X
    Categories: InformaçõesPrevençãoSaúde Pública

ALT e Fígado

As funções do fígado são múltiplas e variadas. Há quem diga que elas são cinco mil. E vão desde a síntese de proteínas, de colesterol, armazenamento de vitaminas, reserva energética, eliminação de substâncias tóxicas exteriores aos organismo (medicamentos, drogas, álcool) e de tóxicos produzidos pelo próprio. Tem também uma função muito importante na síntese de substâncias com papel fulcral na coagulação do sangue e na defesa contra infecções.

O funcionamento do fígado é muito complexo e as actividades são inúmeras, sendo impossível a sua avaliação através de uma única análise ao sangue ou um qualquer exame, por exemplo uma ecografia. Para uma avaliação correcta do seu estado, é necessário, além do exame médico sempre imprescindível, conjugar os resultados de vários testes sanguíneos a par de outros exames (ecografia, endoscopia, biopsia, etc).

Os testes são múltiplos: hemograma, plaquetas, tempo de protrombina, AST, ALT (as chamadas transaminases), GGT, fosfatase alcalina, bilirrubina, albumina, os marcadores dirigidos à avaliação das hepatites víricas (A, B ou C).

Calcula-se que, em Portugal, 10% da população possa ter alteração das análises do fígado (as chamadas provas hepáticas). Ou seja, talvez um milhão de portugueses tem pelo menos um exame laboratorial do fígado alterado. Como é evidente, não se torna prático, nem faz muito sentido, pedir a lista exaustiva dos exames acima referidos.

Tem sido prática corrente considerar uma delas como a mais importante para a detecção de qualquer eventual anomalia na função hepática. Trata-se da ALT. É um teste sanguíneo, muito fácil de realizar em qualquer laboratório, barato, em que é necessário apenas uma pequena quantidade de sangue.

 

Fígado mais saudável

A ALT (Aspartato aLaninoTransferase) é, também, chamada de TGP (transaminase glutâmico pirúvica). A Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) recomenda que se inclua a ALT nas análises ditas de rotina, à semelhança do que se faz com o hemograma, glicémia, colesterol, etc. Isto numa perspectiva de detecção precoce de qualquer doença que se possa curar, ou impedir o seu agravamento. O fígado é um orgão em que os sintomas podem ser inexistentes ou só surgirem numa fase muito tardia. Pode existir uma cirrose hepática sem qualquer tipo de sintoma…

As recomendações vão hoje no sentido de considerar que os valores normais são de 19 UI/L na mulher e 30 UI/L no homem. Quais são as causas principais, responsáveis pela elevação da ALT? São três: hepatite C, consumo excessivo de álcool e acumulação de gordura no fígado (esteatose ou esteatohepatite não alcoólica). Outras situações podem provocar a elevação da ALT (medicamentos, produtos naturais, hepatite A, etc).

Qualquer uma daquelas três pode evoluir para cirrose ou cancro do fígado (carcinoma hepatocelular). O mais importante é que se pode intervir do ponto de vista médico. Claro que, para a avaliação precisa da situação, são necessários mais exames, mas a ALT já nos pode dar uma pista preciosa. A elevação da ALT está associada ao aumento do risco de morte.

O que há a fazer: a hepatite C tem cura em 50% dos casos com dois medicamentos: os chamados interferão Peguilado e ribavirina; no caso do álcool recomenda-se a sua abstenção ou que não seja consumido em doses excessivas: duas a três bebidas no homem e uma a duas na mulher por dia; no caso da esteatose, correcção dos seus factores de risco que são o excesso de peso, a diabetes ou a elevação do colesterol ou triglicéridos. Para um fígado mais saudável!

 

Prof. Rui Tato Marinho
Presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF)

O funcionamento do fígado é muito complexo e as actividades são inúmeras, sendo impossível a sua avaliação através de uma única análise ao sangue ou um qualquer exame, por exemplo uma ecografia. Para uma avaliação correcta do seu estado, é necessário, além do exame médico sempre imprescindível, conjugar os resultados de vários testes sanguíneos a par de outros exames (ecografia, endoscopia, biopsia, etc).

Os testes são múltiplos: hemograma, plaquetas, tempo de protrombina, AST, ALT (as chamadas transaminases), GGT, fosfatase alcalina, bilirrubina, albumina, os marcadores dirigidos à avaliação das hepatites víricas (A, B ou C).

Calcula-se que, em Portugal, 10% da população possa ter alteração das análises do fígado (as chamadas provas hepáticas). Ou seja, talvez um milhão de portugueses tem pelo menos um exame laboratorial do fígado alterado. Como é evidente, não se torna prático, nem faz muito sentido, pedir a lista exaustiva dos exames acima referidos.

Tem sido prática corrente considerar uma delas como a mais importante para a detecção de qualquer eventual anomalia na função hepática. Trata-se da ALT. É um teste sanguíneo, muito fácil de realizar em qualquer laboratório, barato, em que é necessário apenas uma pequena quantidade de sangue.

 

Fígado mais saudável

A ALT (Aspartato aLaninoTransferase) é, também, chamada de TGP (transaminase glutâmico pirúvica). A Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) recomenda que se inclua a ALT nas análises ditas de rotina, à semelhança do que se faz com o hemograma, glicémia, colesterol, etc. Isto numa perspectiva de detecção precoce de qualquer doença que se possa curar, ou impedir o seu agravamento. O fígado é um orgão em que os sintomas podem ser inexistentes ou só surgirem numa fase muito tardia. Pode existir uma cirrose hepática sem qualquer tipo de sintoma…

As recomendações vão hoje no sentido de considerar que os valores normais são de 19 UI/L na mulher e 30 UI/L no homem. Quais são as causas principais, responsáveis pela elevação da ALT? São três: hepatite C, consumo excessivo de álcool e acumulação de gordura no fígado (esteatose ou esteatohepatite não alcoólica). Outras situações podem provocar a elevação da ALT (medicamentos, produtos naturais, hepatite A, etc).

Qualquer uma daquelas três pode evoluir para cirrose ou cancro do fígado (carcinoma hepatocelular). O mais importante é que se pode intervir do ponto de vista médico. Claro que, para a avaliação precisa da situação, são necessários mais exames, mas a ALT já nos pode dar uma pista preciosa. A elevação da ALT está associada ao aumento do risco de morte.

O que há a fazer: a hepatite C tem cura em 50% dos casos com dois medicamentos: os chamados interferão Peguilado e ribavirina; no caso do álcool recomenda-se a sua abstenção ou que não seja consumido em doses excessivas: duas a três bebidas no homem e uma a duas na mulher por dia; no caso da esteatose, correcção dos seus factores de risco que são o excesso de peso, a diabetes ou a elevação do colesterol ou triglicéridos. Para um fígado mais saudável!

 

Prof. Rui Tato Marinho
Presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF)

admin: