A dor e dificuldade de mobilização das articulações das mãos podem ser contornadas através de uma cirurgia que visa principalmente permitir que os doentes com osteoartrose e artrite recuperem a sua qualidade de vida.
A cirurgia da mão está indicada para alguns casos de artroses e artrite, num estágio avançado em que se regista a destruição das articulações. Na fase inicial da doença, estes doentes são acompanhados pelo reumatologista que os aconselha a seguir dada medicação.
Com a evolução do quadro clínico (deterioração das articulações), é indicada a realização de uma intervenção cirúrgica, uma vez que “se tratam de doentes com bastantes limitações ao nível do desempenho de tarefas básicas diárias, por terem articulações dolorosas que lhes limitam a mobilidade”, afirma João Mota da Costa, cirurgião plástico dedicado à cirurgia do punho e mão do centro de ortopedia e traumatologia do hospitalcuf descobertas.
Indicação de realização de cirurgia
Segundo explica, existem duas patologias que podem ser alvo de cirurgia com artroplastias do punho e mão. São elas a osteoartrose primária ou secundária da mão e as artrites inflamatórias.
A osteoartrose primária do punho e da mão caracteriza-se por “ser uma doença degenerativa que afecta, principalmente, a articulação trapeziometacárpica do polegar. Atinge também – secundariamente- as articulações interfalângicas proximais e distais dos dedos”.
A patologia é mais prevalente em mulheres com idades compreendidas entre os 50 e os 60 anos e que se encontram, portanto, nas fases pré e pós-menopausica, clarifica o cirurgião plástico da mão.
Este tipo de cirurgia está também recomendada para tratar os principais tipos de artrite inflamatória: artrite reumatóide, psoriática e a artrite do lúpus. São casos clínicos relacionados com processos inflamatórios das articulações que apresentam em comum com as osteoartroses, a destruição articular, embora não traduzam uma situação clínica degenerativa mas sim inflamatória. “Estes casos de artrite afectam quase todas as articulações, ou seja, o punho, as metacarpicofalângicas e as interfalangicas.
Normalmente, as articulações mais afectadas pela artrite reumatóide são as do punho e as metacarpicofalângicas”, descreve o especialista.
Tipos de cirurgia
Recomendam-se as sinovectomias para tratar as artrites reumatóides ou inflamatórias nas fases iniciais. O seu objectivo é “limpar a inflamação das articulações, através da remoção da sinovite e, quando já há destruição articular, substituem-se as articulações por próteses, com o recurso a artroplastias”, afirma Mota da Costa.
Segundo explica, há proteses para adaptar ao punho, às metacarpicofalângicas e as interfalângicas.
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“Estão indicadas para os casos clínicos de osteoartrose, artrite reumatóide e artroses traumáticas, porque qualquer das articulações descritas destruída pode ser substituída por uma prótese”. Acrescenta que “podem também aplicar-se próteses na base do polegar que podem substituír essa articulação, embora haja uma técnica que permite fazer essa cirurgia sem as usar.
Retira-se o trapézio – o osso envolvido- e é usada uma técnica com parte de um tendão para reconstruir o ligamento que une o primeiro metacarpiano ao segundo e fazer uma interposição para evitar que haja um colapso após retirar o osso, retomando a pessoa a sua actividade com o polegar sem dor”. Este procedimento cirurgico é bem vindo no caso das artroses na base do polegar, dado o facto de também não se estar a usar material estranho.
Mota da Costa sublinha, contudo, que a mesma cirurgia não é recomendada para os casos das outras articulações (punho, metacarpofalângica e interfalângicas onde o uso de prótese é indicado). “É mais difícil obter bons resultados de mobilidade nestas articulações sem a aplicação de próteses”, justifica.
As próteses foram evoluindo ao longo do tempo (caixa) e vieram solucionar o problema da dor e mobilidade, através da substituição das articulações doentes por artificiais, devendo ser aplicadas em doentes que desenvolvam uma actividade física ligeira.
Geralmente, os doentes iniciam um programa de mobilização entre os oito dias e as três semanas e são submetidos a uma fisioterapia que pode chegar até aos dois meses, “sendo esta quase tão importante como a cirurgia”, frisa Mota da Costa.
A voz dos doentes intervencionados
Filipe Salvado e Maria Isabel Morte conhecem bem o impacto da realização da artroplastia da mão no aumento da qualidade de vida. Com diferentes profissões, viveram na primeira pessoa as limitações derivadas da difícil mobilidade da mão originadas por causas distintas.
Devido a um acidente de viação, Filipe não dobrava um dos dedos e não conseguia mexer os outros nem fechar a mão, mas encontrou na artroplastia a solução para o seu problema. “Foi colocada uma prótese de piro carbono no 5º dedo da mão esquerda que lhe devolveu a vida, graças ao excelente trabalho da equipa do Dr. Mota da Costa e às várias e dolorosas sessões de fisioterapia.
Concluindo, voltei a ter a mão funcional!” Maria Isabel Morte tinha artroses num dos dedos anulares da mão esquerda e dores que condicionavam o desempenho de tarefas básicas diárias. A farmacêutica reformada afirma que “a cirurgia lhe trouxe muito mais qualidade de vida, pois, agora pode fazer as tarefas domésticas sem dores, embora com algumas limitações”.
Alimentos contra-indicados no caso da artrite reumatóide
São de evitar as carnes de animais jovens como, por exemplo, de borrego, vitela e frango, por agravarem as queixas dos doentes.
Evolução do tipo de próteses
1 – Próteses do punho em silicone (duração limitada)
2 – Próteses do punho em crómiocobalto (duração limitada e eventual uso de cimento para fixação)
3 – Próteses do punho em pirocarbono (são mais macias em relação ao osso e fixam-se directamente no canal do osso, sem necessitarem de cimento)
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