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Resultados do estudo ASCOT apresentados no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia
Mais de 50% dos AVC e enfartes em hipertensos podem ser evitados
Os benefícios protectores, a nível cardiovascular, do fármaco perindopril, em associação com amlodipina, ficaram mais uma vez demonstrados através do estudo ASCOT, um trabalho realizado em doentes hipertensos, com factores de risco cardiovascular, mas que ainda não tinham doença coronária.
O estudo ASCOT (Anglo-Scandinavian Cardiac Outcomes Trial) parece ser um dos ensaios clínicos com mais preponderância nos últimos anos, após a apresentação dos respectivos resultados no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (SEC), que decorreu recentemente em Estocolmo, e da publicação na versão online do jornal Lancet.
Os resultados deste trabalho de investigação, que decorreu no Reino Unido, Irlanda e países nórdicos, demonstram que a combinação terapêutica anti-hipertensora (amlodipina com perindopril) reduziu o risco de mortalidade em 11%, e, especificamente, de mortalidade cardiovascular em 24%, AVC fatal ou não fatal em 23% e de novos casos de diabetes em 30%.
Este estudo clínico internacional que envolveu mais de 19.000 hipertensos, com o objectivo de comparar a eficácia de duas estratégias terapêuticas na redução de eventos cardiovasculares, tais como o enfarte do miocárdio e o acidente vascular cerebral.
A nova estratégia terapêutica (o inibidor dos canais de cálcio, amlodipina, e o inibidor da enzima de conversão da angiotensina, perindopril) demonstrou garantir vantagens de tal forma significativas, comparativamente à estratégia terapêutica clássica (o bloqueador b, atenolol e o diurético tiazídico, bendroflumetiazida), que o estudo foi interrompido precocemente, na medida em que os doentes submetidos à terapêutica clássica estavam a ser prejudicados.
«A hipertensão arterial é um grande problema», comentou, durante o congresso da SEC, o Prof. Peter Sever, investigador principal do estudo ASCOT e professor de Farmacologia Clínica e Terapêutica no International Centre of Circulation Health, no Imperial College, em Londres.
«O ASCOT usou uma combinação de tratamentos simples e eficaz. Os resultados demonstraram o controlo da tensão arterial e a redução do risco de acidentes vasculares cerebrais, enfartes do miocárdio e outras doenças relacionadas, como a diabetes. Estas são notícias muito importantes, tanto para os médicos como para os doentes», avança ainda o investigador.
O Prof. Luís Providência, coordenador do estudo EUROPA em Portugal, que testou as potencialidades do perindopril no domínio da prevenção secundária da doença cardiovascular, refere que os resultados obtidos com o estudo ASCOT, na área da hipertensão arterial, vêm demonstrar que, «quer numa situação, quer noutra, há uma eficácia bem-demonstrada do perindopril».
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