A perda de visão é em grande parte evitável:
Se tem diabetes, é importante saber que hoje em dia, devido a melhores métodos de diagnóstico e tratamento, apenas uma pequena percentagem de pessoas que desenvolveram retinopatia têm problemas sérios de visão. A detecção precoce da retinopatia diabética constitui a melhor protecção contra a perda de visão.
Pode reduzir de maneira significativa o risco de perda de visão mantendo um controle rigoroso do nível de açúcar no sangue e consultando regularmente um oftalmologista.
Quando marcar um exame:
As pessoas portadoras de diabetes devem marcar exames aos olhos com dilatação da pupila pelo menos uma vez por ano. Exames mais frequentes feitos por um oftalmologista podem ser necessários depois de diagnosticada a retinopatia diabética.
Recomenda-se que mulheres grávidas com diabetes marquem uma consulta no primeiro trimestre porque a retinopatia pode progredir rapidamente durante a gravidez.
Se precisa de um exame aos olhos deve lembrar-se que o seu nível de açúcar no sangue deve estar sobre controle regular durante alguns dias antes de ir ao oftalmologista. Óculos que funcionam bem quando o açúcar no sangue está fora de controle, não funcionam bem quando o teor de açúcar é estável.
Logo após o primeiro diagnóstico de diabetes, deve fazer um exame aos olhos:
– dentro de cinco anos após o diagnóstico se está com trinta anos ou menos;
– dentro de alguns meses após o diagnóstico se está com mais de trinta anos.
A diabetes pode prejudicar a visão:
Se sofre de diabetes o seu corpo não utiliza nem armazena o açúcar de maneira adequada. Altos níveis de açúcar no sangue podem lesar os vasos sanguíneos na retina, a camada nervosa no fundo do olho que percebe a luz e ajuda a enviar imagens até ao cérebro.
As lesões dos vasos retinianos e da retina são designados como Retinopatia Diabética.
Os tipos de Retinopatia Diabética:
Existem dois tipos de retinopatia diabética: a retinopatia diabética não-proliferativa (RDNP- figuras 1 e 2) e a retinopatia diabética proliferava (RDP- figura 3)
RDNP, mais conhecido como retinopatia de fundo, é uma etapa inicial da retinopatia diabética. Nesta etapa, minúsculos vasos sanguíneos dentro da retina deixam sair sangue ou fluído. A saída do fluído faz a retina inchar ou formar depósito Quando a visão é afectada, é em decorrência do edema macular e/ou isquemia macular.
Edema macular é um espessamento da mácula, uma pequena área no centro da retina que nos permite ver os detalhes com clareza. O espessamento é provocado pela passagem de fluído dos vasos sanguíneos da retina. Trata-se da causa mais comum de perda visual por diabetes. A perda de visão pode ser moderada ou grave porém até mesmo nos piores casos, a visão periférica continua a funcionar.
Isquemia macular ocorre quando os pequenos vasos sanguíneos (capilares) fecham. A visão fica turva porque a mácula não recebe sangue em quantidade suficiente para funcionar bem.
RDP apresenta-se quando novos vasos anormais (neovascularização) começam a crescer na superfície da retina ou do nervo óptico. A causa principal de RDP é a oclusão extensa de vasos sanguíneos da retina, impedindo assim o fluxo sanguíneo adequado. A retina responde gerando novos vasos sanguíneos numa tentativa de fornecer sangue à área onde se fecharam os vasos originais.
Infelizmente os nossos vasos sanguíneos anormais não reabastecem a retina com um fluxo normal de sangue. Muitas vezes, estes novos vasos são acompanhados de tecido cicatricial que pode provocar enrugamento ou descolamento da retina.
RDP pode levar à perda visual mais severa do que a RDNP por afectar tanto a visão central como a periférica.
A retinopatia diabética proliferava provoca perda de visão de várias maneiras:
Hemorragia vítrea: Os vasos novos e frágeis podem sangrar para dentro do vítreo, uma substância transparente parecida com uma geleia que reveste o centro do olho. Se a hemorragia vítrea for pequena, talvez a pessoa veja apenas algumas moscas volantes novas e escuras: Uma hemorragia muito grande poderia obstruir a visão por completo. Pode levar dias, meses ou até mesmo anos, para reabsorver o sangue, conforme a quantidade de sangue presente. Se o olho não elimina o sangue vítreo adequadamente dentro de um espaço de tempo razoável, uma vitrectomia pode ser a solução recomendada.
Como é feito o diagnóstico da Retinopatia Diabética?
Um exame oftalmológico feito por um oftalmologista é a única maneira de descobrir as mudanças dentro dos seus olhos.
Se o seu oftalmologista encontrar a retinopatia diabética, pode pedir fotografias coloridas da retina ou um teste chamado angiografia a fluoresceína para descobrir se está a precisar de tratamento. Neste teste, é injectado um corante e são tiradas fotos ao seu olho para detectar onde está a vazar o fluído.
Como é tratada a Retinopatia Diabética?
O melhor tratamento consiste em prevenir o desenvolvimento da retinopatia o máximo que puder. Controlar rigorosamente o nível de açúcar no sangue reduzirá significativamente o risco a longo prazo da perda de visão por retinopatia diabética. Se forem constatados problemas renais e de tensão arterial alta, estes precisam ser tratados.
Cirurgia a laser: A cirurgia a laser é frequentemente indicada para pessoas portadoras de edema macular, RDP e glaucoma neovascular.
Para o edema macular, o laser trata a retina lesada próximo da macula para diminuir a passagem de fluído. O objectivo principal do tratamento é o de prevenir maior perda de visão. As pessoas que sofrem de visão baça causada por edema macular não costumam recuperar a visão normal, embora alguns possam obter melhoria parcial. Em seguida ao tratamento, algumas pessoas conseguem ver o pontos de laser perto do centro da sua visão. Com o tempo os pontos costumam ficar ténues, porém podem não desaparecer.
Para RDP, o laser trata todas as partes da retina excepto a mácula. Este tratamento com fotocoagulação retiniana, efectuado em várias sessões, faz os novos vasos anormais encolherem, e muitas vezes impede-os de crescer no futuro. Diminui ainda a possibilidade da hemorragia do vítreo ou a distorção da retina ocorrerem.
Vitrectomia: Em casos de RDP avançada, o oftalmologista pode indicar uma vitrectomia, um procedimento microcirúrgico efectuado na sala de operações.
Rufino Silva – Clínica Oftalmológica, Lda
www.oftalmologia.co.pt