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Cannabináceas

3 Maio, 2008 0

As cannabináceas são compostos derivados de uma planta denominada Cannabis Sativa, que se cultiva em grandes zonas geográficas, uma vez que se adapta tanto a climas quentes como temperados, inclusive secos, sempre que tenha a necessária provisão de água.

A planta é originária das terras que circundam o Mar Negro e o Mar Cáspio. Mas a sua actual concentração nos países do sul, África, América Central e do Sul e Índia tem mais a ver com razões de eficácia da proibição do que com a climatologia.

A Europa, e em particular a Espanha, foram grandes produtoras na primeira metade do século, apesar de ser mais utilizada pela fibra do que pelos seus efeitos psicoactivos. No entanto, este processo de concentração da sua produção nos países do sul está a mudar, e as mudanças culturais e a maior tolerância nos países do norte está a inverter esta tendência.

De facto, actualmente, o primeiro produtor mundial são os Estados Unidos, nomeadamente alguns estados do norte e centro do país.

Estamos perante uma planta cujo cultivo se adapta a praticamente qualquer clima e, uma vez adaptada, pode inclusive integrar-se no novo ecossistema.

Trata-se, portanto, de uma planta originária de uma área limitada, que se espalhou pela acção do ser humano por todo o planeta, mas sempre a partir de um suporte cultural específico, que determinou o ritmo e a direcção desta expansão.

A análise da distribuição da cannabis em África ao longo do século XIX, as diferentes culturas tribais que a aceitaram e que a recusaram, dão um panorama perfeito destes procedimentos (Rubin, 1975).

A sua inclusão nos textos de medicina e farmácia é bastante frequente, sendo a primeira referência a da farmacopeia do imperador Shen Nuna (5.737 anos A.C.). É também citada nos textos sagrados do hinduísmo, especialmente no Atharva Veda (3.000 anos A.C.), talvez introduzido pelos indo-europeus procedentes da área da cannabis.

No ocidente foi sempre uma planta muito popular, defendida por Diaconides e mais tarde, com muito ardor, por Laguna e Galeno. Em todo o caso, as indicações clínicas, como em todas as velhas farmacopeias, são um pouco confusas à luz dos nossos actuais conhecimentos, mas em todas elas parece ser comum a ideia de que é uma planta que ajuda a mitigar o mal-estar provocado por “desarranjos” cíclicos ou crónicos.

Também é uma das primeiras drogas de que temos um testemunho escrito sobre o seu consumo psicoactivo. Heródoto, na “História das Guerras Médicas” conta como os Escitas, (2.500 A.C.) que povoaram a zona de origem da planta, se intoxicavam com ela.

A preferência por ela ao longo da história é constante, surgindo como marcos fundamentais, primeiro a sua expansão no mundo islâmico nos séculos XII e XIII, em parte devido ao movimento ismaelita e em particular pela seita dos hachixins; segundo, a sua ligação ao estado Mameluco no Egipto, tolerante com a utilização da cannabis como um sinal exterior de diferença entre os integrados e os excluídos da sociedade, cuja descrição aparece nas “Mil e uma Noites” e, finalmente, a campanha de Napoleão no Oriente, que reintroduziu a cannabis nos círculos letrados europeus.

Este último acontecimento foi a catapulta para que esta droga , que já estava ligada a uma forma de hegemonia cultural na Europa, configurasse um complexo socio-cultural que, a partir dos anos 60 e dos movimentos de contra-cultura, se expandiu por todo o planeta.

Apresentação. Vias de administração

Há três formas de consumo: “marijuana ou erva”, preparada a partir das folhas secas, flores e pequenos troncos da Cannabis Sativa; “haxixe”, que se elabora prensando a resina da planta fêmea e se transforma numa barra de cor castanha, com o nome coloquial de “chamom”. O seu conteúdo em THC (até 20%) é superior ao da marijuana (de 5% a 10%), pelo que a sua toxicidade é potencialmente maior. Finalmente, existe um liquido concentrado conhecido como “óleo de cannabis ou óleo de haxixe”; obtém-se misturando a resina com um dissolvente, como a acetona, o álcool ou a gasolina, que se evapora em grande medida e dá lugar a uma mistura viscosa, cujas quantidades em THC são muito elevadas (até 85%).

Já que o THC não se dissolve na água, as únicas formas de consumo para os seres humanos são a ingestão e a inalação. Normalmente fuma-se misturada com tabaco em forma de cigarros feitos à mão. O fumo da cannabis alcança altas temperaturas, pelo que os seus utilizadores colocam no cigarro grandes filtros com a finalidade de evitar queimaduras na garganta.

Outra forma de fumar a cannabis é com cachimbos feitos especialmente para esse fim. No entanto, em algumas culturas próprias da África ou do Caribe persiste a velha prática de beber tisanas feitas com esta droga e água. Apesar do seu sabor ser amargo, é utilizado como ingrediente em doçaria e rebuçados.

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