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Diabetes Tipo 1

A diabetes tipo 1 é um dos vários tipos de diabetes; é uma doença crónica que se acompanha de alterações de metabolismo de hidratos de carbono, das gorduras e das proteínas e que é provocada pela falta absoluta de insulina devido à destruição de células do pâncreas que produzem esta hormona.

A maior parte dos diabéticos tipo 1 são jovens mas pode também afectar adultos, especialmente os que têm mais de 25 ou 30 anos. Não têm peso a mais, de uma forma geral e a primeira manifestação pode ser uma situação de ceto-acidose diabética.

Frequência:

Em Portugal deve haver 650.000 diabéticos dos quais cerca de 10% serão de tipo 1.

 

Quais são as causas da diabetes tipo 1?

Nestes casos a produção pancreática de insulina é nula ou quase nula. A hormona glucagon, também produzida no pâncreas, está aumentada (o glucagon faz aumentar a glicose no sangue). Portanto o aumento da glicose no sangue (hiper-glicemia) é de–vido à falta de insulina e ao aumento do glucagon.

A diabetes tipo 1 é uma doença auto-imune; estudos feitos em pâncreas revelam a existência de destruição das células produtoras de insulina e infiltração por linfócitos. Grande parte dos doentes tem anticorpos positivos para as células produtoras de insulina e para a própria insulina. Os anticorpos GAD são dirigidos contra a “glutamina decarboxilase ácida” que existe dentro das células Beta do pâncreas.

Uma teoria levanta a suspeita de a causa destas alterações estar relacionada com um agente infeccioso ou ambiental. A frequência da diabetes tipo 1 está associada a doentes portadores de outras doenças de causa imunológica (tais como tireoidite de determinado tipo, insuficiência suprarrenal crónica primária, etc.)

Outros agentes de natureza ambiental têm sido referidos como sejam vírus da parotidite, da rubéola e do Coxsackie B4, agentes tóxicos de natureza química, aleitamento com leite de vaca na infância, etc. Recentemente pensa-se no eventual papel da vitamina D na patogenia da diabetes.

 

Idade: O pico de incidência da DM 1 é entre os 11 e os 13 anos, coincidindo com a puberdade e o início da adolescência. Regra geral, quase é possível marcar com alguma precisão o início da doença. A forma LADA pode surgir por volta dos 30 anos e é menos agressiva inicialmente, com tendência mais gradual para a cetoacidose.

 

O diabético queixa-se de quê?

Maior quantidade de urina que o habitual; Sede e fome; O início pode ser súbito e concomitante com uma infecção vírica (por exemplo); Pode começar por ceto-acidose; O seu início pode estar relacionado com stress provocado por outra doença ou cirurgia; Fadiga (“sinto-me fraco”); Caimbras (“brecas”); Urinam muito de noite; Visão enevoada; Enjoos, dor abdominal; O peso pode ser normal ou o doente pode emagrecer.

O que pode acusar as análises?

A glicose no sangue é superior a 126 mg/dl (valor da glicemia diagnóstico da diabetes é superior ou igual a 126 mg/dl); Pode haver acetona na urina; A hemoglobina glicosada ou glicada (A1c) está elevada dependendo do tempo de início da doença.

 

Tratamento:

Na DM1 é absolutamente necessário o tratamento com insulina (não se esqueça que o pâncreas deixou de produzir insulina).

Mas o tratamento implica cuidados com a alimentação e com a actividade física regular e com o auto-controlo (vigilância dos valores da glicose no sangue capilar celiado por picada dos dedos).

A administração de insulina pode ser feita através das bombas infusoras; a prescrição das bombas infusoras não é generalizada sendo sobretudo aconselhada em diabéticos com fenómenos repetidos de hipoglicemia ou em grávidas diabéticas. O transplante de pâncreas e o transplante de ilhéus pancreáticos estão a ser realizados em casos pontuais sendo consideradas ainda terapêuticas experimentais.

 

Cuidados a ter:

Hipoglicemia (baixas de açúcar no sangue) deve ser tratada com rigor imediato; o doente deve ter à mão um kit de glucagen lipokit para tratar as hipoglicemias acompanhadas de perda de consciência. As formas mais leves e diagnosticadas precocemente devem ser tratadas com açúcar por via oral.

 

Cuidados a ter durante a vida:

Não se deve esquecer que se trata de uma doença crónica que obriga a múltiplos cuidados para evitar complicações agudas e tardias se o controlo da diabetes não for feito adequadamente.

O auto-controlo glicémico é fundamental (glicemia capilar). Os testes de glicemia devem ser feitos antes das refeições, ao deitar e 1 a 2 h após as refeições (com regularidade), o que serve para ajustar o esquema de insulina; A A1c deve ser realizada de 3 em 3 meses; O doente deve fazer o teste da acetona na urina sempre que tiver sintomas de constipação ou gripe, ou outras doença intercorrente; se tiver vómitos ou enjoos e dor abdominal; se tiver poliúria.

Deve ver se tem cetonúria, em caso de acentuadas variações da glicemia; Fazer o teste de microalbuminúria 1 vez por ano; Deve evitar exames radiográficos que impliquem injecção intravenosa; Vigiar e tratar aumentos do colesterol no sangue e hipertensão arterial; Deve vigiar os pés diariamente.

As complicações agudas necessitam de intervenção médica imediata – hipoglicemias, cetoacidose. As complicações tardias podem ser de natureza macrovascular (AVC, enfarte do miocárdio, ou doença arterial periférica).

As complicações microvasculares podem incidir sobre os olhos (retinopatia); nervos (neuropatia ou rim (nefropatia). Também podem ter cataratas e glaucoma. A neuropatia pode contribuir para lesões a nível dos pés (pé diabético).

 

Outras complicações:

Necrobiose lipoidica e infecções cutâneas.

 

Prognóstico da doença:
Se o controlo da hiperglicemia, da A1c, das gorduras do sangue, da pressão arterial e do peso for eficaz constitui um contributo importante para prevenir as complicações.

A educação terapêutica, a vigilância e a motivação são factores importantes para evitar as complicações.

 

Prof. José Luís Medina,
Professor Catedrático da
Faculdade de Medicina da
Universidade do Porto

A maior parte dos diabéticos tipo 1 são jovens mas pode também afectar adultos, especialmente os que têm mais de 25 ou 30 anos. Não têm peso a mais, de uma forma geral e a primeira manifestação pode ser uma situação de ceto-acidose diabética.

Frequência:

Em Portugal deve haver 650.000 diabéticos dos quais cerca de 10% serão de tipo 1.

 

Quais são as causas da diabetes tipo 1?

Nestes casos a produção pancreática de insulina é nula ou quase nula. A hormona glucagon, também produzida no pâncreas, está aumentada (o glucagon faz aumentar a glicose no sangue). Portanto o aumento da glicose no sangue (hiper-glicemia) é de–vido à falta de insulina e ao aumento do glucagon.

A diabetes tipo 1 é uma doença auto-imune; estudos feitos em pâncreas revelam a existência de destruição das células produtoras de insulina e infiltração por linfócitos. Grande parte dos doentes tem anticorpos positivos para as células produtoras de insulina e para a própria insulina. Os anticorpos GAD são dirigidos contra a “glutamina decarboxilase ácida” que existe dentro das células Beta do pâncreas.

Uma teoria levanta a suspeita de a causa destas alterações estar relacionada com um agente infeccioso ou ambiental. A frequência da diabetes tipo 1 está associada a doentes portadores de outras doenças de causa imunológica (tais como tireoidite de determinado tipo, insuficiência suprarrenal crónica primária, etc.)

Outros agentes de natureza ambiental têm sido referidos como sejam vírus da parotidite, da rubéola e do Coxsackie B4, agentes tóxicos de natureza química, aleitamento com leite de vaca na infância, etc. Recentemente pensa-se no eventual papel da vitamina D na patogenia da diabetes.

 

Idade: O pico de incidência da DM 1 é entre os 11 e os 13 anos, coincidindo com a puberdade e o início da adolescência. Regra geral, quase é possível marcar com alguma precisão o início da doença. A forma LADA pode surgir por volta dos 30 anos e é menos agressiva inicialmente, com tendência mais gradual para a cetoacidose.

 

O diabético queixa-se de quê?

Maior quantidade de urina que o habitual; Sede e fome; O início pode ser súbito e concomitante com uma infecção vírica (por exemplo); Pode começar por ceto-acidose; O seu início pode estar relacionado com stress provocado por outra doença ou cirurgia; Fadiga (“sinto-me fraco”); Caimbras (“brecas”); Urinam muito de noite; Visão enevoada; Enjoos, dor abdominal; O peso pode ser normal ou o doente pode emagrecer.

O que pode acusar as análises?

A glicose no sangue é superior a 126 mg/dl (valor da glicemia diagnóstico da diabetes é superior ou igual a 126 mg/dl); Pode haver acetona na urina; A hemoglobina glicosada ou glicada (A1c) está elevada dependendo do tempo de início da doença.

 

Tratamento:

Na DM1 é absolutamente necessário o tratamento com insulina (não se esqueça que o pâncreas deixou de produzir insulina).

Mas o tratamento implica cuidados com a alimentação e com a actividade física regular e com o auto-controlo (vigilância dos valores da glicose no sangue capilar celiado por picada dos dedos).

A administração de insulina pode ser feita através das bombas infusoras; a prescrição das bombas infusoras não é generalizada sendo sobretudo aconselhada em diabéticos com fenómenos repetidos de hipoglicemia ou em grávidas diabéticas. O transplante de pâncreas e o transplante de ilhéus pancreáticos estão a ser realizados em casos pontuais sendo consideradas ainda terapêuticas experimentais.

 

Cuidados a ter:

Hipoglicemia (baixas de açúcar no sangue) deve ser tratada com rigor imediato; o doente deve ter à mão um kit de glucagen lipokit para tratar as hipoglicemias acompanhadas de perda de consciência. As formas mais leves e diagnosticadas precocemente devem ser tratadas com açúcar por via oral.

 

Cuidados a ter durante a vida:

Não se deve esquecer que se trata de uma doença crónica que obriga a múltiplos cuidados para evitar complicações agudas e tardias se o controlo da diabetes não for feito adequadamente.

O auto-controlo glicémico é fundamental (glicemia capilar). Os testes de glicemia devem ser feitos antes das refeições, ao deitar e 1 a 2 h após as refeições (com regularidade), o que serve para ajustar o esquema de insulina; A A1c deve ser realizada de 3 em 3 meses; O doente deve fazer o teste da acetona na urina sempre que tiver sintomas de constipação ou gripe, ou outras doença intercorrente; se tiver vómitos ou enjoos e dor abdominal; se tiver poliúria.

Deve ver se tem cetonúria, em caso de acentuadas variações da glicemia; Fazer o teste de microalbuminúria 1 vez por ano; Deve evitar exames radiográficos que impliquem injecção intravenosa; Vigiar e tratar aumentos do colesterol no sangue e hipertensão arterial; Deve vigiar os pés diariamente.

As complicações agudas necessitam de intervenção médica imediata – hipoglicemias, cetoacidose. As complicações tardias podem ser de natureza macrovascular (AVC, enfarte do miocárdio, ou doença arterial periférica).

As complicações microvasculares podem incidir sobre os olhos (retinopatia); nervos (neuropatia ou rim (nefropatia). Também podem ter cataratas e glaucoma. A neuropatia pode contribuir para lesões a nível dos pés (pé diabético).

 

Outras complicações:

Necrobiose lipoidica e infecções cutâneas.

 

Prognóstico da doença:
Se o controlo da hiperglicemia, da A1c, das gorduras do sangue, da pressão arterial e do peso for eficaz constitui um contributo importante para prevenir as complicações.

A educação terapêutica, a vigilância e a motivação são factores importantes para evitar as complicações.

 

Prof. José Luís Medina,
Professor Catedrático da
Faculdade de Medicina da
Universidade do Porto

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