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12,3% da população portuguesa tem Diabetes

2 Fevereiro, 2011 0

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O consumo de medicamentos para a Diabetes tem estado a evoluir expressivamente ao longo dos últimos anos, tendo aumentado cerca de 49% em Portugal em temos de Dose Diária Definida por 1.000 habitantes/dia. O incremento do consumo bem como a introdução de novas apresentações e de novos princípios activos traduz-se num acréscimo das vendas de medicamentos para a Diabetes, quer em valor – que em 2009 ultrapassou os 145 milhões de euros, quer em número de embalagens vendidas – cerca de 8 milhões. Também as vendas de tiras-teste de glicemia têm manifestado um crescimento ao longo da última década, com o mercado em 2009 a representar um valor global de vendas na ordem dos 54,6 milhões de euros.

O Observatório chama a atenção para o facto de o crescimento dos custos dos medicamentos da Diabetes ter assumido uma especial relevância (+250%) face ao crescimento efectivo do consumo, quantificado em número de embalagens vendidas (+77%). Assim, verifica-se que, nos últimos 10 anos, o custo médio das embalagens de medicamentos da Diabetes duplicou.

De acordo com a IDF (International Diabetes Federation) estima-se que, em Portugal, o custo médio de cada pessoa com Diabetes tenha sido de 1.543 euros. Assim, em 2009, a Diabetes representou um custo total de cerca de 1.500 milhões de euros, o que representa 0,9% do PIB português e 9% da Despesa em Saúde em 2009.

A Diabetes assume um papel significativo nas causas de morte, tendo a sua importância vindo a crescer ao longo dos últimos 4 anos. Os anos potenciais de vida perdidos (APVP) constituem um indicador que traduz o número de anos que uma pessoa, morta prematuramente, poderia ter vivido. Em 2009, estima-se que a Diabetes foi responsável por cerca de 7,4 APVP (Anos Potenciais de Vida Perdidos por Morte Prematura) nos óbitos por Diabetes na população com idade inferior a 70 anos.

A evolução dos doentes saídos do internamento em hospitais do SNS, em que a Diabetes se assume como diagnóstico principal ou associado, tem vindo a aumentar significativamente ao longo dos últimos anos, crescendo 87,5% entre 2000 e 2009. Ao nível dos internamentos por complicações da Diabetes, o OND destaca o aumento do número de pessoas internadas com manifestações oftalmológicas, que triplicou na última década. Também o número de amputações é muito elevado, ultrapassando os 1.600 casos em 2009, embora o número de amputações major tenha registado uma tendência de diminuição.

Ainda ao nível dos internamentos em 2009, 25% dos internamentos por AVC (Acidente Vascular Cerebral) e 29% dos internamentos por EAM (Enfarte Agudo do Miocárdio) foram em pessoas com Diabetes. Salienta-se ainda, em termos de complicações da doença, que 25% das pessoas em hemodiálise têm Diabetes. Contudo, regista-se uma diminuição progressiva da duração média dos internamentos associados a complicações da Diabetes, verificando-se uma redução de 17.000 dias de internamento nos últimos 5 anos.

Os dados apontados pelo Relatório Anual do OND são preocupantes e revelam um agravamento da situação ao longo dos últimos 9 anos. Estes valores alertam para a necessidade de apostar mais na prevenção e no diagnóstico precoce, com o controlo rigoroso da Diabetes e com o rastreio sistemático das complicações. A educação terapêutica é a melhor forma de contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas com Diabetes e da comunidade em geral, reduzindo o impacto das complicações nas pessoas que têm a doença e mantendo a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde.

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