A sexualidade já não é o que era: a educação sexual é, sem margem para dúvidas, um instrumento indispensável de cultura e de emancipação, e o planeamento familiar transformou-se numa vertente de grande importância para a saúde sexual e reprodutiva e para os comportamentos responsáveis na esfera sexual.
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) a sexualidade é “uma energia que nos motiva a procurar amor, contacto, ternura e intimidade; que se integra no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; é ser-se sensual e ao mesmo tempo sexual; ela influencia pensamentos, sentimentos, acções e interacções e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental”. Nesta acepção, a educação sexual é um meio valiosíssimo de cultura e que contribui para a formação do adolescente.
Os tabus que existiam até há algumas décadas à volta dos temas como a sexualidade vão caindo por terra, hoje qualquer adolescente pode encontrar informação idónea sobre a sua sexualidade consultando fontes como o Portal da Saúde (Ministério da Saúde) ou do Instituto Português da Juventude, os Médicos de Portugal ou a Associação para o Planeamento da Família: aqui o jovem fica a saber o que são doenças transmitidas sexualmente ou quais os riscos que acarreta o sexo não protegido.
É graças ao planeamento familiar que as famílias podem deliberar ter os filhos desejados e na altura desejada. Lê-se num documento da Direcção-Geral da Saúde que “O conceito de saúde reprodutiva implica que as pessoas possam ter uma vida sexual satisfatória e segura, e que tenham a capacidade de se reproduzir e decidir se, quando e com que frequência o fazem. Esta última condição pressupõe o direito de homens e mulheres serem informados e terem acesso a métodos de planeamento familiar da sua escolha, que sejam seguros, eficazes e aceitáveis”.
É aqui que cabe abordar os métodos de contracepção (incluindo a contracepção de emergência), um tema inevitável quando se fala de sexualidade. Em particular, quando se fala de sexualidade na adolescência, prontamente associamos à necessidade de uma educação sexual que começa em casa e que se caracteriza por um diálogo franco e aberto entre adolescentes e os seus encarregados de educação. Livros, brochuras ou folhetos sobre temas neste âmbito (as alterações físicas características da adolescência, a contracepção, a transmissão de doenças transmitidas sexualmente) podem constituir um bom ponto de partida para este diálogo, sendo, ao mesmo tempo, auxiliares no processo de esclarecimento de todas estas questões.
Recorde-se que na farmácia estão disponíveis folhetos que podem servir de base para uma conversa no espaço confidencial com o farmacêutico. Em suma, é no contexto desta educação sexual que devemos estar abertos a todas as matérias que tenham a ver com a saúde reprodutiva nomeadamente a responsabilização do homem e da mulher no contexto do planeamento familiar.
Para além das questões que têm a ver com as doenças transmitidas sexualmente, ganha uma grande importância a sensibilização para o risco de uma gravidez não desejada, situação particularmente crítica quando surge em idades jovens, com tremendos impactos a nível pessoal (na saúde emocional e física), escolar, familiar e social. No âmbito da educação sexual é inevitável abordar-se os métodos de prevenção da gravidez, dos preservativos aos contraceptivos orais. Não devem ser deixadas de fora as situações nas quais um esquecimento, acidente ou descuido, resultam em relações sexuais desprotegidas. Aqui que é importante falar da contracepção de emergência.
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Contracepção de emergência: O que é e como se faz uma utilização responsável
A contracepção de emergência só deve ser usada no caso de uma relação sexual não eficazmente protegida contra uma gravidez não desejada. São exemplo situações como: o esquecimento de uma ou mais pílulas numa mulher que faz habitualmente a contracepção hormonal, o rompimento de um preservativo ou, ainda, a deslocação do diafragma.
Para ter uma eficácia óptima, a pílula do dia seguinte deve ser tomada o mais rapidamente possível após a relação sexual desprotegida, diminuindo essa eficácia quanto mais tempo passa após esta relação.
Esta pílula não é abortiva e se a mulher já estiver grávida não vai alterar o curso da sua gravidez: na verdade, se já houver fecundação quando esta pílula é tomada o medicamento não tem qualquer efeito.
Esclareça-se que, à luz dos conhecimentos actuais, não há indícios de que esta pílula prejudique o feto, se for tomada por uma mulher grávida, embora a única situação em que a contracepção de emergência não deve ser usada é quando existe uma gravidez conhecida, isto precisamente por, nesta situação, não ter qualquer efeito. Porém, esta contracepção de emergência pode provocar reacções adversas.
Com efeito, pode provocar náuseas, vómitos, tonturas, fadiga e irregularidades menstruais. Podem ainda surgir dores de cabeça, tensão mamária e cãibras abdominais. Estas dores podem ser aliviadas com analgésicos e as náuseas e os vómitos (se forem intensos e se prolongarem) com medicamentos específicos tomados cerca de 1 hora antes do contraceptivo (os antieméticos, que podem ter como inconveniente o facto de provocarem alguma sonolência e requererem muita prudência na condução).
Se a mulher vomitar nas primeiras 2-3 horas após a toma da pílula, pode ser recomendável a repetição desta toma, pois o vómito pode ter eliminado o comprimido ou a sua substância activa e ter-se perdido eficácia.
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O que esperar do aconselhamento farmacêutico
Não é de mais insistir que a contracepção de emergência não é um método contraceptivo de uso regular mas sim um recurso. É o uso contínuo e correcto de outros métodos anticoncepcionais que assegura uma protecção mais eficaz ao longo do tempo e a um custo menos dispendioso.
Seja como for, é o único método que pode ser utilizado após a relação sexual para prevenir a gravidez podendo, por isso, ser um importante recurso para a prevenção de gravidezes não desejadas, evitando o recurso ao aborto a pedido da mulher.
Por este motivo, esta opção deve ser do conhecimento de todas as mulheres. Mais uma razão para se tirar partido do aconselhamento farmacêutico e confirmar junto deste profissional reprodutivas situações nas quais a contracepção de emergência é aplicável.
Este aconselhamento deve ajudar a mulher a compreender a utilização deste método de emergência, sensibilizá-la para a sua utilização ocasional, esclarecendo dúvidas quanto à utilização em situações específicas (amamentação, várias relações sexuais desprotegidas…).
O farmacêutico pode igualmente elucidar acerca da natureza dos métodos contraceptivos regulares que são os que devem ser utilizados preferencialmente para evitar uma gravidez não desejada. Junto do seu farmacêutico pode contar com o seguinte aconselhamento:
• Ser alertada para que a pílula seja tomada o mais rapidamente possível após a relação sexual;
• Certificar-se que é um método de contracepção seguro mas para ser usado muito raramente;
• Informar-se que se houver vómito nas primeiras horas após a toma, deve repetir a mesma;
• Se estiver a tomar outros medicamentos informe-se com o seu farmacêutico sobre a possibilidade de ocorrência de interacções;
• Deve consultar o médico ou fazer um teste de gravidez quando há suspeita de gravidez; na necessidade de fazer um teste de gravidez, não saia da farmácia sem lhe ter sido explicado o que deve fazer e interpretar correctamente;• Deve consultar o médico se o período menstrual não surgir na data prevista atrasando-se mais de 1 semana ou se apresentar dores abdominais baixas;
• Mesmo quando a mulher pensa que teve uma relação sexual num período não fértil (dada a quase impossibilidade de prever com exactidão a altura exacta) é adequada a utilização da contracepção de emergência;
• A contracepção de emergência não garante a protecção contraceptiva face a relações sexuais que ocorram após a toma. Assim, até final de um ciclo em que a mulher tenha usado contracepção de emergência, é necessário o recurso a um método contraceptivo de barreira (ex. preservativo) para garantir a protecção contraceptiva, mesmo que a mulher esteja, também, a tomar pílulas contraceptivas;
• Se o seu farmacêutico lhe colocar um conjunto de perguntas quando adquirir esta pílula de contracepção de emergência, responda-lhe com toda a franqueza porque as questões que ele lhe coloca fazem parte de um protocolo destinado a garantir a segurança deste método.
Independentemente deste aconselhamento, importa recordar a quem tomou a contracepção de emergência que convém certificar-se se ela foi efectiva ou não, sendo que a menstruação por princípio deve aparecer na altura habitual, mas caso haja um atraso de alguns dias deve fazer-se um teste de gravidez.
Para melhor esclarecimento destas questões conte sempre com o aconselhamento profissional do seu farmacêutico.
FARMÁCIA SAÚDE – ANF
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