O retrato actual da fibromialgia
«Actualmente, os doentes vêm ter com os reumatologistas, mas dentro de alguns anos talvez sejam encaminhados para especialistas de outras áreas.
Ontem, como hoje, como amanhã, a fibromialgia foi, é e será uma síndrome muito complexa que exige a participação das mais diversas áreas da medicina, não só na investigação e procura de causas associadas, como também na busca de melhores resultados terapêuticos», sublinhou o reumatologista do Egas Moniz.
A fibromialgia é uma forma de reumatismo por estar associada a uma maior sensibilidade do indivíduo perante um estímulo doloroso e pode ser justificado pelo facto de envolver músculos, tendões e ligamentos.
Mesmo sem causa aparente, as dores provocadas pela fibromialgia podem apresentar-se de forma intensa, capaz de incapacitar o doente para determinadas actividades do dia-a-dia.
«A ausência da evidência não é a evidência da ausência, o que quer dizer que o facto de não revelar sinais não significa que a dor não existe», disse Jaime Branco, adiantando que «tão importante como conhecer a doença que o doente tem é conhecer o doente que tem a doença».
MYOS em acção
Este foi o II Fórum de Fibromialgia organizado pela Myos. A Associação Nacional Contra a Fibromialgia e Síndrome da Fadiga Crónica tem-se mostrado incansável em mostrar à sociedade o que é a fibromialgia e em divulgar as suas causas, sintomas e tratamentos com o intuito de superar alguns transtornos sociais, preconceitos em relação aos doentes e sensibilizar a classe médica.
«A associação foi fundada em Abril de 2003 e conta já com cerca de 1100 associados, dos quais 90% são doentes. Damos apoio financeiro aos doentes mais desfavorecidos, apoio psicológico e permitimos a partilha de experiências entre os doentes dos mais diversos pontos do país», explicou Maria João Freire, vice-presidente da Myos.
O aumento do número de doentes diagnosticados foi o principal motivo da criação de uma associação que zelasse pelo interesse de todos.
«Já conseguimos alcançar alguns dos nossos objectivos, entre eles o reconhecimento da doença pelos médicos de família, que estão cada vez mais informados sobre a fibromialgia, e o entendimento entre as várias especialidades.
Resta agora conseguir a compreensão por parte das entidades empregadoras que nem sempre acreditam nas queixas dos doentes», acrescentou Maria João Freire.
E disse revoltada: «Se um doente asmático faltar ao trabalho é porque não está em condições de saúde para cumprir a sua função, mas se um doente de fibromialgia faltar então é porque é preguiçoso e não tem vontade de trabalhar.»
Acabar com este estigma social e demonstrar à sociedade que a fibromialgia existe é o maior desejo dos doentes e seus familiares que se reúnem nos encontros organizados pela Myos.
«Infelizmente, há, ainda, alguns médicos que subestimam as nossas queixas.
Felizmente essa realidade está a mudar, graças ao empenho e investigação de alguns especialistas, entre eles o Prof. Jaime Branco, que aqui traçou o retrato actual da fibromialgia», afirmou a doente, referindo-se ao discurso do especialista durante a abertura do II Fórum organizado pela Myos.
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