Psoríase » 250 mil portugueses a sofrer na pele e na mente
Impacto psicológico
«Independentemente de ser uma doença visível, os danos invisíveis existem e afectam bastante os doentes», apontou o Dr. Carlos Céu Silva, psicólogo e presidente da Associação Olhar ao referir-se ao impacto psicológico da psoríase nas pessoas afectadas.
Para este psicólogo, «os doentes lidam mal com a doença e sofrem danos psicológicos, por isso é fundamental haver uma sinergia entre a doença orgânica e a doença mental».
Embora a primeira abordagem terapêutica seja feita ao nível exterior, Carlos Céu Silva mencionou que «o acompanhamento por um psicólogo e a psicoterapia são importantes para promover a qualidade de vida interna ao doente».
Para todos os intervenientes nesta sessão é imprescindível sensibilizar a população. O tornar pública uma doença com danos físicos e psicológicos ajuda aqueles que dela padecem a «conviver» com a patologia, consigo próprios e com os outros.
Dar voz aos doentes
Criada no início deste ano, a PSOPortugal objectiva dar voz aos doentes e disponibilizar um variado leque de serviços àqueles que, por sofrerem de psoríase, são discriminados pelos demais.
«Pretendemos divulgar as principais dificuldades de viver com psoríase, sendo uma das mais evidentes a não comparticipação dos medicamentos. Também queremos dar a conhecer à população o que é a doença», referiu João Cunha, o presidente da PSOPortugal.
«Os doentes têm graves problemas de sociabilização, a auto-estima é diminuta e a taxa de suicídio é significativa. Mas, apesar de todas as dificuldades, a PSOPortugal não quer que os doentes sejam vistos como “coitadinhos”, mas sim mostrar que necessitam de ter cuidados básicos», indicou o responsável por esta Associação, que já tem um local para a sede cedido pela Câmara Municipal de Lisboa.
«Somos alvo de discriminação, sobretudo porque as pessoas desconhecem que a psoríase não é contagiosa. Por isso, temos uma estratégia futura, que visa dar a conhecer a doença e a vida dos doentes através de acções de esclarecimento nas escolas, promover um seminário internacional, criar uma linha de apoio aos doentes com uma forte componente psicológica e, entre outras, criar um prémio para finalistas de Psicologia que realizem trabalhos sobre psoríase», avançou João Cunha, que também sofre com esta patologia, frisando que «é ainda nosso objectivo que a psoríase seja reconhecida como doença crónica e os medicamentos comparticipados».
Saiba mais informações em www.psoportugal.com.
Dados estatísticos
– 2 a 4% da população branca é afectada enquanto a negra nem atinge os 2%.
– As mulheres costumam ter as primeiras manifestações antes da puberdade.
– Os homens normalmente têm os primeiros sintomas entre os 15 e os 30 anos.
– 10% dos casos manifestam-se nas articulações (artrite psoriática).
– 30% dos casos estão relacionados com factores genéticos.
– 75 a 80% manifesta-se na variante leve.
– 20 a 25% manifesta-se na variante moderada ou grave.
– 36% interfere com o sono.
– 33% dos doentes revela insatisfação com os tratamentos.
– 400 mortes por ano por psoríase.
– 78% não utiliza terapias fortes com receio dos efeitos colaterais.
Tipos de psoríase
Psoríase em placas – forma mais frequente que se caracteriza por lesões bem delimitadas, que podem ter poucos milímetros ou vários centímetros.
Psoríase palmoplantar – afecta as mãos e os pés e é de difícil diagnóstico caso não existam outras lesões.
Psoríase ungueal – manifesta-se nas unhas e é muito prevalecente.
Psoríase do couro cabeludo – muito habitual, confunde-se facilmente com o eczema seborreico.
Artrite psoriática – afecta as articulações e é frequentemente confundida com a artrite reumatóide.
Perfil do doente
Mulher, casada, com uma média de idade de 47 anos, trabalha por conta de outrem e pode sofrer de depressão. Este foi o perfil resultante do Primeiro Estudo Epidemiológico da Psoríase. Realizado conjuntamente em Portugal e Espanha, com a colaboração da Serono, foi apresentado em Sintra, no Dia Mundial da Psoríase.
A pesquisa foi efectuada a mais de 3000 doentes com psoríase moderada a grave e verificou-se que cerca de metade dos pacientes tem antecedentes familiares, sobretudo de primeira geração, levando a que os sintomas se manifestem entre os 18 e os 25 anos.
O principal sintoma mencionado é a comichão intensa e os doentes apresentaram, ainda, o stress e as alterações climáticas como os factores que podem desencadear ou agravar a manifestação da doença. Entre outras conclusões, constatou-se que em 13% dos casos foi diagnosticada artrite psoriática.

