O que é a próstata? A Próstata é uma glândula sexual acessória cuja função, juntamente com as Vesículas Seminais, é a produção do líquido seminal. No estado normal tem a forma e o volume de uma castanha, com cerca de 20g. de peso.
Onde está localizada a próstata e com que órgãos se relaciona?
Situada na bacia pélvica, na encruzilhada do aparelho urinário baixo com a via seminal. Está sob a bexiga e é atravessada pela parte inicial da uretra. As Vesículas Seminais que ficam atrás da Próstata juntam-se aos Canais Ejaculadores que a atravessam e terminam perto na uretra, já na parte inferior da Próstata.
Os Canais Ejaculadores transportam os espermatozóides e secreções das Vesículas Seminais para a uretra onde se juntam às prostáticas. A próstata encontra-se para além disto em frente do recto e assenta na musculatura do pavimento pélvico que contem o esfíncter externo da uretra.
As relações da próstata com os orgãos vizinhos são responsáveis pela importância que as doenças desta pequena glândula têm. Justificam ainda as sequelas resultantes das várias terapêuticas necessárias para o seu tratamento. Desde queixas da bexiga, que são o aspecto mais habitual, aos problemas de incontinência, da ejaculação, potência sexual e mesmo rectais.
Quais são as doenças da próstata mais comuns?
A mais conhecida é a Hipertrofia Benigna da Próstata, que se começa a fazer sentir a partir dos 50 anos. Aumenta de prevalência com a idade e atingirá virtualmente todos os homens se viverem o tempo suficiente. Aos noventa anos a prevalência é de quase 100%. A maioria dos doentes com sintomas necessita de terapêutica medicamentosa, só uma minoria de 10% vem a ser operado.
As cirurgias habitualmente são realizadas por via endoscópica ou por via aberta, dependendo do volume da próstata. A cirurgia endoscópica é o “gold standard” já que alia a eficácia à mínima agressividade. É realizada por um aparelho que permite acesso à próstata através da uretra e com uma ansa diatérmica resseca o tecido em excesso em fragmentos. A cirurgia aberta é necessária para tratar próstatas de maior volume e tem por objectivo remover o nódulo de adenoma que cresce no interior da glândula.
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O Carcinoma da Próstata é o tumor com maior prevalência entre os homens e a segunda maior causa de morte por neoplasias. Presentemente, cada vez mais, é diagnosticado precocemente em estadio curável. Para isto contribui o aparecimento do doseamento do PSA (Antigénio Específico da Próstata) e a divulgação que os “media” têm feito junto da população. Nesta fase a doença não dá sintomas. As queixas que eventualmente existem, normalmente são devidas a Hipertrofia Benigna, que frequentemente coexiste. Quando surgem sintoma provocados pelo carcinoma, a doença já é muito extensa e não pode ser curada. Os tratamentos que se fazem são medicamentosos, habitualmente de supressão hormonal e conseguem estabilizar a doença durante um número variável de anos.
A prostatite aguda e prostatite crónica, são doenças inflamatórias, que atingem homens de qualquer idade, frequentemente com queixas urinárias irritativas intensas, provocando desconforto ao ponto de serem incapacitantes para a actividade profissional. Normalmente as crónicas evoluem por crises mais ou menos arrastadas, mais ou menos frequentes.
O que é o PSA?
O PSA ou “Prostate Specific Antigen”, é uma das proteínas de secreção exócrina produzidas pela próstata. É um enzima também chamado Seminogelina que tem como função dissolver o coágulo seminal que se forma em consequência da mistura das secreções da próstata com as das Vesículas Seminais. Uma pequena percentagem entra em circulação e pode ser doseada.
Em todas as doenças prostáticas aparece uma maior quantidade de PSA no sangue. O carcinoma é a doença que provoca a maior subida mantida desta proteína tornando-a no melhor marcador tumoral que temos. É particularmente eficaz para a vigilância da resposta da doença à terapêutica. Como varia directamente com o volume de tumor dum modo muito sensível, avalia a actividade tumoral com uma precisão que nenhum outro meio complementar de diagnóstico permite. Como ferramenta para o diagnóstico precoce do tumor maligno tem algumas limitações.
Todas as doenças da próstata se podem acompanhar de aumento do PSA, e esta glândula é sede frequente de várias doenças, muitas vezes concomitantes. O exame que dá o diagnóstico de carcinoma é a biopsia prostática. Para evitar fazer biopsias a um número exagerado de pessoas sem tumor, desenvolveram-se várias estratégias para identificar as pessoas em maior risco de doença. A relação entre o PSA livre e o total, a velocidade de aumento do PSA com o tempo, a densidade do PSA com o volume de tecido prostático
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Quando vigiar a próstata?
Os homens com história familiar de Carcinoma da Próstata devem iniciar a vigilância aos 45 anos, porque os casos de tumor com características hereditárias surgem normalmente mais cedo e têm maior agressividade. Não havendo história familiar pode-se iniciar a vigilância aos 50 anos.
Quais os tratamentos de intenção curativa?
São fundamentalmente a Prostatectomia Radical, a Radioterapia Radical e a Braquiterapia Prostática.
O que é a Prostatectomia Radical?
A Prostatectomia Radical é a terapêutica cirúrgica do carcinoma da Próstata. É ainda a terapêutica que mais se aplica no tratamento do Carcinoma da Próstata. Implica a remoção da Próstata em bloco com as Vesículas Seminais. Como tem que se anastomosar o colo da bexiga à uretra, o doente tem que usar algália, habitualmente durante três semanas.
Após a remoção da mesma segue-se um período de incontinência urinária que obriga ao uso de pensos ou fraldas protectores. Esta incontinência tem duração variável e pode oscilar entre dias e meses, sendo mais tipicamente cerca de dois meses. Um pequeno número de doentes ficará com incontinência permanente e não é possível prever quais as pessoas que virão a sofrer essa sequela altamente lesiva da qualidade de vida. A outra complicação habitual da Prostatectomia Radical é a impotência sexual que resulta da lesão dos feixes vasculo-nervosos pudendos (responsáveis pela erecção), mesmo quando se faz cirurgia conservadora dos nervos. Esta sequela não sendo tão grave como a incontinência tem uma prevalência muito alta. Quando se poupam os nervos, há a possibilidade de manter vida sexualmente activa recorrendo a comprimidos como o Viagra. Caso este não seja eficaz há ainda um número de pessoas que respondem a terapêutica intra-cavernosa com Caverjet (injectável administrado no pénis).
O que é a Radioterapia Externa?
A Radioterapia Externa destrói a próstata de maneira não invasiva. As células são destruídas e resta um tecido cicatricial sem vitalidade. O tratamento é fraccionado num número de sessões diárias que depende da dose de radiação prescrita. A dose total é limitada pela toxicidade da radiação aos órgãos vizinhos, já que antes de alcançar a próstata o feixe de radiações tem que atravessar outros tecidos.
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A eficácia é sobreponível à cirurgia mas no caso de tumores agressivos deve ser feita radioterapia de alta dose (superior a 72 Gray), para obter estes resultados. As sequelas, para além da incontinência e impotência que são muito menos frequentes do que com a cirurgia, são a cistite e rectite rádicas que dão queixas de dor, desconforto e frequência urinária assim com o tenesmo rectal. Estas queixas são habituais durante o tratamento mas habitualmente desaparecem com o tempo. Podem no entanto ficar algumas queixas sequelares, bem como aparecerem hemorragias vesicais ou intestinais ao fim de vários meses.
O que é a Braquiterapia Prostática?
A Braquiterapia Prostática, ou Radioterapia Intersticial é também uma forma de terapêutica com radiações, com a particularidade da zona irradiada estar restringida à próstata. Este efeito consegue-se implantando fontes radioactivas “sementes” de Iodo ou Paládio na próstata. Cada semente tem um campo de acção muito restrito e é o somatório de todas as sementes implantadas que produz o efeito desejado. Como o risco de lesão dos orgãos vizinhos é muito menor podem-se administrar doses mais altas de radiação (140 a 160 Gray), que variam com o método de implante (já que há várias metodologias).
No caso de tumores altamente agressivos há necessidade de fazer terapêutica combinada de Braquiterapia e Radioterapia Externa. Neste caso administra-se uma dose parcial de cada um dos tipos de radiação. Prescrevendo correctamente o tipo de tratamento de acordo com a agressividade tumoral obtêm-se resultados sobreponíveis aos dos outros tipos de tratamento. As fontes são implantadas sob anestesia (pode ser geral ou loco-regional), o doente tem alta no dia seguinte, podendo regressar à sua actividade normal rapidamente. As sementes actuam, durante um periodo que varia com o elemento em causa e que no caso do Iodo é de três meses.
Posteriormente ficam inertes, sem actividade. Ao fim de cerca de um mês surgem queixas urinárias irritativas, como frequência e imperiosidade urinária e jacto fraco. A intensidade das queixas está relacionada com a importância das queixas prévias ao tratamento. Quando as queixas iniciais são leves, normalmente o tratamento é bem tolerado. Pode haver necessidade de fazer tratamento sintomático durante o periodo de tempo em que são mais incomodativas.
Entre o sexto e o nono mês a sintomatologia desaparece. Em cerca de 5% a 10% dos casos pode haver um aperto do colo vesical que requere intervenção cirurgica endoscópica desobstrutiva. Há também um risco de incontinência urinária em doentes que foram anteriormente submetidos a cirurgia prostática, que depende do método de implante. Este método não provoca impotência embora a longo prazo possa haver uma diminuição variável da rigidez da erecção. Este método alia à alta eficácia, a menor interferência na actividade do doente e as sequelas mais reduzidas, o que justifica a crescente popularidade de que vem gozando.
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