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Da constipação à pneumonia

pneumonia

Chá de limão com mel, aspirinas, leite quente e muito descanso… Uma imagem recorrente na vivência portuguesa. A constipação e a gripe são doenças cujos sintomas são semelhantes e que, por isso, são muitas vezes menosprezados. Saiba distingui-las, reconhecer os sintomas e como se passa de uma constipação à pneumonia.

A época outonal é propícia ao aparecimento de gripes e constipações e é sempre necessária a prevenção para a pneumonia.

Na maioria das vezes não são detectadas situações complicadas e tudo não passa de uns espirros e umas «fungadelas». No entanto, é necessário ter atenção ao agravamento dos sintomas, porque a situação pode degenerar em pneumonia, com consequências mais sérias.

O Prof. Raul Amaral Marques, médico pneumologista e imunoalergologista no Hospital Particular de Lisboa, explicou à Medicina & Saúde® a diferença de conceitos e os cuidados específicos a ter com estas doenças.

A constipação ou coriza é uma infecção das vias aéreas superiores de etiologia viral. Os sintomas são, por norma, o mal-estar, as dores de garganta, os espirros e o nariz obstruído. Porém, é uma situação que passa com facilidade, sem afectar o indivíduo com gravidade.

Amaral Marques garante que estes vírus respiratórios não são muito agressivos e que não há um tratamento específico:

«Muitas vezes, as pessoas recorrem à automedicação sintomática e recolhem-se em casa, o que é suficiente na maioria dos casos de constipação. É claro que quando os sintomas se agravam, a melhor solução será consultar o médico de família.»

O pneumologista alerta, no entanto, para a frequente precipitação que há, por parte das pessoas, para tomar antibióticos:

«Os antibióticos podem não ser necessários, porque estas doenças não requerem esse tipo de tratamento, uma vez que a causa é viral e não bacteriana.»

A toma de antibióticos pode até ser prejudicial porque, ao destruírem parte da população das bactérias saprófitas, vão originar um desequilíbrio bacteriano e facilitar o desenvolvimento da infecção.

«Além do mais, as bactérias podem criar, com facilidade, resistências aos antibióticos, de modo que a eficácia deste tratamento fica comprometida quando o indivíduo é confrontado com uma pneumonia.

Os antibióticos são o meio de combate mais eficaz contra a pneumonia, logo, se as bactérias já estiverem habituadas àquela substância, levarão mais tempo a ser eliminadas», garante Amaral Marques.

A gripe ou influenza pode assumir contornos mais graves do que as constipações vulgares.

«A inalação de uma grande quantidade de vírus, associada a uma maior agressividade, pode originar como que uma explosão de sintomas. Acontece que os vírus, para se multiplicarem, parasitam as células e fazem milhares de clones, replicam-se, como numa máquina fotocopiadora. Tomam conta do nosso organismo de forma bastante abrupta e rápida», salienta o especialista.

Deste modo, os sintomas são também mais pronunciados e as consequências mais graves, em que as dores musculares, de garganta, o cansaço e as vias nasais entupidas persistem.

Outra das diferenças é que, ao contrário da constipação, passível de surgir em qualquer altura do ano, a gripe aparece por surtos, normalmente, nos meses de Inverno.

No caso desta, Amaral Marques apela para a vacinação:
«Não tem quaisquer inconvenientes, a não ser nas pessoas alérgicas ao ovo, já que a vacina é produzida a partir de ovos. Até as grandes empresas vacinam os seus empregados. Imagine-se uma fábrica de grandes dimensões paralisada, devido a um surto de gripe.»

A pneumonia

Uma das complicações da gripe é a pneumonia. Aliás, é a sua consequência mais grave. Trata-se de um processo mais complexo e implica a alteração da estrutura pulmonar do indivíduo afectado por esta infecção.

«As vias respiratórias são um canal que começa nas vias respiratórias superiores e acaba nos pulmões, a nível alveolar», explica Amaral Marques.

O que acontece em caso de pneumonia é que as bactérias e vírus invadem os pulmões, infectando o parênquima pulmonar. Por isso, é uma doença que exige sempre observação e tratamento médicos. Nalguns casos, é mesmo necessário o internamento dos doentes.

Os sintomas clássicos da febre, da dor torácica e da expectoração podem, muitas vezes, estar mascarados devido a terapêuticas prévias ou sintomáticas. Mas há um sintoma que não pode ser disfarçado, que é o cansaço. Este é, segundo Amaral Marques, um dos principais sintomas da pneumonia, porque é constante. Aqui, a expressão de «não poder com uma gata pelo rabo» faz todo o sentido.

Existem grupos de pessoas em que as consequências da pneumonia são mais graves ou mais difíceis de solucionar. São os chamados grupos de risco e incluem crianças, idosos e indivíduos com doenças crónicas, como a diabetes ou a insuficiência renal, ou com imunodeficiências, como a SIDA ou o cancro.

«Há uma grande ligação entre os infantários e as infecções respiratórias. Os jardins-de-infância são, muitas vezes, locais de grande promiscuidade, sobretudo no Inverno, em que as crianças estão mais recolhidas, num ambiente fechado, o que facilita a propagação das infecções», indica o pneumologista.

O especialista desaconselha, também, nos casos de doentes respiratórios, a frequência de piscinas no Inverno:
«O aumento de temperatura da água obriga a um aumento da quantidade de desinfectantes – mais cloro –, aumentando as probabilidades de inflamação das vias respiratórias. Também, como o ambiente está mais saturado de vapor de água, há maior facilidade na propagação das infecções.»

Amaral Marques alerta, ainda, para a situação dos idosos:
«Os sintomas tendem a ser menos visíveis nas pessoas com mais de 65 anos.

A febre não é tão alta e o cansaço e as dores musculares são atribuídos à velhice.»

Alguns conselhos – Não tomar antibióticos sem aconselhamento médico;
– Estar atento aos sintomas e à sua gravidade;
– A vacinação anual contra a gripe está especialmente aconselhada aos grupos de risco.

Paula Cravina de Sousa

A época outonal é propícia ao aparecimento de gripes e constipações.

Na maioria das vezes não são detectadas situações complicadas e tudo não passa de uns espirros e umas «fungadelas». No entanto, é necessário ter atenção ao agravamento dos sintomas, porque a situação pode degenerar em pneumonia, com consequências mais sérias.

O Prof. Raul Amaral Marques, médico pneumologista e imunoalergologista no Hospital Particular de Lisboa, explicou à Medicina & Saúde® a diferença de conceitos e os cuidados específicos a ter com estas doenças.

A constipação ou coriza é uma infecção das vias aéreas superiores de etiologia viral. Os sintomas são, por norma, o mal-estar, as dores de garganta, os espirros e o nariz obstruído. Porém, é uma situação que passa com facilidade, sem afectar o indivíduo com gravidade.

Amaral Marques garante que estes vírus respiratórios não são muito agressivos e que não há um tratamento específico:

«Muitas vezes, as pessoas recorrem à automedicação sintomática e recolhem-se em casa, o que é suficiente na maioria dos casos de constipação. É claro que quando os sintomas se agravam, a melhor solução será consultar o médico de família.»

O pneumologista alerta, no entanto, para a frequente precipitação que há, por parte das pessoas, para tomar antibióticos:

«Os antibióticos podem não ser necessários, porque estas doenças não requerem esse tipo de tratamento, uma vez que a causa é viral e não bacteriana.»

A toma de antibióticos pode até ser prejudicial porque, ao destruírem parte da população das bactérias saprófitas, vão originar um desequilíbrio bacteriano e facilitar o desenvolvimento da infecção.

«Além do mais, as bactérias podem criar, com facilidade, resistências aos antibióticos, de modo que a eficácia deste tratamento fica comprometida quando o indivíduo é confrontado com uma pneumonia.

Os antibióticos são o meio de combate mais eficaz contra a pneumonia, logo, se as bactérias já estiverem habituadas àquela substância, levarão mais tempo a ser eliminadas», garante Amaral Marques.

A gripe ou influenza pode assumir contornos mais graves do que as constipações vulgares.

«A inalação de uma grande quantidade de vírus, associada a uma maior agressividade, pode originar como que uma explosão de sintomas. Acontece que os vírus, para se multiplicarem, parasitam as células e fazem milhares de clones, replicam-se, como numa máquina fotocopiadora. Tomam conta do nosso organismo de forma bastante abrupta e rápida», salienta o especialista.

Deste modo, os sintomas são também mais pronunciados e as consequências mais graves, em que as dores musculares, de garganta, o cansaço e as vias nasais entupidas persistem.

Outra das diferenças é que, ao contrário da constipação, passível de surgir em qualquer altura do ano, a gripe aparece por surtos, normalmente, nos meses de Inverno.

No caso desta, Amaral Marques apela para a vacinação:
«Não tem quaisquer inconvenientes, a não ser nas pessoas alérgicas ao ovo, já que a vacina é produzida a partir de ovos. Até as grandes empresas vacinam os seus empregados. Imagine-se uma fábrica de grandes dimensões paralisada, devido a um surto de gripe.»

A pneumonia

Uma das complicações da gripe é a pneumonia. Aliás, é a sua consequência mais grave. Trata-se de um processo mais complexo e implica a alteração da estrutura pulmonar do indivíduo afectado por esta infecção.

«As vias respiratórias são um canal que começa nas vias respiratórias superiores e acaba nos pulmões, a nível alveolar», explica Amaral Marques.

O que acontece em caso de pneumonia é que as bactérias e vírus invadem os pulmões, infectando o parênquima pulmonar. Por isso, é uma doença que exige sempre observação e tratamento médicos. Nalguns casos, é mesmo necessário o internamento dos doentes.

Os sintomas clássicos da febre, da dor torácica e da expectoração podem, muitas vezes, estar mascarados devido a terapêuticas prévias ou sintomáticas. Mas há um sintoma que não pode ser disfarçado, que é o cansaço. Este é, segundo Amaral Marques, um dos principais sintomas da pneumonia, porque é constante. Aqui, a expressão de «não poder com uma gata pelo rabo» faz todo o sentido.

Existem grupos de pessoas em que as consequências da pneumonia são mais graves ou mais difíceis de solucionar. São os chamados grupos de risco e incluem crianças, idosos e indivíduos com doenças crónicas, como a diabetes ou a insuficiência renal, ou com imunodeficiências, como a SIDA ou o cancro.

«Há uma grande ligação entre os infantários e as infecções respiratórias. Os jardins-de-infância são, muitas vezes, locais de grande promiscuidade, sobretudo no Inverno, em que as crianças estão mais recolhidas, num ambiente fechado, o que facilita a propagação das infecções», indica o pneumologista.

O especialista desaconselha, também, nos casos de doentes respiratórios, a frequência de piscinas no Inverno:
«O aumento de temperatura da água obriga a um aumento da quantidade de desinfectantes – mais cloro –, aumentando as probabilidades de inflamação das vias respiratórias. Também, como o ambiente está mais saturado de vapor de água, há maior facilidade na propagação das infecções.»

Amaral Marques alerta, ainda, para a situação dos idosos:
«Os sintomas tendem a ser menos visíveis nas pessoas com mais de 65 anos.

A febre não é tão alta e o cansaço e as dores musculares são atribuídos à velhice.»

Alguns conselhos – Não tomar antibióticos sem aconselhamento médico;
– Estar atento aos sintomas e à sua gravidade;
– A vacinação anual contra a gripe está especialmente aconselhada aos grupos de risco.

Paula Cravina de Sousa

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