X
    Categories: EspecialidadesInformaçõesNutrição

Verão, dietas & bom senso

Com o Verão à porta há uma preocupação que assalta muitos de nós: a “linha”. Daí à tentação de entrar em dietas radicais ou ir atrás de fórmulas “milagrosas” pode ser um passo. Mas a verdade é que se leva mais tempo a perder do que a ganhar peso e a única receita que funciona é uma alimentação equilibrada com exercício físico.

É natural que haja sede de Verão, sobretudo depois de meses em que o frio não deu tréguas e a chuva parecia ter vindo para ficar. É muito natural que desperte a vontade de libertar o corpo das roupas que o resguardaram nesses meses. Mas, muitas vezes, essa é uma vontade que esbarra na imagem que o espelho devolve, uma imagem de contornos menos delineados, a fazer doer na consciência todos os excessos ou, pelo menos, a negligência a que o corpo foi votado.

É uma espécie de insatisfação sazonal que, tradicionalmente, parecia afectar apenas as mulheres mas que, sabe-se, também “ataca” os homens, cada vez mais preocupados com a aparência física. É essa insatisfação que alimenta a busca por soluções ao mesmo tempo rápidas e eficazes, verdadeiras fórmulas mágicas que devolvam a silhueta perdida.

Pelo caminho são muitas as promessas – desde perder peso em três tempos, conquistar um ventre liso em menos de nada e desfazer a celulite num piscar de olhos… Promessas em que é fácil acreditar, enveredando numa aventura que, mesmo que não cause problemas para a saúde, causa decepção: afinal, será possível perder, às portas da praia, as calorias amealhadas ao longo do ano inteiro?

Naturalmente que é legítimo sonhar com a silhueta “perfeita”. E até é um sonho concretizável se for realista – realista nos objectivos e nos passos a dar para os alcançar. Existem formas saudáveis de fazer dieta, mas não em vésperas do Verão: com tempo e aconselhamento profissional, de um médico nutricionista ou beneficiando do Serviço de Nutrição das Farmácias Portuguesas – informe-se.

Não basta querer perder peso, é importante que a estratégia delineada respeite a idade, a estatura, a estrutura anatómica e até o estilo de vida da pessoa. E que seja uma estratégia a prazo, para que o controlo do peso perdure depois do Verão. Só assim os resultados serão duradouros, caso contrário – com dietas drásticas e muito restritivas – perdem-se quilos mas eles voltam à primeira oportunidade: é o tão famoso efeito iô-iô.

 

Em vez de milagres, moderação e paciência

Muitas das propostas que se multiplicam nesta altura do ano propõem cortes em determinados alimentos, mas na verdade não há alimentos proibidos e, além do mais, todos eles fazem falta. Emagrecer passa, sim, por consumi-los com moderação, juntando à dieta o exercício físico – também com moderação.

É claro que é preciso fazer algumas restrições – nas calorias está claro. Mas progressivamente e ao mesmo tempo que se alteram alguns hábitos: as três refeições diárias devem ser repartidas em seis a oito, mais pequenas, de cada vez devem comer-se pequenas quantidades, não estando muito tempo em jejum. Uma peça de fruta, por exemplo, ajuda a saciar o estômago, com a vantagem de não ser calórica…

[Continua n apágina seguinte]

Outra regra de ouro é comer com calma. Mastigar bem cada garfada, cada dentada, saboreando os alimentos, sem pressa de os atirar para o estômago. E só quando eles lá chegarem deve ser levada à boca a dose seguinte. Para não se correr o risco de comer demais: é que existe um intervalo de tempo razoável entre o momento em que o estômago acolhe os alimentos e o momento em que o cérebro recebe essa informação; durante esse tempo ainda não nos sentimos saciados e vamos comendo, até que, quando o cérebro nos dá ordem para parar, o mais provável é já termos abusado.

Outra regra de ouro é comer apenas pelas razões certas: nada de comer apenas porque “está na hora” e muito menos sob a influência do estado de espírito – quando se está triste ou ansioso deve fugir-se dos alimentos….

Uma boa amiga das dietas é a água: litro e meio a dois litros por dia, um copo ou dois antes de cada refeição (para enganar a fome nem que seja por pouco tempo). A água tem a grande vantagem de não ter calorias, além de contribuir para hidratar o corpo e eliminar toxinas.

Para optimizar os resultados, não há dieta que dispense exercício físico. Não se trata da prática desenfreada de desporto, desaconselhada num corpo habituado a uma vida sedentária. Trata-se, sim, de escolher uma actividade que permita queimar calorias, sem estimular o apetite mas também sem exigir um esforço desgastante. Caminhar, andar de bicicleta – o importante é pôr o corpo a mexer, para que gradualmente omúsculo ocupe o lugar das gorduras indesejadas. Com outras vantagens: o corpo ganha flexibilidade e resistência.

Em suma, ganha em saúde. Perder peso não é um combate ganho à partida. É um combate que se ganha batalha após batalha. Com esforço e paciência, proporcionará um corpo mais forte e saudável. E digno de desfilar em qualquer praia, se esse for um dos objectivos. Este Verão e nos próximos. Porque este combate se ganha também nos bastidores: isto é, impedindo o regresso dos quilos perdidos.

 

Suplementos, sim ou não?

Muitos dos produtos concebidos para ajudar a perder peso enquadram-se na categoria de suplementos alimentares. Uns são adelgaçantes, outros dirigem-se mais ao combate à celulite, há os que promovem a eliminação de líquidos (são diuréticos) e os que têm propriedades digestivas.

De acordo com o modo de funcionamento no organismo, há suplementos que aceleram o processo de transformação das gorduras e dos hidratos de carbono, com isso favorecendo a eliminação do tecido gordo, e há suplementosque actuam sobre a digestão e o apetite.

São estes últimos os mais procurados nesta altura, apresentando na sua composição substâncias naturais como o chá verde, a papaia, o ananás, o guaraná e o ácido linoleico conjugado (CLA): todas elas promovem o desgaste de calorias e combatem a retenção de líquidos.

Apesar de feitas à base de matérias-primas naturais, isso não significa que sejam 100% seguros e que possam ser tomados por qualquer pessoa em todas as circunstâncias. Tal como os medicamentos implicam sempre riscos, podendo provocar efeitos secundários.

O que é importante é que sejam tomados com a intervenção de um profissional de saúde: o farmacêutico está habilitado a aconselhar sobre os diversos produtos, nomeadamente no que respeita à possibilidade de interacção com medicamentos que esteja a tomar. Igualmente importante é que os suplementos alimentares sejam encarados não como uma solução milagrosa, mas como aquilo que são de facto: suplementos ou complementos de uma alimentação saudável.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.anf.pt

admin: