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Posição da Fileira do Pescado relativamente ao Peixe-gato

O peixe conhecido como panga, ou peixe-gato, surgiu recentemente no mercado português e noutros países, oriundo sobretudo de explorações em aquicultura no rio Mekong, Vietname. Em Portugal, são consumidas por ano cerca de quatro mil toneladas.

A falta de informação disponível sobre a espécie, e o crescimento rápido da sua presença no mercado, podem explicar o surgimento de notícias erradas sobre alegados problemas de segurança e qualidade. Este peixe foi acusado de apresentar um nível elevado de bactérias patogénicas, metais pesados e resíduos de fármacos e de hormonas, espelhando alegadamente a má qualidade das águas onde é produzido, com práticas de aquicultura inaceitáveis. Foi também dito que não possuía as características nutricionais benéficas que se obtêm a partir do pescado.

Se as acusações, no que se refere a segurança e higiene alimentar se revelaram falsas, no que toca às características nutricionais as notícias são verdadeiras: o peixe-gato parece peixe, sabe a peixe, cheira a peixe e prepara-se como peixe. E é, tecnicamente, peixe. Mas, na realidade, não tem as características nutricionais habituais no pescado que tradicionalmente se consome em Portugal, e os benefícios para a saúde advindos do seu consumo não são os mesmos.

Apesar de não haver malefícios no consumo de Panga, há que haver a consciência do que está a ser consumido e ter o cuidado de integrar na alimentação outro pescado rico, por exemplo, em Ómega 3, e nos nutrientes presentes na maioria do pescado “tradicional”, para assegurar uma alimentação saudável. No entanto, nem sempre o consumo de Panga é consciente, na medida em que este peixe é muitas vezes “disfarçado” e apresentado como pescada, cherne, ou outros peixes que, pela cor, possam ser confundidos com panga, que fica muito mais barato como matéria-prima. Em alguns países, como Espanha ou França, está a ser restringido o consumo de Panga em espaços de restauração coletiva, como refeitórios de escolas ou hospitais.

A Fileira do Pescado defende uma maior informação acerca das características nutricionais do peixe-gato, para que o consumidor possa fazer uma escolha consciente. E que, nos locais onde as refeições são já apresentadas preparadas, que seja identificado o peixe usado na confeção, e que exista uma maior vigilância para que na restauração não se venda peixe-gato como se fosse outra espécie de pescado.

Salientamos, contudo, que o Panga não traz riscos para a saúde. Em Portugal, a Associação de Defesa do Consumidor, perante as acusações divulgadas, efetuou análises aos produtos disponíveis para o consumidor final. O peixe-gato revelou, nos 4 tipos de análises (microrganismos indicadores de higiene, microrganismos patogénicos, metais pesados e resíduos de medicamentos) valores abaixo dos máximos permitidos, o que resultou numa apreciação global positiva das marcas comerciais de filetes congelados testados. Em Junho de 2009, a Direcção de Avaliação dos Riscos na Cadeia Alimentar da ASAE do Governo Português publicou, igualmente, um esclarecimento sobre a panga. Os organismos oficiais concluíram que o consumidor pode estar tranquilo uma vez que não foi identificado qualquer risco imediato para a saúde pública.

Mais informações sobre a Fileira do Pescado em www.fileiradopescado.com.

A Fileira do Pescado reúne as organizações mais representativas do sector das pescas, transformação e comercialização de pescado.

 

Associações que integram a FILEIRA DO PESCADO:

ACOPE – Associação dos Comerciantes de Pescado
Constituída em Janeiro de 1976, na sequência das alterações legislativas que transformaram os organismos corporativos, representativos das actividades económicas, em Associações Patronais. A sua constituição vem, assim, na esteira do Grémio do Armazenistas Distribuidores e Exportadores de Peixe, cujo alvará havia sido concedido em 1973. A ACOPE congrega a nível nacional os comerciantes de pescado, fresco e/ou congelado, primordialmente os comerciantes por grosso, mas também os retalhistas, cabendo-lhe a defesa e a promoção dos interesses colectivos do sector que representa. http://www.acope.pt

ADAPI – Associação dos Armadores das Pescas Industriais
Foi constituída por escritura pública em 19 de Fevereiro de 1975. A ADAPI representa 42 empresas portuguesas de pesca, instaladas ao longo de toda a faixa costeira atlântica do País, procurando defender os legítimos direitos e interesses do colectivo. Essas empresas armam 74 navios que pescam nas modalidades de arrasto e de palangre de superfície, quer em águas sob jurisdição nacional, quer nas ZEE’s de Países Terceiros com os quais a União Europeia celebrou acordos de pesca ou de reciprocidade. Estão ainda inscritos na ADAPI navios-fábrica que operam em águas internacionais sob gestão de Organizações Regionais de Pesca, unidades que dispõem de grande autonomia operacional e de excelentes condições de conservação e preparação do pescado, desde a captura até à sua apresentação como produto acabado.

AIB – Associação dos Industriais do Bacalhau
Foi constituída a 17 de Novembro de 1993 sob a forma jurídica de associação sem fins lucrativos. Em 1998, procedeu à revisão dos seus estatutos, constituindo-se em associação empresarial e patronal. A Associação dos Industriais do Bacalhau é uma associação de empregadores, que tem como objectivo a promoção e desenvolvimento da actividade industrial do bacalhau e defesa e promoção dos interesses empresariais do sector podendo, para isso, prestar serviços de carácter económico e social aos seus associados ou criar instituições para esse efeito. Actualmente conta com 20 empresas associadas que exercem no território nacional a actividade industrial da transformação de bacalhau. http://www.aibportugal.com

ALIF – Associação da Indústria Alimentar pelo Frio
Fundada em 1975, sendo a única Associação empresarial, sem fins lucrativos, que representa em Portugal a indústria de congelação de pescado, bem como a indústria de hortícolas e alimentos pré-cozinhados congelados, e ainda os entrepostos frigoríficos. A Associação de Indústria pelo Frio desenvolve ainda funções de Organismo de Normalização Sectorial (ONS), assegurando a actividade desenvolvida pela CT 25 – Comissão Técnica dos Produtos da Pesca e Aquicultura. http://www.alif.pt

ANICP – Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe
Constituída em 1977, tem a sua sede em Matosinhos e representa 90% do sector conserveiro nacional em laboração. As conservas de peixe são um produto genuinamente português e utilizam fundamentalmente três espécies de peixes: a sardinha da espécie “sardina pilchardus (Walbaum)”, capturada na costa portuguesa pela nossa frota do cerco, o atum e a cavala. O destino das conservas de peixe portuguesas é o mercado interno mas essencialmente a exportação para várias partes do mundo, sendo uma fonte de entrada de divisas no nosso país. As conservas de peixe são um produto natural, sem corantes nem conservantes, cuja confecção é elaborada com muito saber e longa tradição

Porter Novelli

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