Os hábitos saudáveis incutem-se desde a mais tenra idade. E no que toca à nutrição o ideal é começar logo no momento da diversificação alimentar, dando a provar novos sabores e texturas. E fazendo das refeições momentos de prazer em família.
Uma correcta alimentação é decisiva para o crescimento e desenvolvimento saudáveis da criança. As necessidades nutricionais vão mudando em função da idade, mas o princípio das escolhas equilibradas não muda. É fundamental que o mais cedo possível se comecem a incutir nas crianças as regras de uma alimentação saudável, na medida em que os hábitos adquiridos na infância fornecem uma boa base para quando começam a alimentar-se fora de casa e a fazer as suas próprias escolhas alimentares.
Esta é uma aprendizagem que deve começar a partir do momento em que a criança deixa de se alimentar exclusivamente com leite, na chamada fase da diversificação alimentar, quando começam a ser introduzidos novos alimentos.
É a altura da primeira grande viagem ao mundo dos sabores e das texturas. É natural que possa haver rejeição a alguns sabores e algumas texturas, mas é importante ir habituando a criança progressivamente a diferentes alimentos, para que colha os benefícios de uma alimentação variada.
E esta é uma regra que se deve manter ao longo dos primeiros anos de vida: é normal que o primeiro contacto com um alimento novo cause estranheza e nem sempre seja agradável, sendo necessário insistir na experiência até à aceitação. Mas insistir não significa forçar a criança a comer – significa, antes, encontrar novas formas de lhe apresentar o mesmo alimento, cativando-a, mas tendo a preocupação de respeitar o gosto da criança.
E, por falar em cativar, esse é um processo que passa muito pela apresentação dos alimentos no prato. Veja-se o caso dos legumes, que tanta má fama têm entre os mais pequenos. Na sopa são essenciais, triturados ou em pedaços, até podem passar despercebidos, mas como acompanhamento de uma porção de carne ou peixe podem – e devem – ter uma apresentação que abra o apetite infantil: basta alguma criatividade para combinar formas e cores e conquistar primeiro os olhos e depois o paladar…
Os legumes são, aliás, uma peça essencial na alimentação saudável pois fornecem vitaminas e sais minerais indispensáveis para o “fortalecimento” do organismo. Outra vantagem é que, ao integrarem as refeições diárias, prolongam a sensação de saciedade, tornando menos provável que as crianças se deixem tentar por snacks e guloseimas.
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De pais para filhos
Outra forma de aumentar a adesão das crianças a estes alimentos é dar o exemplo: se os filhos virem os pais comer diariamente legumes – em sopa, cozidos ou crus em salada – é muito provável que também os comam com naturalidade.
Mas é difícil convencer uma criança quando os legumes estão arredados do prato dos adultos…
E nada melhor do que fazer as refeições em família para esses bons exemplos passarem de pais para filhos: quando assim é, pais e filhos fazem muito mais do que alimentar- se – conversam, riem, partilham momentos e reforçam laços.
Mas, para que as refeições desempenhem este papel, é crucial que sejam momentos tranquilos, em que as discussões e as conversas difíceis fiquem de lado. Também é importante que a comida não funcione como moeda de troca: isto é, não deve funcionar como recompensa nem como castigo. Máximas como “se não comeres a sopa, não comes sobremesa” ou “se comeres os brócolos dou-te um gelado” podem até resultar na altura, mas acabam por revelar-se contraproducentes, na medida em que a criança estabelece com os alimentos uma relação pouco saudável.
Além de que comer tudo nem sequer é o melhor… Depende da quantidade que se tiver colocado no prato. O recomendável é oferecer à criança pequenas porções e depois deixá-la repetir se ela pedir e caso se justifique. Mas, se, pelo contrário, a criança relutar em comer tudo o mais provável é que já esteja saciada e talvez não valha a pena insistir – afinal, “um dia não são dias” e se já tiver comido uma dose certamente não vai ficar com fome… Insistir pode levar a criança a comer, mesmo sem fome, mais do que o necessário para satisfazer as suas necessidades, podendo dar origem a excesso de peso.
Entre as “receitas” para cativar as crianças para uma alimentação saudável conta-se a sua inclusão na preparação das refeições.
Naturalmente que esta inclusão deve ser feita em função da idade, mas dar-lhes uma ou outra tarefa promove a independência e contribui para que a preparação do almoço ou do jantar seja mais um momento em família. Lavar e cortar a alface para a salada, lavar os legumes para a sopa, por exemplo, são tarefas simples mas que familiarizam as crianças com os alimentos e incentivam-nas a tomar boas decisões sobre o que comem.
Isso não significa que vão preferir salada a batatas fritas, mas estarão mais receptivas a uma boa dose de alface no prato… E ficarão com a semente de hábitos saudáveis, que terá grande probabilidade de germinar quando chegar a hora de comerem fora de casa e que se manterão ao longo da vida.
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Regras de ouro
Aos pais cabe educar a criança, também no que toca à alimentação.
Não é um processo fácil, mas há algumas regras preciosas:
• Evite deixar petiscos à mão, pois a criança acaba por ir comendo entre refeições, o que lhe diminui o apetit e à hora da refeição;
• Evite as ameaças com castigos se a criança não comer – pois pode aumentar a sua repulsa em relação à comida;
• Evite as promessas de guloseimas ou outras recompensas em troca de deixar o prato “limpo”;
• Evite as cedências se ela disser que não gosta sem provar – insista e, sobretudo, não substitua a refeição;
• Dê o exemplo: se vai comer um hambúrguer, como fazer o seu filho comer cenouras cozidas?
• Evite que a criança coma em frente à televisão;
• Evite refrigerantes durante a refeição – além do elevado teor em açúcares, as bebidas gaseificadas criam uma falsa sensação de saciedade e a criança acaba por comer menos;
• Ofereça alimentos diversificados, no sabor e na textura, prepare com eles pratos coloridos que estimularão o apetite;
• Estimule a criança a participar na elaboração das refeições;
• Use atitudes positivas, explicando, por exemplo, que os alimentos a tornam forte e bonita, e ajudam a crescer.
E quando não comem?
Há crianças que, como se diz popularmente, são “difíceis para comer”.
Crianças que parecem nunca ter apetite, fazendo de cada refeição uma verdadeira “batalha”, com os pais a tentarem todas as estratégias para que os filhos comam o mínimo dos mínimos.
São crianças que correm o risco de não ingerir os nutrientes necessários ao seu adequado desenvolvimento, o que pode justificar o recurso a suplementos alimentares. O mesmo acontece em momentos de doença e convalescença, em que o organismo não recebe os nutrientes necessários por dificuldade em ingeri-los ou por dificuldade do organismo em utilizá-los. Contudo, estes produtos não devem ser tomados pelas crianças sem aconselhamento profissional: informe-se previamente com o seu farmacêutico ou com o seu médico.
FARMÁCIA SAÚDE – ANF
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