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Músculos cansados

17 Julho, 2009 0

A capacidade respiratória fica comprometida, impondo a entrada no hospital, onde o doente é ventilado artificialmente por algum tempo, até que, por via da administração de medicamentos, os músculos recuperem a força suficiente para a respiração.

Os doentes miasténicos são mais susceptíveis a um conjunto de outras doenças auto-imunes como o lúpus e a artrite reumatóide. São igualmente vulneráveis a disfunções da tiróide, a glândula que regula o metabolismo (a velocidade a que o corpo utiliza a energia).

 

Mulheres “preferidas”

Apesar das complicações, a miastenia é uma doença controlável. O tratamento está disponível sob a forma de medicamentos, sendo os principais os anticolinesterásticos, que potenciam a comunicação neuromuscular.

Não eliminam a deficiência que está na base da doença, mas permitem que a maioria dos doentes leve uma vida normalmente activa.

Para os doentes mais graves, pode ser necessário recorrer a tratamento com esteróides, medicamentos particularmente indicados quando são afectadas a deglutição e a respiração. Em complemento, podem ser administrados imunossupressores, que, como o nome indica, actuam sobre o sistema imunitário, interferindo na produção dos anticorpos que bloqueiam a comunicação.

A cirurgia é também uma opção para remoção do timo, a glândula envolvida na miastenia, nomeadamente quando já se desenvolveram tumores. Já nas situações de crise, é usada a plasmaférese, que consiste na substituição do plasma do doente, uma espécie de lavagem do sangue para remoção dos anticorpos nocivos.

O tratamento é, geralmente, eficaz, o que permite aos doentes uma vida razoavelmente activa. Em Portugal, são cerca de 400 a 500, surgindo por ano 30 a 40 novos casos de uma doença que é, maioritariamente, feminina: nas mulheres declara-se, quase sempre, antes dos 40, mas nos homens só depois dos 60. São particularidades de uma patologia que ainda tem muitos contornos desconhecidos.

 

Falhas na comunicação

O que está em causa na miastenia gravis é um corte na comunicação entre os nervos e os músculos, o que os impede de obedecerem às ordens emitidas pelo cérebro.

Compreender os músculos pode ajudar a compreender melhor este mecanismo. Assim, cada músculo é servido por um nervo que se ramifica em nervos mais pequenos que se espalham pelo interior fibroso. Entre cada uma das extremidades nervosas e a superfície muscular há um intervalo: é nele que se processa a comunicação.

Quando o cérebro envia mensagens ao músculo, para que ele se contraia, as extremidades nervosas libertam um químico – trata-se da acetilcolina, um neurotransmissor, que se agarra aos receptores existentes no músculo, fazendo-o contrair-se.

Ora, é este mecanismo que falha numa pessoa com miastenia gravis: a mensagem não passa dos nervos para o músculo porque o sistema imunitário produz anticorpos que bloqueiam ou destroem os receptores de acetilcolina. Como este neurotransmissor não chega ao músculo, este não se contrai ou contrai-se com uma força insuficiente para que o movimento desejado se concretize.

Os músculos mais usados são os mais afectados: daí que a doença comece por manifestar-se nos olhos – as pálpebras sobem a descem repetidamente, embora de uma forma quase automática que passa despercebida.

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