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Tratamentos permitem reduzir danos físicos e psicológicos

A osteoporose afecta em todo o mundo 150 milhões de pessoas. Mas para este grande mal existem soluções bastante eficazes.

O que é a osteoporose?

A osteoporose, que significa literalmente «osso poroso», consiste numa diminuição da massa óssea, o que faz com que o osso perca qualidades estruturais e tenha uma menor resistência mecânica e fique mais frágil e mais susceptível de se fracturar espontaneamente ou na sequência de pequenos traumatismos.

É um problema global, que afecta mais de 150 milhões de pessoas em todo o mundo. Cerca de 50% das mulheres pós–menopáusicas sofrem desta patologia e, com o aumento e envelhecimento da população mundial, esta doença tende a provocar um aumento significativo da mortalidade e da incapacidade.

As mulheres com idades compreendidas entre os 45 e os 64 anos apresentam uma diminuição da sua qualidade de vida com a chegada da menopausa, especialmente se têm riscos para a sua saúde como a osteoporose ou doenças cardiovasculares.

Na realidade, a osteoporose afecta três em cada cinco mulheres com mais de 50 anos. Cerca de uma em cada três mulheres pós-menopáusicas terá osteoporose e 40% das mulheres com mais de 50 anos terão uma fractura osteoporótica.

Quais são as fracturas mais habituais?

As fracturas vertebrais são a complicação mais frequente da osteoporose. Mais de 30% das mulheres com mais de 75 anos são acometidas de uma ou mais fracturas vertebrais de causa osteoporótica. Acima dos 85 anos de idade este número ultrapassa os 50%. As mais frequentes causadas pela osteoporose são as vertebrais, da anca e do punho, com especial destaque, pela sua frequência e por serem as primeiras a ocorrerem, para as fracturas vertebrais.

As mulheres que já sofreram uma fractura vertebral têm duas a quatro vezes mais possibilidades de sofrer outra, ou uma fractura da anca, do que as mulheres que nunca tiveram nenhuma fractura. Os estudos realizados demonstram que cada fractura adicional está associada a um aumento significativo das limitações de funcionamento e mobilidade.

As fracturas osteoporóticas são causa de sofrimento directo (dor, incapacidade, deformação do corpo, alterações na vida social ou mesmo morte) e de sofrimento de terceiros (familiares, amigos). Ao mesmo tempo, sabe-se que os custos directos e indirectos desta patologia são muito elevados.

Como se pode prevenir?

Até há poucos anos, a capacidade de diagnosticar a osteoporose e de tratar a doença estava muito limitada.

Actualmente, é facilmente diagnosticada, através da realização de uma medição da quantidade de cálcio no osso (densitometria). A intervenção possível contra a osteoporose também tem sido acrescentada de novos conceitos preventivos e terapêuticos. Assim, podemos dizer que hoje não é uma fatalidade, e que é possível tentar prevenir a sua consequência principal, que é a fractura óssea.

Eis algumas das medidas preventivas:

• Uma boa actividade física, como andar a pé ou a natação;

• Fazer a ingestão de cálcio adequada, sendo de salientar o leite magro, que tem mais cálcio que o gordo; poderão ser usados suplementos de cálcio;

• Moderar a ingestão de álcool e de cafeína e não fumar;

• Evitar as dietas muito ricas em proteínas.
Em geral, sempre que se suspeite da possível existência de osteoporose, deve-se ir ao médico, que diagnosticará a doença, avaliará a possível interferência de outras patologias e decidirá quais as medidas gerais de prevenção e, se necessário, as medidas farmacológicas.

Caso seja diagnosticada osteoporose, o objectivo fundamental será a prevenção da ocorrência de fracturas.

Diversos tratamentos

A facilidade em obter o diagnóstico faz com que a intervenção possível contra a osteoporose seja bem-sucedida. Afinal, hoje existem novos conceitos terapêuticos e novos medicamentos capazes de dar respostas às mais variadas situações.

De acordo com o Dr. Paulo Clemente Coelho, reumatologista do Instituto Português de Reumatologia, «cada tratamento deve ser adaptado ao doente em concreto e à multiplicidade de variáveis que cada pessoa e cada doença comporta. Além disso, cada vez mais se preconiza que os tratamentos, geralmente prolongados por muitos anos, devam ser adaptados periodicamente às condições variáveis da doente e da própria osteoporose».

Terapia hormonal de substituição

A deficiência estrogénica, que ocorre após a menopausa por falência da actividade dos ovários, é um factor de risco importante para a osteoporose.

«Apesar de não existirem estudos de grande dimensão que avaliem a eficácia da terapia hormonal de substituição (THS) no tratamento da osteoporose, como por exemplo acontece com os bifosfonatos e com o raloxifeno, a revisão dos dados publicados na literatura científica parece indicar que, usados durante um período longo de tempo, os estrogénios reduzem o risco de fractura osteoporótica», sustenta o reumatologista, continuando:

«Devido a ser controverso o aumento de risco cardiovascular nas mulheres a fazer THS e ao risco de aumento da incidência de neoplasia da mama e do útero, esta terapêutica está actualmente reservada ao período da pós-menopausa, quando as mulheres tem sintomas vasomotores (ex.: afrontamentos), devendo ser substituído por outro tratamento eficaz para a osteoporose logo que possível.»

Raloxifeno

«Os SERM, medicamentos com actividade selectiva de estimulação ou inibição dos receptores de estrogénios, dos quais fazem parte o raloxifeno, têm um perfil adequado para preencher o espaço terapêutico da pós-menopausa relativamente precoce, quando a mulher deixou de ter sintomas vasomotores significativos», informa o especialista, acrescentando:

«Existem dados que confirmam um efeito protector do tratamento com raloxifeno quanto ao aparecimento de fracturas vertebrais, tanto em doentes com osteoporose, como em doentes com osteopenia (situação em que a quantidade de osso está entre o normal e a osteoporose). Existe também alguma evidência científica de que o raloxifeno pode prevenir fracturas não vertebrais em doentes com osteoporose grave.»

Ainda segundo Paulo Coelho, «um dos aspectos mais importantes para este grupo de fármacos, é a sua possibilidade de poderem ter outros efeitos benéficos, por exemplo, na prevenção do cancro da mama e patologia cardiovascular. Necessitamos de saber os resultados dos estudos actualmente em curso».

Bifosfonatos

Os bifosfonatos são moléculas análogas do pirofosfato de cálcio e que, após serem absorvidos, se ligam ao tecido ósseo, inibindo o efeito dos osteoclastos, as células que tem um efeito de reabsorção do osso. A eficácia antifracturária dos bifosfonatos está, pois, bem demonstrada, nomeadamente na prevenção de fracturas vertebrais e não vertebrais.

Considerando que as fracturas não vertebrais, como as do colo do fémur, ocorrem mais tardiamente do que as vertebrais, os bifosfonatos podem ter um papel importante nas mulheres já com algum tempo decorrido da menopausa, altura em que quer o esqueleto vertebral quer os ossos longos estão em maior risco de fractura.

«A administração por via oral dos bifosfonatos exige o cumprimento rigoroso das normas de ingestão, nomeadamente o tempo de jejum entre a administração do fármaco e a primeira refeição do doente», menciona Paulo Coelho, frisando que «alguns doentes revelam intolerância digestiva, o que pode prejudicar o alcance do necessário tratamento contínuo e regular para a osteoporose».

Teriparatida

Para os casos de osteoporose grave (com fracturas) ou quando outros tratamentos são ineficazes ou intolerados, surgiu recentemente no mercado um fármaco que tem como princípio activo a teriparatida.

«Este medicamento tem um efeito diferente dos outros fármacos até agora utilizados, visto ser um osteoformador e não um inibidor da reabsorção óssea», explica o reumatologista, que continua:

«Trata-se de uma fracção da paratormona (PTH) (hormona produzida pelas glândulas paratiroideias). Paradoxalmente, a PTH, apesar de ser fisiologicamente um estimulador da reabsorção óssea, tem um efeito promotor da formação óssea quando administrada em pequenas dosagens e de forma intermitente, como é o caso da teriparatida.»

Foram, aliás, publicados estudos em seres humanos que provam um efeito positivo sobre a massa óssea e sobre a prevenção de fracturas vertebrais e extravertebrais. Este fármaco está reservado, actualmente, a casos de osteoporose mais grave, devendo ser administrado por um período de 18 meses.

«Com a teriparatida foi demonstrado não só um aumento da quantidade de osso, mas também um efeito positivo na qualidade da estrutura óssea, com restauro de parte da microarquitectura afectada pela evolução da osteoporose», conclui Paulo Coelho.

Factores de risco

Os mais importantes factores de risco podem ser divididos entre factores que não são influenciáveis e aqueles que poderão ser modificáveis por atitudes preventivas. Anote:

Factores de risco não modificáveis

• Idade (mais de 65 anos);

• Sexo feminino;

• Raça branca;

• Baixa estatura;

• Menopausa precoce (antes dos 45 anos);

• História de fracturas osteoporóticas na família;

• Fracturas prévias.

Factores de risco modificáveis

• Baixo peso (magreza);

• Dieta pobre em cálcio;

• Falta de exercício físico;

• Tabaco;

• Excesso de álcool ou de café;

• Uso de alguns medicamentos (exemplo: corticóides, barbitúricos, etc.);

• Certas doenças, principalmente se não controladas, como o hipertiroidismo, a artrite reumatóide, a hipercalciúria (aumento da quantidade de cálcio excretada na urina) ou a insuficiência renal.

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