É em silêncio que uma criança se afoga: alguns segundos e uma pequena quantidade de água bastam. Em tempo de férias, há que prevenir e apostar em mergulhos seguros.
As férias são momentos de prazer e descontracção, longe do bulício e da azáfama do quotidiano no trabalho ou na escola. Mas, quando há crianças por perto, nunca se pode estar completamente descontraído.
Porque os acidentes acontecem. E acontecem com demasiada frequência quando as brincadeiras envolvem mergulhos na piscina ou no mar.
Todos os anos os noticiários televisivos e as páginas dos jornais fazem eco de afogamentos infantis, em piscinas privadas ou de aldeamentos turísticos, em praias fluviais ou marítimas. São notícias quase sempre com um desfecho fatal, a chamar a atenção para a importância de vigiar as crianças em tempo de férias.
Pode não parecer, mas a água exerce uma atracção extraordinária sobre as crianças: as mais pequenas fascinam-se com o brilho, com o movimento, com os sons, com o facto de os objectos flutuarem. As mais velhas são atraídas pela aventura dos mergulhos mais ou menos profundos, perdendo-se na vontade de tirar partido da versatilidade oferecida por uma piscina ou pelas ondas do mar.
Esta atracção pode torná-las arrojadas, potenciando brincadeiras pouco seguras. Sobretudo quando há mais do que uma criança envolvida, é fácil acontecer um acidente: uma corrida à volta da piscina, uma escorregadela ou um empurrão. Mesmo quando a criança sabe nadar o afogamento é um risco. Que se concretiza em poucos segundos e em silêncio. Não há gritos nem movimentos bruscos, tudo acontecendo sem sobressaltos, sem chamar a atenção. Daí que, quando o afogamento é detectado, muitas vezes já seja tarde demais.
Pela dimensão do perigo, todos os cuidados são poucos. Sobretudo nesta altura do ano em que as férias se passam, muitas vezes, em casas alugadas, com piscina mas sem vigilância. O ideal de segurança seria que todas as piscinas – incluindo as de casa e as de condomínios privados – fossem protegidas por uma vedação, de modo a limitar o acesso das crianças mais pequenas. É que muitos dos acidentes não acontecem quando a criança está dentro de água, mas por escorregar e cair acidentalmente na piscina. Com uma rede e uma porta a manter as distâncias, é mais seguro brincar nas proximidades.
Na hora de aproveitar a piscina, é essencial que a criança – se não souber nadar – use braçadeiras ou um colete adequado. As bóias são menos seguras, na medida em que a criança se pode atrapalhar. Pode igualmente atrapalhar-se com colchões e outros brinquedos, pelo que a sua presença na água deve ser limitada ao indispensável para a diversão. E quando a piscina não estiver a ser utilizada estes objectos devem ser retirados: que podem atrair a curiosidade infantil, levando a criança a debruçarse para os agarrar e potenciando o risco de uma queda.
[Continua na página seguinte]
O mesm
Sempre com vigilância
Muita da segurança passa pela vigilância humana. As crianças não devem ser deixadas sozinhas na piscina. Nem perto dela. Em reuniões sociais, é fácil os adultos descurarem a atenção, distraídos que estão com a conversa ou outros afazeres.
Mas convém que haja sempre um de guarda aos mais pequenos, porque os acidentes acontecem quando menos se espera.o cuidado deve ser aplicado aos banhos de banheira. Mesmo quando a água é pouca. Porque basta que o adulto saia para atender o telefone ou abrir a porta: uma escorregadela é suficiente para a cabeça da criança ficar submersa e ela não conseguir virar-se.
Os acidentes em tão pouca quantidade de água parecem improváveis, mas a realidade demonstra que acontecem.
Na banheira, como em tanques rurais ou num simples balde de água. São muitas as circunstâncias que podem jogar contra uma criança nesta relação com a água.
Na praia, além da água, entram em jogo a temperatura, as correntes, os declives naturais, as rochas. Num lago, num rio ou no mar, tudo pode mudar subitamente, apanhando desprevenidos os banhistas e, por maioria de razão, as crianças.
Daí a necessidade de serem acompanhadas por um adulto e ensinadas a respeitar algumas regras de segurança, como nadar ao longo da costa e não em direcção ao horizonte, como saltar em vez de mergulhar, como permanecer nas áreas designadas para a natação.
Porque a praia ainda é o destino de férias da maioria dos portugueses, o melhor é prevenir os acidentes e fazer dos momentos à beira da água momentos à prova de afogamento.
Prevenir os acidentes
As férias são momentos de descoberta de novos locais para toda a família, momentos que os pais desejam de descanso mas que para as crianças implicam uma maior liberdade e maior actividade. Para que estes objectivos se cumpram em segurança, a APSI deixa alguns conselhos:
• Faça o reconhecimento do local mesmo antes de desfazer as malas;
• Verifique os potenciais factores de insegurança no exterior e interior;
• Adopte medidas de precaução (se necessário) e estabeleça regras, nomeadamente sobre a utilização da piscina e os banhos no mar;
• Informe-se sobre os serviços de saúde locais e mantenha sempre consigo os respectivos contactos.
[Continua na página seguinte]
Mergulhos mais seguros
Para mergulhos mais seguros, há algumas regras simples mas essenciais que convém respeitar:
• Ensine as crianças a nadar;
• Se não souberem nadar, coloque-lhes braçadeiras ou um colete insuflável;
• Não as deixe sozinhas na piscina ou junto ao mar; as mais pequenas também não devem ser deixadas sós na banheira;
• Verifique a profundidade antes de as deixar mergulhar;
• Ensine-as a nadar apenas nas zonas em que é permitido;
• Remova brinquedos e bóias da piscina;
• Proteja a piscina com uma vedação e mantenha o acesso fechado se a piscina não estiver a ser usada.
Pela segurança infantil
“Os acidentes são a maior causa de morte nas crianças e jovens em Portugal. Quase todos podem ser evitados. É por isso que a APSI existe!”. Este é o manifesto da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI), uma Instituição Particular de Solidariedade Social fundada em 1992.
O seu objectivo é a redução do número e da gravidade dos acidentes e das suas consequências nas crianças e jovens, o que a leva a intervir nos ambientes em que acontecem mais acidentes – rodoviário, doméstico, escolar, de lazer, desportivo e aquático.
A APSI propõe-se ainda agir em defesa dos direitos da criança e da família e na promoção da cidadania, em defesa da qualidade de vida das crianças e dos jovens para um desenvolvimento pleno e saudável e na criação de ambientes promotores de saúde.
Actua a nível nacional e internacional na definição de políticas e estratégias para o combate aos acidentes, difundindo igualmente a mensagem da urgência da prevenção de acidentes através de acções de informação, formação e investigação.
É ainda seu propósito promover a união de esforços entre aqueles que devem, podem ou querem agir para controlar este problema, motivo que a levou a associar-se à fundação da Plataforma Saúde em Diálogo, entidade de solidariedade e entreajuda criada sob a égide da Associação Nacional das Farmácias.
São os seguintes os contactos da APSI:
• Morada: Vila Berta, 7, r/c esq. (Graça), 1170-400 Lisboa;
• Tel: 21 884 4100;
• Fax: 21 884 41 09;
• Horário de atendimento – dias úteis das 09.30 às 13.00 e das 14.30 às 17.30;
• E -mail: apsi@apsi.org.pt;
• Internet: www.apsi.org.pt.
As férias são momentos de prazer e descontracção, longe do bulício e da azáfama do quotidiano no trabalho ou na escola. Mas, quando há crianças por perto, nunca se pode estar completamente descontraído.
Porque os acidentes acontecem. E acontecem com demasiada frequência quando as brincadeiras envolvem mergulhos na piscina ou no mar.
Todos os anos os noticiários televisivos e as páginas dos jornais fazem eco de afogamentos infantis, em piscinas privadas ou de aldeamentos turísticos, em praias fluviais ou marítimas. São notícias quase sempre com um desfecho fatal, a chamar a atenção para a importância de vigiar as crianças em tempo de férias.
Pode não parecer, mas a água exerce uma atracção extraordinária sobre as crianças: as mais pequenas fascinam-se com o brilho, com o movimento, com os sons, com o facto de os objectos flutuarem. As mais velhas são atraídas pela aventura dos mergulhos mais ou menos profundos, perdendo-se na vontade de tirar partido da versatilidade oferecida por uma piscina ou pelas ondas do mar.
Esta atracção pode torná-las arrojadas, potenciando brincadeiras pouco seguras. Sobretudo quando há mais do que uma criança envolvida, é fácil acontecer um acidente: uma corrida à volta da piscina, uma escorregadela ou um empurrão. Mesmo quando a criança sabe nadar o afogamento é um risco. Que se concretiza em poucos segundos e em silêncio. Não há gritos nem movimentos bruscos, tudo acontecendo sem sobressaltos, sem chamar a atenção. Daí que, quando o afogamento é detectado, muitas vezes já seja tarde demais.
Pela dimensão do perigo, todos os cuidados são poucos. Sobretudo nesta altura do ano em que as férias se passam, muitas vezes, em casas alugadas, com piscina mas sem vigilância. O ideal de segurança seria que todas as piscinas – incluindo as de casa e as de condomínios privados – fossem protegidas por uma vedação, de modo a limitar o acesso das crianças mais pequenas. É que muitos dos acidentes não acontecem quando a criança está dentro de água, mas por escorregar e cair acidentalmente na piscina. Com uma rede e uma porta a manter as distâncias, é mais seguro brincar nas proximidades.
Na hora de aproveitar a piscina, é essencial que a criança – se não souber nadar – use braçadeiras ou um colete adequado. As bóias são menos seguras, na medida em que a criança se pode atrapalhar. Pode igualmente atrapalhar-se com colchões e outros brinquedos, pelo que a sua presença na água deve ser limitada ao indispensável para a diversão. E quando a piscina não estiver a ser utilizada estes objectos devem ser retirados: que podem atrair a curiosidade infantil, levando a criança a debruçarse para os agarrar e potenciando o risco de uma queda.
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O mesm
Sempre com vigilância
Muita da segurança passa pela vigilância humana. As crianças não devem ser deixadas sozinhas na piscina. Nem perto dela. Em reuniões sociais, é fácil os adultos descurarem a atenção, distraídos que estão com a conversa ou outros afazeres.
Mas convém que haja sempre um de guarda aos mais pequenos, porque os acidentes acontecem quando menos se espera.o cuidado deve ser aplicado aos banhos de banheira. Mesmo quando a água é pouca. Porque basta que o adulto saia para atender o telefone ou abrir a porta: uma escorregadela é suficiente para a cabeça da criança ficar submersa e ela não conseguir virar-se.
Os acidentes em tão pouca quantidade de água parecem improváveis, mas a realidade demonstra que acontecem.
Na banheira, como em tanques rurais ou num simples balde de água. São muitas as circunstâncias que podem jogar contra uma criança nesta relação com a água.
Na praia, além da água, entram em jogo a temperatura, as correntes, os declives naturais, as rochas. Num lago, num rio ou no mar, tudo pode mudar subitamente, apanhando desprevenidos os banhistas e, por maioria de razão, as crianças.
Daí a necessidade de serem acompanhadas por um adulto e ensinadas a respeitar algumas regras de segurança, como nadar ao longo da costa e não em direcção ao horizonte, como saltar em vez de mergulhar, como permanecer nas áreas designadas para a natação.
Porque a praia ainda é o destino de férias da maioria dos portugueses, o melhor é prevenir os acidentes e fazer dos momentos à beira da água momentos à prova de afogamento.
Prevenir os acidentes
As férias são momentos de descoberta de novos locais para toda a família, momentos que os pais desejam de descanso mas que para as crianças implicam uma maior liberdade e maior actividade. Para que estes objectivos se cumpram em segurança, a APSI deixa alguns conselhos:
• Faça o reconhecimento do local mesmo antes de desfazer as malas;
• Verifique os potenciais factores de insegurança no exterior e interior;
• Adopte medidas de precaução (se necessário) e estabeleça regras, nomeadamente sobre a utilização da piscina e os banhos no mar;
• Informe-se sobre os serviços de saúde locais e mantenha sempre consigo os respectivos contactos.
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Mergulhos mais seguros
Para mergulhos mais seguros, há algumas regras simples mas essenciais que convém respeitar:
• Ensine as crianças a nadar;
• Se não souberem nadar, coloque-lhes braçadeiras ou um colete insuflável;
• Não as deixe sozinhas na piscina ou junto ao mar; as mais pequenas também não devem ser deixadas sós na banheira;
• Verifique a profundidade antes de as deixar mergulhar;
• Ensine-as a nadar apenas nas zonas em que é permitido;
• Remova brinquedos e bóias da piscina;
• Proteja a piscina com uma vedação e mantenha o acesso fechado se a piscina não estiver a ser usada.
Pela segurança infantil
“Os acidentes são a maior causa de morte nas crianças e jovens em Portugal. Quase todos podem ser evitados. É por isso que a APSI existe!”. Este é o manifesto da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI), uma Instituição Particular de Solidariedade Social fundada em 1992.
O seu objectivo é a redução do número e da gravidade dos acidentes e das suas consequências nas crianças e jovens, o que a leva a intervir nos ambientes em que acontecem mais acidentes – rodoviário, doméstico, escolar, de lazer, desportivo e aquático.
A APSI propõe-se ainda agir em defesa dos direitos da criança e da família e na promoção da cidadania, em defesa da qualidade de vida das crianças e dos jovens para um desenvolvimento pleno e saudável e na criação de ambientes promotores de saúde.
Actua a nível nacional e internacional na definição de políticas e estratégias para o combate aos acidentes, difundindo igualmente a mensagem da urgência da prevenção de acidentes através de acções de informação, formação e investigação.
É ainda seu propósito promover a união de esforços entre aqueles que devem, podem ou querem agir para controlar este problema, motivo que a levou a associar-se à fundação da Plataforma Saúde em Diálogo, entidade de solidariedade e entreajuda criada sob a égide da Associação Nacional das Farmácias.
São os seguintes os contactos da APSI:
• Morada: Vila Berta, 7, r/c esq. (Graça), 1170-400 Lisboa;
• Tel: 21 884 4100;
• Fax: 21 884 41 09;
• Horário de atendimento – dias úteis das 09.30 às 13.00 e das 14.30 às 17.30;
• E -mail: apsi@apsi.org.pt;
• Internet: www.apsi.org.pt.