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Oh não, legumes!!!

Esta é uma exclamação frequente entre as crianças, em rejeição da sopa ou da salada ou mesmo da presença de legumes no prato. O que fazer para que os comam, mas sem transformar a refeição num campo de batalha? Dar o exemplo, antes de mais.

Os legumes possuem um indiscutível valor nutricional, na medida em que são fonte de vitaminas e minerais e fibras alimentares. E são alimentos apelativos para os sentidos, sobretudo tendo em conta a diversidade de cores, texturas e sabores. Mas nem por isso são atractivos para as crianças, que, com frequência, os rejeitam. Esta é, aliás, uma queixa comum entre os pais, geradora de ansiedade e de algumas “guerras” à mesa, com um braço-de-ferro entre quem não quer comer e quem insiste nessa necessidade.

O que leva, afinal, as crianças a assim rejeitarem os legumes? Influências genéticas à parte – as quais respondem por uma certa preferência pelo doce e pelo salgado, em detrimento de outros sabores – o que está em causa é a habituação, a aprendizagem.

E a primeira experiência com os legumes acontece quando a criança é iniciada na sopa: é verdade que são introduzidos um a um, de modo a prevenir alergias ou intolerâncias alimentares, mas também é verdade que são apresentados triturados, transformados numa papa que impede a sua degustação.

Naturalmente que, não tendo os bebés dentes, não poderia ser de outra forma. No entanto, este é um hábito que vai acabando por prevalecer e a criança continua a comer os legumes passados mesmo quando já consegue mastigar. O resultado pode ser alguma preguiça que, mais tarde, dá lugar à rejeição quando eles são propostos individualmente e em pedaços.

É preciso contrariar este hábito, o que envolve algum esforço no sentido de ir propondo legumes diferentes a cada refeição: com cores e sabores diferentes para que a criança possa ir experimentando. E cortados em cubos ou tiras de modo a que ela os possa agarrar com a mão, assim contactando com as diversas texturas. Deste modo, estimulam-se os sentidos e, com eles, o apetite.

Mas há outro factor de peso a ter em conta: o exemplo dos adultos, neste caso dos pais que se sentam com a criança à mesa. Se eles não comerem legumes e se não derem sinais de que os apreciam, dificilmente convencerão os filhos a fazê-lo. Importa recordar que boa parte da aprendizagem se faz por imitação.

A criança deve ser envolvida nas refeições familiares assim que possível. A partir do primeiro ano, deve ser sentada numa cadeira apropriada e partilhar o almoço ou o jantar com os adultos: serão momentos em que terá oportunidade de interiorizar que os legumes fazem parte do quotidiano e de perceber que são alimentos apreciados, o que a fará imitar o comportamento dos adultos.

 

Dar a volta à rejeição

Outra das razões que sustentam a rejeição infantil é a monotonia associada aos legumes: se forem apresentados sempre da mesma forma é natural que gerem uma certa aversão. Se a salada for sempre de alface, se a sopa for a mesma durante toda a semana, se a carne ou o peixe forem acompanhados dos mesmos legumes, refeição após refeição, dificilmente despertam o interesse.

Contudo, a saturação pode ser vencida e sem grande trabalho para quem prepara as refeições familiares. É possível diversificar a salada, tornando-a mais atractiva aos olhos e ao paladar: com legumes de cores diferentes, com queijo, com fruta ou frutos secos, com molho de iogurte. Quanto à sopa, pode fazer-se uma base neutra que se divide em porções a que se juntam legumes diferentes, oferecendo-se depois alternadamente.

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E os acompanhamentos também podem ser renovados – com novas misturas, novas formas de preparação (salteados em vez de cozidos, por exemplo).

É ainda possível captar o gosto infantil misturando legumes nos seus alimentos preferidos. No arroz, na massa e até na pizza. Assim não há desculpas…

E porque não tornar o consumo de legumes uma experiência divertida?
Quando se trata de habituar os mais pequenos basta alguma criatividade na forma de os dispor no prato: com ervilhas fazem-se olhos, com palitos de cenoura um nariz, com um molhinho de espinafres cabelos…

Uma rodela de tomate, um pé de couve-flor ou de brócolos também se podem transformar em desenhos que apetece comer… Quando já são mais crescidos, pode resultar deixá-los participar na confecção da refeição: porque não cortarem os legumes para a sopa? Ou fazer a salada? São ideias. É ainda possível juntar o lúdico ao pedagógico, associando cada legume às suas vantagens nutricionais e explicando – sem dramatizar, é claro – o que pode acontecer se não for ingerido em quantidade suficiente.

É a velha máxima de que “a cenoura faz os olhos bonitos…” Na realidade, entre outros benefícios, a cenoura fornece vitamina A, um componente dos pigmentos responsáveis pela recepção da luz na retina. Pode não embelezar os olhos, mas dá-lhes saúde.

 

Preferências apesar de tudo

Não obstante todos os esforços, pode haver legumes que as crianças não apreciem mesmo. Afinal, têm direito às suas preferências, tal como os adultos.
Não vale a pena insistir quando assim é, o que é preciso é proporcionar-lhes alternativas.

A insistência é, no entanto, necessária quando não se está perante uma preferência, mas perante a rejeição. É que outro dos métodos de aprendizagem é a repetição: experimentando uma e outra vez, a criança acaba por se familiarizar com o sabor e a textura.

Há que persistir, mas sem ansiedade.

Sem exercer grande pressão sobre a criança, pois ela acaba por reagir da pior forma, insistindo na recusa. Mas também sem facilitar demasiado, cedendo à recusa.

Em matéria de alimentação, deve resistir-se à tentação de castigar e de recompensar: a virtude está no meio e passa por persistir. É que os legumes são mesmo importantes para um crescimento harmonioso e saudável!

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.anf.pt

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