Normalmente, começam assim, com um espirro. Segue-se a tosse, a dor de cabeça, o mal-estar e podendo chegar às famosas gripes e constipações.
Gripes e constipações são termos que se confundem, mas que, na realidade, diferem tanto na gravidade dos sintomas como no agente que as causa. As constipações produzem algum mal-estar, mas, na generalidade dos casos, não adquirem proporções graves.
«Os sintomas como a febre ou o cansaço não são tão intensos como acontece em caso de gripe», garante o Prof. Bugalho de Almeida, pneumologista.
A constipação é causada por um conjunto de vírus: os adenovírus, os rinovírus, ou os coronavírus. É uma infecção simples do trato respiratório superior que afecta o nariz e a garganta. Os sintomas surgem de um a três dias após de o indivíduo entrar em contacto com o vírus e, na maioria dos casos, podem durar até uma semana.
Já a gripe é uma infecção respiratória causada pelo vírus influenza e corresponde a uma situação mais gravosa, cujos sintomas são impossíveis de ignorar. Aliás, são muito frequentes e quase todos já os sentiram «na pele». Febre alta, suores, calafrios, dores musculares, cansaço, mal-estar, nariz obstruído, tosse e dor de cabeça é a sintomatologia que se revela.
A gripe é altamente contagiosa e dissemina-se com grande facilidade.
«Os locais fechados, como os transportes públicos, os escritórios ou os infantários, são locais propícios à contaminação», afirma Bugalho de Almeida.
Acontece que quando alguém espirra ou tosse são libertadas gotículas portadoras do vírus que atingem com facilidade quem está em volta. Uma vez em contacto com um novo organismo, o vírus fixa-se nas vias respiratórias e replica-se, como uma fotocópia, atacando não só as vias aéreas superiores como também pode atingir os pulmões.
O especialista diz que «este vírus tem uma grande capacidade para causar problemas no ser humano».
Por ano, a gripe pode afectar milhões de indivíduos e é uma das grandes responsáveis pelo absentismo laboral ou escolar. Este tipo de problema surge mais no Outono e no Inverno, porque o vírus não suporta as temperaturas altas do Verão.
Bugalho de Almeida alerta para as consequências que a gripe pode ter: «A gripe pode matar per si ou pelas complicações que possam surgir. Pode haver uma infecção bacteriana e pode, inclusive, haver uma coexistência do vírus influenza com uma pneumonia bacteriana, com complicações muito sérias.»
E estas consequências são muito problemáticas, sobretudo nos idosos.
Mais vale prevenir…
Outra das características do vírus é a sua capacidade de mutação, evoluindo de ano para ano, de modo que o organismo humano não consegue produzir anticorpos que o protejam do influenza.
No entanto, o pneumologista considera que a vacinação é o método mais eficaz de prevenção.
«O melhor método de prevenção é, ainda, a vacinação», garante, «e a melhor altura para a vacinação é o início do Outono, no final de Setembro e início de Outubro, mas pode fazer-se em qualquer altura. É importante ter presente que a vacina só faz efeito a partir dos 15 dias posteriores à toma da mesma, para que o organismo tenha tempo suficiente de criar os anticorpos necessários à sua defesa».
A vacina estimula a produção de anticorpos que neutralizam a capacidade do vírus de se fixar nas vias respiratórias e de se multiplicar. O influenza tem na sua superfície proteínas responsáveis por aquelas duas funções, a de fixação e a de libertação. A vacina vai impedir a acção destas proteínas.
As contra-indicações para este tipo de vacina são muito poucas. Ela é contra-indicada em indivíduos que têm alergia aos ovos, uma vez que é produzida a partir de ovos, e em indivíduos com uma manifesta intolerância à vacina, em que tenham manifestado alergia a este tipo de vacinação em episódios anteriores.
Os grupos de risco, e que devem ser vacinados, são essencialmente os idosos, as crianças e pessoas cujas defesas estejam fragilizadas, como as que sofrem de doenças respiratórias, cardíacas ou renais ou estejam sujeitos a tratamentos de quimioterapia, por exemplo.
Porém, o pneumologista considera que «há determinados grupos profissionais que também devem vacinar-se, como os profissionais da saúde, por exemplo».
Bugalho de Almeida diz também que «já há empresas a oferecer a vacina aos seus trabalhadores, para prevenir uma epidemia e uma quebra na produção».
O especialista afirma que a vacina protege os adultos saudáveis até 70% e nos idosos que estejam em lares o nível de protecção vai de 50 a 60% das hospitalizações e da pneumonia que ela pode originar. A vacina previne até 80% dos casos de morte nos idosos. No caso de idosos que não estejam inseridos em lares a percentagem é um pouco menor, situando-se nos 30%, uma vez que estão mais expostos à acção do vírus e o controlo não é tão apertado e sistemático como nos lares. Daí o importante cuidado com as gripes e constipações
«A PROTECÇÃO QUE PROPORCIONA ESTA VACINA COMPENSA A PICADELA QUE SE LEVA», CONCLUI BUGALHO DE ALMEIDA.
As «faces» da gripe
O vírus da gripe, o influenza, tem três tipos. A saber:
Tipo A – é dos mais comuns e provoca a doença moderada a severa em todas as faixas etárias, em humanos e animais, e pode causar epidemias;
Tipo B – afecta apenas humanos, principalmente crianças e causa epidemias leves, sendo também dos mais comuns;
Tipo C – não é epidémico.