O grupo Bial promoveu recentemente uma reunião de apresentação dos resultados do primeiro ensaio ibérico de hipertensão, denominado IMISH – Iberian Multicentre Imidapril Study on Hypertension –, desenvolvido pelo Departamento de Investigação e Desenvolvimento do grupo.
O evento, realizado na Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa, contou com a presença de médicos das especialidades de Cardiologia e Medicina Interna e de Clínica Geral.
O programa da reunião, moderada pelo Prof. Gorjão Clara, coordenador do Centro de Investigação do Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva, contemplou vários ângulos de discussão em torno da hipertensão arterial, doença cardiovascular actualmente responsável por uma em cada oito mortes a nível mundial.
Com os factores de risco a marcar a agenda dos profissionais de saúde, coube ao presidente da Associação Portuguesa de Hipertensão Arterial (APHA), Prof. José Carmona, dar início às apresentações, numa intervenção alusiva ao «Risco cardiovascular». José Carmona lembrou que a maior parte dos doentes hipertensos deve ser considerada em risco elevado para doença cardiovascular, uma vez que em 80% dos casos existe pelo menos outro factor de risco associado.
«Portugal é, na Europa, o país que mais AVC tinha há cerca de 15 anos e em 1999 o cenário não tinha melhorado», registou o presidente da APHA, que aproveitou a ocasião para fazer uma incursão pelo exemplo americano, adiantando:
«A Associação Americana de Hipertensão pretende que haja um controlo de 50% dos doentes.»
José Carmona deixou ainda um alerta ao afirmar que «a hipertensão mal tratada e mal controlada é a terceira causa de morte a nível mundial».
«IECA Vs ARA II – protecção de órgãos–alvo» foi o tema que se seguiu, numa apresentação conduzida pelo Prof. Eduardo Teles Martins, director do Hospital da Marinha e professor da Faculdade de Medicina de Lisboa.
«O número de fármacos utilizados justifica o envolvimento da indústria farmacêutica, tanto mais que a evidência científica sobre os benefícios do tratamento da hipertensão é inequívoca», disse Teles Martins.
O professor justificou ainda que «em todos os tipos de hipertensão está evidenciado que a lesão dos órgãos-alvo resulta numa diminuição do risco, desde que instituída uma terapêutica».
Maior eficácia do imidapril
face ao candesartan
A reunião avançou então para a discussão em torno do estudo IMISH, que esteve a cargo do Dr. Pedro Silveira, do Departamento de Investigação e Desenvolvimento do grupo Bial.
«Qualquer fármaco controla a pressão arterial, mas isso não basta. Temos de controlar todos os factores de risco», afirmou o investigador, dando, assim, início à apresentação dos resultados da investigação.
O estudo IMISH é um ensaio clínico que avaliou a eficácia e a tolerância de imidapril versus candesartan, tendo envolvido 144 doentes com hipertensão ligeira e moderada, distribuídos por 12 centros médicos de Portugal e Espanha. Todos os doentes foram avaliados com MAPA de 24 horas.
Com uma biodisponibilidade oral de cerca de 70% e um efeito máximo atingido às 7 horas após administração, o imidapril apresenta uma duração de acção e uma semivida superiores a 24 horas, o que permite um esquema de uma única toma por dia. As doses terapêuticas variam entre 2,5 e 20 mg/dia.
Os principais objectivos do IMISH foram os de avaliar alterações ao valor base da monitorização ambulatória da pressão arterial, comparar taxas de resposta com medição causal da pressão arterial e comparar a incidência e a gravidade de efeitos adversos.
Por outro lado, o ensaio – que teve a duração de 12 semanas – foi realizado exclusivamente em centros de Portugal e de Espanha. Isto porque a maioria dos estudos realizados e publicados é de origem norte-americana ou, quando realizados na Europa, são multicêntricos e em vários países, o que se afasta da realidade nacional. O estudo IMISH teve, assim, a particularidade de mimetizar a realidade Ibérica, em termos de características genéticas, epidemiológicas e alimentares.
Os grupos de doentes imidapril e candesartan eram semelhantes: 2/3 dos doentes tinham patologias concomitantes e tomavam medicação concomitante. Os principais resultados mostraram que no controlo da pressão arterial diastólica (PAD) há reduções importantes e similares com o imidapril e com o candesartan, situação também verificada em relação à pressão arterial sistólica (PAS).
Quanto à proporção de respondedores (percentagem de doentes com normalização de PA – menor de 140/90 mmHg – e/
/ou redução maior de 20% na PAS ou maior de 10% na PAD), há uma percentagem superior com o imidapril (mais 12%).
O imidapril revela ainda superioridade relativamente ao candesartan quando são considerados os doentes vulgarmente designados por «dippers» (redução da PA de pelo menos 10% durante o sono), cuja proporção aumentou com o imidapril e diminuiu com o candesartan. A carga tensional nas 24 horas foi menor com o imidapril do que com o candesartan e em ambos os grupos a necessidade de titulação da dose para controlo de tensão arterial ocorreu de forma similar. Por fim, refira-se que na dose 20 mg/dia o imidapril foi muito bem-tolerado e revelou excelente eficácia.
Com este novo estudo agora apresentado deu-se mais um importante passo no combate às doenças cardiovasculares, sobretudo pela proximidade dos números à realidade nacional.
Gorjão Clara terminou o encontro reafirmando o principal objectivo da investigação: «O importante é baixar a pressão arterial para reduzirmos o risco.»
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