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Ossos à beira de uma fractura

A osteoporose é uma doença que vai fragilizando os ossos, muitas vezes quase sem sintomas, até que uma queda abre caminho a uma fractura. Afecta mais as mulheres do que os homens, na medida em que está associada à menopausa, mas é uma doença que se pode, e deve, prevenir desde cedo. Fazendo do cálcio um bom amigo dos ossos…

A osteoporose é considerada uma doença silenciosa. E há uma explicação para esta designação: é que progride lenta e discretamente, evoluindo, muitas vezes, sem qualquer sintoma que denuncie a fragilidade dos ossos. Trata-se de uma doença do esqueleto que se caracteriza pela diminuição da massa óssea, isto é, por uma menor densidade dos ossos.

Devido à osteoporose, os ossos vão ficando progressivamente mais frágeis, o que significa que há um maior risco de fractura. E é, com frequência, uma fractura acidental, em consequência de uma queda, que revela a doença. As fracturas mais comuns acontecem nas vértebras, punhos e ombros, mas as mais graves registam-se na anca.

Na realidade, pode dizer-se que qualquer um dos cerca de duas dezenas de ossos do esqueleto humano pode ser afectado, prejudicando a mobilidade e a independência.

 

Ossos – uma estrutura em renovação

Os ossos constituem a estrutura que suporta o organismo e os seus diversos sistemas, conferindo rigidez e forma ao corpo. São eles que protegem os órgãos vitais e alojam a medula óssea, ao mesmo tempo que desenvolvem um papel metabólico muito importante como reserva de iões, vitais para a preservação da vida.

Cada osso é constituído por uma componente orgânica, que representa 30 por cento da sua massa, e uma componente inorgânica, os restantes 70 por cento. Em cada um é possível identificar duas camadas – uma externa, mais dura, e outra interna, com uma textura mais esponjosa. É esta última que está mais exposta à osteoporose.

Para compreender a doença é útil saber como se dá o processo de evolução da estrutura óssea. Desde logo para saber que o osso está constantemente a ser renovado, renovação essa que é maior na camada interna (a um ritmo de 15 por cento ao ano). Este é um processo que começa ainda no útero e prossegue ao longo de toda a vida, sendo que na fase de crescimento a quantidade de osso novo é superior à de osso destruído, o que se traduz num aumento progressivo da massa óssea até estagnar num valor máximo, que se alcança entre os 20 e os 30 anos.

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Este pico de massa óssea mantém-se por cinco a dez anos, após o que se inicia a perda lenta e progressiva de massa óssea – cerca de um por cento ao ano, tanto para mulheres como para homens. No entanto, com a menopausa, dá-se uma aceleração da perda de osso nas mulheres, que pode atingir os cinco por cento anuais. E isto devido à redução da hormona feminina estrogénio Com a menopausa há uma menor produção desta hormona, o que tem como consequência um abrandamento na recuperação óssea, sobretudo nos primeiros dez anos. E a camada interna do osso, já de si mais frágil, é a mais afectada, o que explica a incidência acrescida da osteoporose.

Com o avançar da idade, avança também a perda de massa óssea, mas mais lentamente e minando igualmente o osso cortical. É nesta fase que são mais prováveis as fracturas do fémur e do úmero. Idade e género feminino – um duplo risco. Por aqui se percebe que os principais factores de risco da osteoporose são a idade e o género feminino, sobretudo se associados. E, dado o papel que as hormonas femininas desempenham na protecção do osso, também se percebe que uma menopausa precoce, nomeadamente quando causada pela remoção cirúrgica dos ovários, aumente significativamente o risco de desenvolver a doença.

Mas há outros factores, como ter antecedentes familiares da doença ou determinadas condições médicas, por exemplo do fígado, tiróide, intestinos e rins. O uso prolongado de cortisona e seus derivados também é considerado prejudicial para a saúde dos ossos.

Uma grande influência têm os hábitos alimentares: é que uma fraca ingestão de cálcio – fornecido pelo leite e derivados de que o leite e derivados são uma boa fonte – está relacionada com a menor densidade óssea. O consumo excessivo de álcool, chá, café e tabaco também pesa nesta balança.

Para ossos saudáveis é conveniente a ingestão regular de cálcio – 1,5 gramas por dia para crianças em crescimento, grávidas, mulheres após a menopausa e homens depois dos 65 anos. Para os restantes grupos são aconselhados 800 a 1000 mg diários.

 

Mais vale prevenir

A osteoporose é, de certa forma, uma doença subestimada. Mas é uma doença com grande impacto na qualidade de vida e no estado geral de saúde. É que uma fractura não afecta apenas o osso envolvido, tem implicações sobre a mobilidade e sobre a independência, podendo obrigar a cirurgia, a internamento hospitalar, com uma recuperação muitas vezes prolongada. Razões suficientes para prevenir o risco.

O que, no caso das mulheres, pode passar pela adopção da chamada terapêutica hormonal de substituição na menopausa ou – o que é válido também para os homens – pela toma de medicamentos que actuam sobre o osso, à base de vitamina de outros componentes. Contudo, prevenir é sempre a melhor opção e um dos caminhos envolve a ingestão de cálcio. O leite é a melhor fonte deste mineral, mas não a única: brócolos, feijão, amêndoas também ajudam à saúde óssea.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

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