20 de Outubro: Dia Mundial da Osteoporose - Médicos de Portugal

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20 de Outubro: Dia Mundial da Osteoporose

20 Outubro, 2009 0

Em Portugal ocorrem anualmente mais de 9.500 fracturas da anca em doentes com osteoporose, estimando-se que 50% destes doentes apresentem algum tipo de perda funcional e/ou motora e que 10 a 20% acabem mesmo por falecer, apenas um ano após a fractura.

As fracturas do colo do fémur (ou anca) são uma das consequências mais graves da osteoporose, e uma das principais causas de morbilidade e de mortalidade, com maior impacto clínico e sócio-económico na sociedade. Dos mais de 9.500 doentes com osteoporose que sofrem fracturas da anca anualmente em Portugal devido à osteoporose, menos de 10% destes doentes recebe medicação para essa patologia, apesar da sua vulnerabilidade e da contínua perda de massa óssea.

No dia em que se celebra o Dia Mundial da Osteoporose, os especialistas relembram a necessidade de continuar a tratar a osteoporose após a ocorrência de uma fractura, pois só assim se pode diminuir o risco de fracturas subsequentes (refracturas) e mortalidade. Jaime C. Branco (Director do Serviço de Reumatologia do Hospital Egas Moniz), Paulo Felicíssimo (Coordenador do Serviço de Ortopedia do Hospital Fernando da Fonseca) e Jacinto Monteiro (Director do Serviço de Ortopedia do Hospital de Santa Maria) fizeram o levantamento desta realidade e apontam soluções num artigo agora publicado na última edição da prestigiada Acta Reumatológica Portuguesa.

Só nos últimos 3 anos, cerca de 450 fracturas clínicas e 316 mortes poderiam ter sido evitadas em Portugal, caso o tratamento para a patologia osteoporótica tivesse sido realizado nos doentes que fracturaram em 2006, através da estabilização das perdas de massa óssea dos doentes com osteoporose grave.

Esta lacuna terapêutica constitui um problema de saúde pública que não pode ser ignorado e que tenderá a agravar-se com o envelhecimento da nossa população. As fracturas da anca estão associadas a dor crónica, grande morbilidade, perda de independência e aumento da mortalidade. Mesmo após a cirurgia, é preciso continuar a tratar a doença, pois o risco de uma nova fractura e da mortalidade aumentam significativamente”, afirma Jaime C. Branco, Director do Serviço de Reumatologia do Hospital Egas Moniz e Presidente da Liga Portuguesa contra as Doenças Reumáticas. “Todos os doentes com este tipo de fractura requerem internamento hospitalar mais ou menos prolongado e praticamente todos são submetidos a intervenção cirúrgica, resultando em avultadas despesas e recursos humanos afectos ao Serviço Nacional de Saúde”, conclui.

Estima-se que em Portugal cada internamento por fractura do fémur represente um custo médio de 4.100 euros, sendo o custo directo anual em cuidados hospitalares, estritamente relacionados com as fracturas da anca, superior a 52 milhões de euros. “A este custo é ainda necessário acrescentar os gastos subsequentes com a recuperação e apoio social relacionados com este tipo de doentes, como por exemplo a ocupação de camas nos serviços de ortopedia, apoio domiciliário e cuidados continuados”, acrescenta Paulo Felicíssimo, Coordenador do Serviço de Ortopedia do Hospital Fernando da Fonseca.

Jacinto Monteiro, Director do Serviço de Ortopedia do Hospital de Santa Maria conclui que “é possível esperar uma estabilização do número de fracturas osteoporóticas se houver uma conveniente sensibilização da comunidade médica no sentido de proteger adequadamente os doentes de maior risco fracturário com os consequentes benefícios de ganhos em saúde e economia de recursos financeiros”.

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