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O Risco Cardiovascular Global

A escolha do tema “O Risco Cardiovascular Global” para aparecer nesta publicação, é da máxima actualidade e oportunidade para os média, e principalmente para as populações onde queremos que esta mensagem chegue.

Em 2008, as doenças cardiovasculares continuam e continuarão a ser a primeira causa de doença e morte em todo o mundo e por isso mesmo uma das mais importantes preocupações dos médicos e de todos os responsáveis pela saúde das populações.

A doença cardiovascular não é mais do que o envelhecimento progressivo dos vasos sanguíneos e do coração. Esta alteração compreende o desenvolvimento da aterosclerose, que se vai fazendo em todos os vasos sanguíneos e com variável intensidade nos diferentes territórios do corpo humano (coração, cérebro, rins, grandes artérias, etc.).

A aterosclerose das artérias resulta da agressão que a parede destas sofrem e que tem diferentes origens. Entre os agressores contam-se o aumento da pressão arterial, o aumento dos lipídeos circulantes, bem como um processo inflamatório local devido a moléculas circulantes, que individualmente ou em conjunto levam à alteração das propriedades das artérias, mais conhecida por disfunção endotelial.

Com a continuação desta ou até com o aumento da sua intensidade, inicia-se a deposição de material lipídico na parede arterial. Vai assim havendo espessamento progressivo da parede, com a diminuição do calibre das artérias e a consequente dificuldade circulatória.

Hoje, com os conhecimentos que temos, sabemos que todas estas alterações arteriais, resultam da acção de um ou de vários factores de risco cardiovasculares. Entre estes convém relembrar, a hipertensão arterial, o colesterol elevado, o tabaco, a obesidade, a diabetes, o stress, o sexo masculino e a história familiar precoce de doença cardiovascular.

Como é de todos conhecido, raramente as pessoas apresentam um só factor de risco, antes têm vários, como a associação de obesidade, hipertensão, tabaco, etc. A avaliação do maior ou menor risco de contrair uma das doenças cardiovasculares motivada pela acção destes factores, constituiu aquilo a que chamamos o “Risco Cardiovascular Global”.

Isto significa na prática, que o médico não deve olhar para o seu doente de forma individualizada ou parcial, isto é, se é hipertenso, trata a hipertensão esquecendo que o doente também é fumador e obeso.

Deste modo melhoramos um dos factores de risco, neste caso a hipertensão, mas as alterações das artérias vão prosseguir porque os outros factores vão manter a sua acção prejudicial.

Por estes motivos, hoje em dia é mandatório que, o doente seja avaliado como um todo e tratado também como um todo, só deste modo contribuiremos para a diminuição da morbilidade das doenças cardiovasculares.

Este conceito deve ser muito bem explicado a cada doente no sentido de o conquistarmos para a sua adesão ao tratamento. Este, como sabemos, não se limita ao simples uso de medicamentos, mas antes é muito importante a implementação das chamadas alterações do estilo de vida. Estas incluem uma dieta adequada, com diminuição da ingestão de gorduras animais, o aumento do conteúdo na dieta de frutas e legumes frescos, o aumento do exercício físico, com a realização de trinta minutos de marcha ritmada pelo menos três vezes por semana.

Também a diminuição da ingestão de bebidas alcoólicas e o aumento da ingestão de água em abundância, deve ser aconselhado, bem como a opção pelas refeições mais ricas em peixe e menos em carne principalmente se for “vermelha”, e também em fritos.

A Organização Mundial de saúde prevê que este panorama negativo em relação às doenças cardiovasculares, se mantenha pelo menos até 2025. Por isso e acompanhando o apelo da OMS, alertamos a população para a necessidade premente de modificar os seus estilos de vida e fazer a vigilância médica periódica no sentido de tentar inverter esta panorama negativo na saúde de todos e de cada um.

 

Dr. Mário Espiga de Macedo,
especialista em Medicina Interna e Cardiologia;
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

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