São os que mudam de forma, diâmetro, contornos ou cor e que podem indiciar uma lesão maligna. Sobretudo numa pele agredida pelos raios solares, com um historial de queimaduras. É terreno fértil para o melanoma, o mais grave dos tumores cutâneos e que está a crescer a cada Verão que passa.
As estatísticas são frias mas reflectem a realidade de uma forma indesmentível: em Portugal, todos os anos surgem cerca de dez mil novos casos de tumores cutâneos, quase mil dos quais correspondem à sua forma mais maligna – o melanoma, cuja taxa de mortalidade oscila entre os 10 e os 20 por cento após cinco a dez anos, mas depende do estádio do melanoma na altura do diagnóstico.
As estatísticas dizem ainda que um em cada três cancros na população branca é cutâneo, sendo que uma em cada seis pessoas poderá desenvolver a doença ao longo da vida. E o sol é responsável por cerca de 90 por cento destes casos.
A incidência do melanoma está a aumentar, duplicando em cada década desde 1930: nessa altura, o risco de desenvolver este tumor cutâneo maligno era de um para cada 1.500 pessoas, mas na viragem do século tinha já disparado para um em cada 80 pessoas.
São números avançados a cada Verão com a missão de alertar a população para os riscos da exposição excessiva e desprotegida ao sol. Na origem desta escalada estão, de acordo com os especialistas, os maus hábitos, nomeadamente a falta de protecção solar adequada e a exposição ao sol nas horas em que ele incide mais a pique sobre o corpo, mas também as férias-relâmpago para países tropicais, com a mudança abrupta de latitude a impedir que a pele se adapte.
Os solários também contribuem para este cenário, sabendo-se que dez exposições anuais nas máquinas de bronzear aumentam em oito vezes o risco de desenvolver cancro da pele. Assim se explica que, de acordo com a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo, estes tumores estejam a aumentar de uma forma selectiva, com maior incidência nas classes média-alta e alta.
Ainda assim os mais descuidados na relação com o sol continuam a ser os jovens. Um inquérito divulgado recentemente dá conta de que 70 por cento dos jovens entre os 16 e os 24 anos frequentam a praia no chamado horário vermelho e sem protecção adequada. São, pois, sérios candidatos a desenvolver cancro da pele.
Pele ameaçada
O melanoma é o tipo de cancro cutâneo mais grave, mas menos frequente, com a maioria dos casos a corresponderem a carcinomas, baso-celulares ou espino-celulares.
Os primeiros são os mais vulgares, atingindo sobretudo as pessoas de pele clara que se expõem regularmente ao sol por via da sua actividade profissional: as suas “vítimas” encontram-se entre os trabalhadores rurais, pescadores, trabalhadores da construção civil. Daí que as áreas do corpo mais vulneráveis sejam as que estão mais expostas ao sol, como a face, o pescoço e o dorso.
É quase sempre depois dos 40 este carcinoma se manifesta, sob a forma de um nódulo rosado e brilhante, de crescimento lento, ou de uma ferida superficial sem causa aparente e sem tendência para desaparecer espontaneamente.
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O tratamento existe e, se aplicado nas fases iniciais, resulta quase sempre na cura. Mas se o tumor evoluir sem intervenção pode tornar-se muito agressivo e invadir os tecidos vizinhos, provocando grandes defeitos e mutilações (no nariz, pavilhões auriculares e pálpebras, por exemplo). Mesmo assim é possível obter bons resultados com recurso à cirurgia e radioterapia, embora haja o risco de o doente ficar desfigurado devido às lesões.
Também o carcinoma espino-celular predomina entre as pessoas que estão permanentemente expostas ao sol, mas de idades mais avançadas. É igualmente nas áreas mais expostas, como a face, o pescoço, o dorso das mãos e as pernas que surge, quase sempre sobre lesões pré-cancerosas ou a partir de cicatrizes ou úlceras.
É mais agressivo e de crescimento mais rápido do que o baso-celular, apresentando-se como um nódulo com tendência para sangrar ou lesão lisa com crosta descamativa que não cura, ou como uma úlcera. Se não tratado, pode invadir os tecidos circundantes e, além disso, originar metástases à distância passíveis de causar a morte.
Contudo, quando diagnosticado e tratado a tempo são elevadas as probabilidades de cura. Quanto ao melanoma é, de facto, o mais agressivo de todos os tumores cutâneos. E, ao contrário dos demais, não está associado a uma exposição crónica ao sol, mas a uma exposição intempestiva e intermitente.
Quase sempre existe um passado de “escaldões” em idades mais jovens. Muitas vezes tudo começa com um sinal…
De olho nos sinais
A maior parte de nós possui lesões pigmentadas no corpo: são os sinais, as sardas, as manchas de cor escura – pelo menos 25 em todo o corpo de um adulto. Não os vemos como lesões, mas são-no de facto. E vão-se adquirindo com o crescimento, pois poucos são os sinais de nascença.
Também não os vemos como perigosos, nem lhe prestamos grande atenção, confiando no facto de a grande maioria ser benigna. Todavia, há alterações – na forma, nos contornos, no diâmetro ou na cor – que podem constituir o primeiro indício de um qualquer tipo de cancro da pele.
Perdem o seu carácter benigno. E o melanoma é precisamente um tumor maligno que se desenvolve a partir das células pigmentadas da pele, os melanócitos. E desenvolve-se predominantemente numa pele já agredida pelos raios solares, uma pele que já sofreu os famosos escaldões: são queimaduras solares, aparentemente passageiras, mas que deixam marcas subliminares, que vão sendo como que memorizadas até que, com o tempo e com a continuidade da exposição excessiva ao sol, acabam por despertar e originar alterações celulares próprias de um tumor.
Aliás, possuir antecedentes de queimaduras solares na infância e/ou adolescência constitui um factor de risco no que toca ao melanoma, tal como possuir antecedentes familiares, ser de pele clara, ter olhos azuis, dificuldade em bronzear-se e tendência para fo rmar sardas, bem como ser portador de um grande número de sinais. Um factor de risco acrescido é, naturalmente, apresentar sinais que se alterem.
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São os sinais que denunciam a doença, pelo que os especialistas recomendam a todas as pessoas que façam um auto-exame cutâneo regular como forma de se familiarizarem com as manchas pigmentadas e os sinais e estarem, assim, melhor preparadas para fazer o despiste precoce de uma eventual alteração. Não se trata de ser a própria pessoa a fazer o diagnóstico precoce da doença, mas sim de a habilitar a consultar rapidamente um dermatologista se tiver suspeitas.
Neste auto-exame deve-se ter particular atenção ao tamanho dos sinais, à sua forma, bordo, cor e evolução. A cada um dos sinais, mas sobretudo se surgir um novo, deve aplicar-se a chamada regra ABCDE – A de assimetria, B de bordo, C de cor, D de diâmetro e E de espessura.
Assim, há que tentar perceber se a forma do sinal é irregular ou redonda, se o contorno é irregular ou delimitado, se a cor é uniforme ou não, se o diâmetro é inferior ou superior a cinco milímetros e se houve espessamento recente ou não do sinal.
No fundo, é a irregularidade que alimenta a suspeita, na medida em que um sinal de forma simétrica, de contornos arredondados, de cor uniforme, com menos de cinco milímetros de diâmetro e que não tenha sofrido mutações na sua espessura é um sinal que não deve merecer preocupação de maior. Caso contrário, é melhor tirar as dúvidas com um especialista.
Até porque nem todas as alterações significam um tumor. Um melanoma pode desenvolver-se em qualquer parte do corpo, mas parecem existir algumas diferenças entre sexos. Assim, nos homens a mutação celular acontece geralmente ao nível do tronco, da cabeça e do pescoço, enquanto nas mulheres ocorre com mais frequência nos braços e pernas.
Tempo precioso para a vida
Significa isto que, em matéria de melanoma, o despiste e o diagnóstico precoces podem ser fundamentais, podem marcar a diferença entre a vida e a morte. Porque, se não for tratado na sua fase mais inicial, o melanoma constitui uma severa ameaça à vida. É que, além de ser um tumor maligno, tem uma enorme capacidade para se metastizar, estendendo-se a outros órgãos que não a pele – gânglios, fígado, pulmões, entre outros.
Nesta altura, a probabilidade de remissão é já muito reduzida, ao contrário do que acontece quando o tempo joga a favor do doente. Daqui a importância de não conviver com a suspeita nem com o receio de ela se confirmar: à mínima dúvida, mesmo que pareça infundada, há que procurar conselho médico.
Uma biópsia à lesão cutânea permite encontrar as respostas que se impõem: trata-se da análise laboratorial de um pequeno fragmento da pele lesionada para detectar eventuais células malignas. Se o diagnóstico for positivo, há que iniciar de imediato o tratamento, que é quase sempre cirúrgico para remoção do tumor mas que, quando houve metastização, costuma ser acompanhado de quimioterapia e de radioterapia.
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O objectivo de qualquer uma destas técnicas é destruir as células malignas, no primeiro caso recorrendo a medicamentos injectados por via endovenosa, no segundo caso mediante a exposição a radiações em doses elevadas e de alta energia.
Esta é uma ameaça real à vida, uma ameaça que se renova a cada exposição solar. O melanoma é mesmo o lado mais negro do sol. Desnecessariamente…
Benigno ou maligno?
Quando se fala de cancro cutâneo todos os sinais corporais ficam de imediato sob suspeita. Mas nem todos são malignos, conforme o recurso à regra ABCDE (explicada no texto principal) indica. Para reforçar esta regra, a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APPC) deixa na sua página na internet alguns exemplos que a seguir se reproduzem:
Benigno – sinal de aspecto normal, contorno regular
Duvidoso – contorno irregular com cor desigual; talvez benigno, mas necessita ser examinado pelo médico
Maligno – contorno irregular, cor negra, não uniforme: melanoma superficial, tratar sem demora
Maligno – forma irregular e cor desigual: melanoma nodular, tratar sem demora.
As horas do risco
O risco de uma exposição excessiva e desprotegida ao sol existe sempre, mas, ao longo do dia, há horas mais perigosas do que outras. Vejamos como se distribui o risco:
• Muito elevado – das 12 às 16 h
• Elevado – entre as 11 e as 12 e entre as 16 e as 17 h
• Médio – das 10 às 11 e das 17 às 18 h
• Mínimo – entre as 8 e as 10 e entre as 18 e as 21 h.
Conhecer este relógio de sol é meio caminho andado para escolhas mais saudáveis para a pele.
FARMÁCIA SAÚDE – ANF
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