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Adesão á terapêutica: primeiro passo para controlar a diabetes

3 Dezembro, 2010 0

 

Que conselhos gerais dá aos doentes diabéticos de forma a terem a sua doença devidamente controlada?

O melhor cuidado geral a dar às pessoas com diabetes é que sejam cidadãos responsáveis. Sejam exigentes em relação ao que lhes é devido pelo Estado onde vivem: cuidados de saúde de qualidades prestados por equipas de saúde devidamente treinadas, acesso a terapêuticas adequadas e a programas de acompanhamento rigorosos, nomeadamente na avaliação laboratorial correcta, avaliação periódica dos pés e dos olhos. Por outro lado, deverão ser exigentes consigo próprios. A diabetes e o seu controlo não são exteriores à pessoa com diabetes, dependem dela própria. Será sempre ela que reflectirá o efeito do tratamento sabendo que é possível manter e melhorar a qualidade de vida.

No que respeita à adesão à terapêutica, quais as maiores dificuldades dos doentes diabéticos?

As pessoas com diabetes têm de integrar na sua vida diária, pessoal, familiar, social, um conjunto de terapêuticas que passa desde uma mudança de estilos de vida – alimentação e actividade física – a uma polimedicação que normalmente inclui um ou mais comprimidos para a diabetes. São eles: antidiabéticos orais (e/ou insulina), um ou mais medicamento para a tensão arterial (antihipertensores), um medicamento para o colesterol (antidislipidemiante), além de outra medicação que poderão ter de fazer. Além da terapêutica referida, têm normalmente necessidade de fazer a pesquisa de glicemia capilar (auto-vigilância do açúcar no sangue) e, de acordo com o resultado, adaptar a sua terapêutica (alimentar, exercício ou medicamentos).

É portanto uma medicação complexa, baseada em regras, nem sempre fáceis de apreender, muitas vezes variáveis com o tempo e dependente na quase totalidade do tempo da pessoa com diabetes – o verdadeiro gestor da sua doença.

 

Quais as consequências da falta de adesão à terapêutica nos doentes diabéticos?

A falta de adesão à terapêutica leva a piores resultados de saúde para a pessoa com diabetes associada ao aparecimento de complicações tardias (oculares, renais, neurológicas e circulatórias) e consequentemente maiores custos para si, família e sociedade.
É também uma causa de frustração para a pessoa com diabetes e para as equipas de saúde o que facilita a entrada num círculo vicioso de perpétuo agravamento e desmotivação.

 

Como motivar os doentes a cumprir o processo terapêutico recomendado?

A motivação das pessoas com diabetes passa sempre por um processo de educação liderado por profissionais de saúde com competências técnicas na área das terapêuticas farmacológicas e da educação terapêutica. Este processo parte do levantamento das representações, crenças e necessidades da pessoa com diabetes para uma negociação de um processo terapêutico. Na prática, e sendo a diabetes uma doença crónica, o que se procura induzir é um processo de mudança progressiva e sustentada e que a longo prazo permita uma aceitação do processo terapêutico mantendo ou melhorando a qualidade de vida.

 

Quais as vantagens de seguir correctamente as recomendações médicas num doente diabético?

A terapêutica adequada à pessoa com diabetes é aquela que lhe evite descompensações agudas (hipo ou hiperglicemias), minimize o risco de vir a ter complicações tardias e mantenha ou melhore a qualidade de vida. Por outro lado, é sempre uma terapêutica que deverá variar com factores, tais como crescimento ou envelhecimento, aparecimento de outras doenças, mudanças sociais (alteração de trabalho ou horários), interacções com outros parceiros (por exemplo, os pais das crianças com diabetes, ou o companheiro da pessoa com diabetes).

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