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Reabilitação cardíaca pode salvar vidas

O mês do coração comemora-se em Maio e todos os anos é escolhida uma temática que é amplamente divulgada pelos meios de comunicação social. Este ano, esteve em destaque a reabilitação cardíaca, um tratamento que permite salvar vidas mas que ainda só está acessível a um número restrito de doentes.

A Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC) solicitou a colaboração da GfK Metris para a realização de um projecto de investigação de mercado com o objectivo de perceber o conhecimento da população portuguesa sobre o tema da reabilitação cardíaca (RC). Constituído pelos indivíduos com 18 e mais anos de idade, residentes em Portugal Continental, este estudo abrangeu 1209 entrevistas e as conclusões mais importantes mostraram que 50% dos inquiridos nunca ouviu falar da RC; 9% ouviu falar mas não sabe em que consiste e 41% sabe em que consiste.

“A RC é um tratamento relativamente barato que permite salvar a vida e melhorar a qualidade de vida dos doentes cardíacos, nomeadamente dos que sobreviveram a um ataque cardíaco ou foram operados ao coração”, defende Manuel Carrageta, presidente da FPC.

Em Portugal, o número de doentes que beneficia de acesso a este tratamento ronda os 3%, o que é considerado muito baixo pelos especialistas. “Estamos mesmo perante uma situação inaceitável de negação de um tratamento que os doentes necessitam e que reduz os custos da doença em internamentos e tratamentos”, adianta o cardiologista.

 

Campanha nacional

Com uma abordagem leve e optimista, a campanha do mês de Maio assentou no objectivo de ajudar a criar condições para que todos os doentes, que necessitem e o desejem, possam participar num programa de RC. “Terapia para corações partidos” é o mote que faz o paralelismo entre a recuperação de um episódio cardíaco com a de um desgosto amoroso. Para cumprir o objectivo de promover a RC, foram realizados alguns rastreios e workshops sobre cardiologia em parceria com o Ginásio Clube Português.

“Apesar dos enormes progressos diagnósticos e terapêuticos que têm ocorrido nas últimas décadas, as doenças cardiovasculares constituem a principal causa de doença, morte e custos em saúde da população portuguesa”, explica Manuel Carrageta.

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todas as regiões do mundo, excepto na África Subsahariana. WSegundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 1 bilião de pessoas tem excesso de peso ou são obesas, e estima-se que 60% da população mundial seja fisicamente pouco activa ou inactiva. Cerca de 700 milhões são hipertensos, a maior parte dos quais, não estão diagnosticados, tratados ou controlados. Presentemente, 150 milhões de indivíduos são diabéticos e este número irá duplicar até 2025. O número de fumadores é superior aos 500 milhões e estima-se que, de 2000 a 2025, morrerão cerca de 150 milhões de indivíduos devido a complicações causadas pelo tabagismo”, destaca o presidente da FPC.

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A RC tem visa recuperar as funções vitais do doente que sofreu um acidente cardiovascular, melhorar a sua qualidade de vida e reduzir o risco de recorrência de complicações cardíacas, incluindo o de morte prematura. “Podemos concluir que a reabilitação cardíaca dá os ensinamentos e a motivação necessárias para combater a progressão e complicações da doença cardiovascular, que o doente necessita para sobreviver e recuperar a qualidade de vida. Numa palavra, a reabilitação cardíaca salva vidas”, conclui Manuel Carrageta.

 

10 benefícios da Reabilitação Cardíaca

– Reduzir em cerca de um terço a mortalidade cardiovascular, futuros eventos e ainda o reinternamento hospitalar.

– Melhorar a qualidade de vida.

– Diminuir ou eliminar os sintomas de doença.

– Aumentar a capacidade física para fazer uma vida activa.

– Reduzir os efeitos psicológicos (ansiedade e depressão) causados pela doença.

– Promover uma alimentação saudável.

– Participar num programa de actividade física eficaz e seguro.

– Reduzir os factores de risco, assegurando um melhor controlo do colesterol, da tensão arterial, da diabetes e do peso corporal.

– Ajudar a deixar de fumar.

– Aprender estratégias preventivas e aumentar os conhecimentos sobre a doença cardiovascular.

Jornal do Centro de Saúde

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