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Infecções respiratórias na infância

As infecções respiratórias (IR) definem-se por afectar o tracto e os órgãos do sistema respiratório. Há diversos tipos de infecções respiratórias. As das vias respiratórias superiores afectam a orofaringe (nariz e garganta) e os ouvidos, e as das vias respiratórias inferiores afectam os brônquios e os pulmões, sendo mais graves e requerendo cuidados especiais.

As infecções das vias superiores são as mais comuns e podem, manifestar-se como constipação, gripe, anginas e faringite. As infecções das vias respiratórias inferiores manifestam-se sobretudo através de bronquiolite e pneumonia.

As IR têm uma elevada prevalência nas crianças, principalmente na faixa etária até aos 5 anos. Pode dizer-se que as IR afectam sobretudo as crianças e estima-se que cerca de 50 % das doenças que as afectam até aos 5 anos de idade são IR.

As causas das IR são maioritariamente vírus. Já as infecções mais graves do tracto respiratório inferior são frequentemente originadas por bactérias ou têm origem mista.

As IR e a criança

As infecções respiratórias superiores, em todas as idades, caracterizam-se por sintomas nasais como o pingo do nariz, nariz entupido, dores de garganta, mal-estar geral e febre. Podem surgir ainda queixas de acordo com os órgãos envolvidos (gânglios linfáticos do pescoço, dores de ouvidos, vertigens…).

As IR inferiores caracterizam-se por dificuldade respiratória, pieira, febre alta, cansaço e falta de apetite. Estes conjuntos de sintomas podem estar sempre presentes ou apenas surgirem alguns deles.

O organismo da criança é por natureza mais vulnerável e daí poder ser mais afectado pelos factores de risco. A atenção à evolução das IR na criança é da maior importância, são geralmente infecções com uma evolução benigna e autolimitada. Mas há factores de risco que podem contribuir para um agravamento da infecção: caso do tabagismo passivo, a existência de alergias, contacto com poluentes, tanto no ambiente doméstico como no meio circundante, há também de ter em conta o ambiente das creches ou infantários. O maior número de consultas abona esta evolução benigna, devem-se a problemas das vias respiratórias superiores, tais como o resfriado, a congestão nasal e a faringite.

Como se apresentam as IR

Começando pelas dores de garganta, que causam secura e dor, bem como dificuldade em engolir. A distinção entre uma dor de garganta de origem viral ou bacteriana é importante para determinar o tratamento. Assim, particularmente caso esteja presente febre alta, é importante consultar o médico para que seja feita a avaliação e instituído o necessário tratamento. A congestão nasal ou nariz entupido, é um sintoma comum a muitas das IR superiores, resulta de uma inflamação da mucosa que reveste o nariz e pode acompanhar-se de dor de cabeça e uma sensação de rosto congestionado. A tosse é um sintoma de alerta, não é uma doença, surge como reflexo protector das vias respiratórias. É um mecanismo de defesa natural cujo principal objectivo é a remoção de secreções.

As dores de ouvidos traduzem, em geral uma otite. Bastante frequentes na sequência de infecções respiratórias, as otites externas correspondem a um processo inflamatório habitualmente por infecção devido a vírus ou bactérias.

As otites frequentes nas crianças podem ser a cauda de diminuição de audição. Se não forem adequadamente tratadas podem-se complicar sob a forma de surdez.

Apesar de, na maioria dos casos, as infecções respiratórias terem, como já referido uma evolução benigna, podem agravar-se surgindo complicações como pneumonia, pneumotórax, meningite, encefalite ou mastoidite, por exemplo.

A constipação é a infecção vírica mais frequente. Na sua origem podem estar mais de duas centenas de vírus. Trata-se de uma infecção das vias respiratórias superiores, afecta sobretudo o nariz, a garganta e os ouvidos. Destacam-se nos seus sintomas: espirros, nariz a pingar ou congestionado, garganta irritada, olhos lacrimejantes, fadiga, febre baixa e perda de apetite.

Convém recordar que a constipação se distingue de doenças como a gripe, a rinite alérgica e a sinusite. Ao contrário da constipação, a gripe surge de forma súbita, com febre elevada, acarreta prostração e dores musculares intensas; na rinite alérgica não há febre e a alergia manifesta-se por vários dias a fio; a sinusite apresenta-se com congestão nasal, tosse nocturna, dores faciais, pode ocorrer febre baixa e um quadro de dores de cabeça.

No geral, é importante oferecer muitos líquidos às crianças, limpar adequadamente as fossas nasais com soro fisiológico três a quatro vezes por dia ou sempre que necessário e pode combater-se a febre com antipiréticos, mas sempre com aconselhamento médico ou indicação farmacêutica. As IR do tracto respiratório inferior mais importantes, na criança, são a bronquiolite e a pneumonia.

Uma bronquiolite pode começar com uma simples constipação, com uma febre ligeira, pingo no nariz e uma tosse seca. A criança apresenta depois dificuldades respiratórias, fica agitada, os seus brônquios ficam cheios de secreções. Na maior parte dos casos, a bronquiolite evolui e as dificuldades respiratórias desaparecem espontaneamente em alguns dias. Se se manifestar uma febre elevada, uma otite ou secreções purulentas, o médico poderá, só nestes casos, considerar a necessidade de se usarem antibióticos.

Como se tratam as IR

Uma primeira questão de grande relevo é saber que não vale a pena estar a pedir ao seu farmacêutico qualquer antibiótico, eles são apenas eficazes contra bactérias mas a maioria das infecções que afectam as crianças são constipações, afecções da garganta e gripes, maioritariamente causadas por vírus e resolúveis, por si, em três a sete dias.

Os pais devem estar consciencializados de que o uso inadequado de antibióticos está na origem de um gravíssimo problema de saúde pública que dá pelo nome de resistência bacteriana: como as bactérias para sobreviverem aos antibióticos vão ficando mais resistentes, é necessário encontrar medicamentos mais potentes, entra-se numa espiral em que as doenças duram mais, aumentam o risco de complicações e até o grau de contágio.

Em regra, não são necessários medicamentos específicos para tratar constipações ou gripes. O alívio dos sintomas consegue-se com analgésicos e antipiréticos, para dor e febre (na criança não se deve recorrer a aspirina ou seus derivados). Nunca esquecer que a administração de medicamentos a crianças requer maior cuidado, nomeadamente na medição rigorosa da dose a dar; o aconselhamento farmacêutico é, por isso, uma primeira prioridade na medida em que auxilia na determinação da dose adequada à idade ou peso da criança.

Nos casos de congestão nasal, quando há secreções e estas são espessas, é necessário torna-las mais fluídas para facilitar a sua expulsão. Isto consegue-se sem necessidade de recorrer a medicamentos, mediante a aplicação nasal de soro fisiológico ou soluções salinas para ajudar a remover as secreções e desentupir o nariz, e assoando o nariz da criança regularmente; em crianças que ainda não sabem assoar-se pode utilizar-se um aspirador nasal para remover o muco, tomando os devidos cuidados para não lesar a mucosa nasal. A inalação de vapor de água ou os aerossóis com soro fisiológico, são igualmente medidas que favorecem a fluidificação das secreções.

Em todos os casos recomenda-se uma maior ingestão de líquidos. Se estas medidas se revelarem insuficientes, o profissional de saúde poderá recomendar descongestionantes nasais.

Mais uma vez o aconselhamento farmacêutico é indispensável para saber tirar partido do uso do medicamento.

Importa não esquecer que o uso excessivo (e por mais de 3 dias) dos descongestionantes nasais aparece associado a um conjunto de efeitos secundários que podem mesmo levar ao agravamento da congestão nasal. No tocante à dor de ouvidos, quando houver dores mais intensas, pode vir a ser necessário dar um medicamento para alívio da dor. Também nestes casos deve-se saber contar com o aconselhamento farmacêutico para seleccionar o medicamento mais seguro e adequado tendo, no entanto em consideração que a dor de ouvidos em menores de 2 anos devem ser tratadas exclusivamente pelos médicos.

Passando para as IR do tracto respiratório inferior, o destaque vai para a bronquiolite aguda e para a pneumonia. Estas infecções caracterizam-se geralmente por febre alta e dificuldade em respirar que se manifesta por movimentos respiratórios rápidos, sibilos, dilatação e retracção rápida das narinas; na presença destes sintomas, os pais devem, de imediato procurar o médico.

As IR e o aconselhamento farmacêutico

O aconselhamento farmacêutico é valioso na indicação de medidas não farmacológicas e medicamentos para alívio de sintomas associados a IR.

Pode ainda representar uma ajuda preciosa na identificação de sintomas que devem levar a consultar de imediato o médico.

O que adiante se segue são alguns exemplos de como o aconselhamento farmacêutico é incontornável e deve ser exigido sempre que há sintomas de IR na criança.

  • No caso da constipação, a escolha do medicamento tem de ser criteriosa e baseada nos sintomas apresentados. Esta escolha deve ser efectuada pelo farmacêutico a quem compete recomendar o medicamento baseado na informação que o doente lhe presta quanto às queixas;
  • A prevenção da gripe é conseguida fundamentalmente através da vacinação. Podem ser vacinadas crianças com idades superiores a 6 meses (as crianças com menos de 6 meses não podem ser vacinadas mas podem ser protegidas mediante vacinação da mãe durante o 2º ou 3º trimestre da gravidez);
  • É de esperar do farmacêutico que coloque questões aos pais ou encarregados de educação quando vêm à farmácia para encontrar um medicamento de alívio ou conforto para as IR na criança: quais as queixas, a intensidade, se já está a tomar outros medicamentos, entre outras. De igual modo, dará conselhos quanto às razões porque indica este ou aquele fármaco, como deverá ser tomado, cuidados a seguir com a toma;
  • Os pais e os encarregados de educação devem estar informados sobre as medidas de prevenção do contágio de IR e sensibilizados para os fatores ambientais ou de estilo de vida que devem ser corrigidos para assegurar um maior bem-estar à criança.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.anf.pt

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