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Acerca do tabaco e da DPOC: O tabaco, como factor único, é a causa número um de sofrimento e morte no mundo.

5 Novembro, 2007 0

Para além das consequências respiratórias que provoca, é oportuno lembrar que o fumo de tabaco causa também doenças cardio e cérebro-vasculares, como, por exemplo, cancro da boca, laringe, pulmão, esófago.

No homem, um terço das neoplasias são atribuídas ao tabaco e está na origem da diminuição das defesas contra as infecções e perturbações da função reprodutiva e sexual.

Uma redução da prevalência de tabagismo na população trará, a médio e longo prazo, um muito significativo decréscimo de custos directos e indirectos relacionados com as patologias com forte associação ao tabagismo – Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), cancro do pulmão, doença coronária, entre outros.

Mais: do ponto de vista humano, será uma incomensurável mais valia, por drástica redução do número anos de vida perdidos por morte prematura e incapacidade, para além de uma melhoria geral da qualidade de vida da população.

Recordo que o fumo passivo se associa na criança a maior incidência de manifestações alérgicas, de infecções de otorrinolaringologia e do tracto respiratório inferior e a um maior risco de morte súbita do lactente; no adulto, o companheiro do fumador tem maior risco cardio-vascular e de cancro das vias respiratórias.

Sintomas da DPOC

A DPOC é uma doença prevenível e tratável, mas uma vez instalada, e se persiste o hábito tabágico, tende a progredir lentamente, podendo culminar na insuficiência respiratória. Quando a evolução da DPOC é assim desfavorável, as actividades do dia-a-dia – subir escadas, andar, tomar banho, vestir-se –tornam-se penosas e difíceis de realizar.

Estima-se que, entre nós, a DPOC esteja presente em cinco a seis por cento dos portugueses em idade activa. Crê-se, consensual e universalmente, de que pelo menos 20 por cento dos fumadores virão a desenvolver DPOC.

Na DPOC, os sintomas mais frequentes são, numa fase inicial, o aumento da produção da expectoração e a tosse diária e, mais tarde, um cansaço progressivo. O diagnóstico de DPOC é confirmado pela espirometria.

A espirometria é um exame essencial, não apenas para o diagnóstico de DPOC, mas também para a avaliação do grau de gravidade da doença e para a orientação da terapêutica. Os resultados da espirometria chegam a ter valor prognóstico. A DPOC, em Portugal, está claramente subdiagnosticada.

Considera-se que o desenvolvimento de uma rede de espirometria a nível dos cuidados primários deverá ser uma intervenção prioritária para uma correcta actuação face à DPOC.

Para quem já foi diagnosticada DPOC, é essencial deixar de fumar porque é a medida mais importante para impedir o agravamento da doença. Mesmo parando de fumar depois dos 60 anos, está demonstrado haver melhoria da sobrevida. Valerá sempre a pena pois é dificilmente contabilizável o sofrimento individual e familiar que envolve a DPOC (e o cancro do pulmão).

Uma boa parte de todo este quadro seria evitável pela evicção tabágica,, necessariamente suportada por uma legislação actuante – e não parcialmente actuante, como a que foi aprovada – sobre o consumo de tabaco.

Em Portugal, existe já uma associação de cidadãos com DPOC e outras doenças respiratórias crónicas (RESPIRA). O objectivo da RESPIRA consubstancia o lema para o Dia Mundial da DPOC de 2007, no próximo dia 14 de Novembro: “Sem fôlego, mas não sem ajuda”.

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