENafil in Sildenafil Non-Responders) – um estudo clínico em que se avaliou o princípio activo vardenafil HCl em homens com disfunção eréctil, que eram não-respondentes por história ao citrato sildenafil (identificados por seis critérios) –, os homens têm três vezes mais probabilidades de completar uma relação sexual com sucesso com vardenafil que com placebo.
Este estudo observou homens com DE que tinham uma história documentada de não-resposta ao sildenafil. Esta não resposta foi definida por história reportada do doente e não se voltou a tentar com a referida substância activa.
Todos os participantes no estudo tiveram critérios de envolvimento rigorosos, incluindo falharem pelo menos quatro das últimas seis tentativas de relações com sucesso a tomar sildenafil e tendo pelo menos uma tentativa sem sucesso com a mais alta dose disponível do fármaco que possui aquela molécula.
Num total de 463 homens com disfunção eréctil moderada a severa foram randomizados para vardenafil 10 mg ou placebo durante quatro semanas. Às semanas 4 e 8 do estudo, os médicos puderam ajustar a dose inicial de vardenafil 10 mg para 20 mg ou 5 mg baseada na eficácia e tolerabilidade da substância.
Todos os endpoints primários mostraram estatística e clinicamente, significativas melhorias, comparado com o placebo. Os resultados mostraram que após 12 semanas, os homens tiveram três vezes mais probabilidade de completar uma relação sexual com sucesso com vardenafil que com placebo (46,1% vs 16,1% respectivamente).
Quando comparado com a linha base, os homens tiveram 4 vezes mais probabilidade de completar a relação sexual com sucesso com vardenafil (46,1% vs 10,1%, respectivamente). Entre os que tomaram placebo, não houve diferenças clínicas ou estatísticas significativas com sucesso na manutenção das erecções para completar as relações com sucesso, após tomarem a pílula de açúcar como comparado com a linha base (16,1% vs 11,6%, respectivamente).
No estudo, os eventos adversos mais comuns relatados foram geralmente ligeiros a moderados e incluíram dor de cabeça e congestão nasal.
Os estudos mostraram que é eficaz na primeira vez que muitos indivíduos o tomam e fornece confiança melhorada na qualidade da erecção para muitos homens com DE.
Resta salientar que os homens que participaram no estudo tinham uma história documentada de não-resposta ao sildenafil e estavam dentro dos seis seguintes critérios:
1) Tinham de, previamente, ter feito pelo menos seis tentativas de relação sexual com sildenafil, administrando cada dose de acordo com as recomendações do RCM do medicamento;
2) Tinham de ter relatado relações sem sucesso em pelo menos quatro das suas últimas seis tentativas de relações com o sildenafil, e em que o doente não conseguisse alcançar pelo menos uma erecção parcial (algum alargamento do pénis), ou não fosse capaz de inserir o seu pénis na vagina da parceira, ou não tivesse uma erecção que durasse o tempo suficiente para uma relação com sucesso;
3) Tinham de ter relatado relações sem sucesso na sua mais recente tentativa com sildenafil;
4) Tinham de ter tentado sildenafil na sua dose mais alta disponível (100 mg) pelo menos uma vez e reportado uma relação sem sucesso com 100 mg pelo menos uma vez, de acordo com as recomendações de dosagem;
5) Tinham de ter descontinuado o sildenafil devido a falta de eficácia;
6) Na opinião médica dos investigadores, os indivíduos que participaram no estudo eram considerados não respondentes ao sildenafil.
Medicina & Saúde
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